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Olá, Rapadura. Hoje é domingo, 14 de março de 2010

Cine Ceará: documentário dá voz aos exilados do Chile

A Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem teve dois representantes no páreo da segunda noite do 18º Cine Ceará. O primeiro da noite foi o documentário "Circunstancias Especiales" ("Special Circumstances"), dirigido por Héctor Salgado e Marianne Teleki.

Co-produção Chile/Estados Unidos, o documentário mostra a história investigativa e pessoal de Héctor Salgado, diretor e personagem da produção. Salgado e sua esposa Teleki abordam o exílio ocorrido no Chile durante a ditadura de 1973, quando Augusto Pinochet aterrorizou os chilenos.

Os milhares de torturados, assassinados e condenados nesta época são trazidos à tona, junto com suas memórias e reclamações. Salgado investiga os porquês do que aconteceu em 1973, quando sua vida virou sinônimo de dor. A película é carregada de melodrama, muitas vezes confundindo até onde as investigações do cineasta correm pelo lado pessoal ou real.

De qualquer forma, é uma temática interessante que realiza com competência o grito que Salgado guardou na garganta durante esses mais de trinta anos de medo e silêncio. O cineasta cria uma lista de nomes e vai atrás de mostrar os rostos e argumentos daqueles que participaram da matança e da tortura de inúmeros jovens inocentes.

A estrutura do documentário de Salgado e Teleki muitas vezes soa artificial, mas quer queira ou não, ele mexe em uma ferida importante dentro da história política de toda a América Latina. Os aplausos intensos ao fim da sessão mostraram a satisfação do público em compactuar com o longa.

O Moore Chileno

Nem todos documentam como Michael Moore ("Tiros em Columbine"). Talvez Héctor Salgado nem tenha tido essa intenção ao investigar e abrir o processo contra os abusos físicos que sofreu durante a ditadura. O fato é que o documentário bastante remeteu ao estilo de Moore em participar do processo argumentativo em seus documentários.

Como cineasta, Salgado dá sua visão dos fatos, ideologia geral do gênero documentário. Como personagem da história, ele usa o melodrama para defender suas idéias. Se ele está certo ou errado, pouco importa. O período ditatorial chileno foi abuso de poder político, e em algum momento deve-se defendê-lo. Entretanto, enquanto Moore é personagem observador em seus filmes e age diretamente no decorrer de suas entrevistas e abordagens, Salgado tem a aproximação pessoal com a história. Isso o torna prepotente, positivo ou negativamente (a conclusão se dá por cada um).

O que muitos podem observar como positivo para o desenrolar do documentário, pode incomodar outros que não sabem até onde o processo documental sofreu interferência da dramaturgia ficcional. No mais, entre dúvidas e apelos, temos um documentário pretensioso.

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