O personagem real do filme “Meu Nome Não é Johnny”, João Guilherme Estrella, conversou com o público nesta sexta-feira, 11, após ter exibido o filme na Casa Amarela Eusélio Oliveira, como parte da programação do 18º Cine Ceará. Estavam presentes na mesa de debate Ranny Felix, membro da Coordenação Colegiada de Saúde Mental e Coordenadora de Política Municipal de Redução de Danos, e Sérvulo Paulo Chagas, Presidente da Associação Cearense de Redução de Danos.
João Estrella foi um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro. Sua história está registrada no livro de Guilherme Fiuza, pelo qual é baseado o longa-metragem. O uso e o tráfico de drogas foram bem debatidos durante o encontro.
Estrella contou que havia se livrado da penitenciária porque seus advogados provaram que ele torrava tudo que ganhava em pó. Passou dois anos em um manicômio e depois, antes de ser julgado, ficou quatro meses na carceragem da Polícia Federal. “Nesses quatro meses, só vi o sol umas três ou quatro vezes”, disse Estrella.
Em 2002, Estrella havia começado a escrever sobre sua experiência, quando Guilherme Fiuza o procurou. “No manicômio, pensei em fazer isso. Iniciei uma ficção e ia colocar em realidade. Só que por um tempo ficou parado”, revelou.
João Estrella nunca se considerou um criminoso e se não fosse o risco da dependência, experimentar drogas seria “um bom lucro para a existência”. Além disso, não carrega culpas: “Não faria de novo, mas não me arrependo. Eu tirei proveito e foi muito precioso para meu aprendizado”.
O encontrou serviu para divulgar seu primeiro CD, “Meu Nome é João Estrella”, com dez canções, das quais sete é de composição própria. Longe de ser uma novidade, a música sempre esteve presente em sua vida. Foi na prisão que compôs as primeiras músicas. “A música é algo que amo muito. Comecei a estudar desde os 14 anos e não parei mais”, declarou.


























