Visando dar um destaque significativo às produções cinematográficas brasileiras, a equipe do Cinema Com Rapadura preparou quatro críticas de filmes nacionais variados. O primeiro a ser analisado é o conhecido "Central do Brasil", de 1998. Entre as opções, também estão projetos mais atuais como "Baixio das Bestas", "O Cheiro do Ralo" e "Meteoro".

Tendo recebido bastante repercussão, "Central do Brasil" é o primeiro filme a ser comentado. Na trama, Fernanda Montenegro interpreta Dora, uma ex-professora que escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil, uma estação ferroviária carioca. A mulher tem o costume de, sempre que escrever as correspondências, jogá-las fora. Em certa ocasião, a mãe de Josué pede que Dora envie uma carta para o pai do garoto, no entanto, a ex-professora, como sempre, não o faz. Quando a senhora morre, Dora sente-se culpada e ajuda Josué a achar o seu verdadeiro pai. Vale ressaltar que o longa-metragem recebeu vários prêmios, incluindo os de Melhor Filme e Melhor Atriz (Fernanda Montenegro) no famoso Festival de Berlim. Ainda foi indicado a duas categorias do Oscar: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz (Fernanda Montenegro).

Crítica de "Central do Brasil", por Beatriz Diogo
"Baixio das Bestas" traz Mariah Teixeira interpretando Auxiliadora, uma garota de 16 anos que vive com o seu avô, o qual a molesta sexualmente. Em uma pequena comunidade, nota-se logo que a menina é bastante explorada pelo homem e mal possui oportunidades de vida. Muito bonita, ela tem vários admiradores, entre eles, Cícero (Caio Blat), um estudante rico que mora em Recife. Em busca de diversão, o garoto sempre freqüenta um bordel local e se diverte com as prostitutas Dora (Dira Paes), Bela (Hermila Guedes) e Ceiça (Marcélia Cartaxo). O elenco do filme ainda é figurado pelo conhecido Matheus Nachtergaele ("O Auto da Compadecida"). O longa-metragem é dirigido por Cláudio Assis ("Amarelo Manga") e estreou nos cinemas brasileiros em maio deste ano.

Crítica de "Baixio das Bestas", por Igor Vieira
O terceiro filme, "O Cheiro do Ralo" acompanha a personagem Lourenço (Selton Mello), dono de um estabelecimento que investe em objetos usados por pessoas que estão com dificuldades. À medida que o tempo passa e Lourenço fica mais familiarizado com o negócio, o sujeito a adquire um prazer em explorar os seus clientes. Incomodado com o constante cheiro do ralo que existe em sua loja, o homem se vê em um confronto no qual julga controlar todas as pessoas que dependem de seus investimentos. O filme figurou várias premiações brasileiras, tendo recebido reconhecimento em festivais como a 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Festival do Rio de 2006. Também foi exibido no Festival de Sundance em 2007, onde obteve vários elogios da crítica especializada.

Crítica de "O Cheiro do Ralo", por Thiago Siqueira
Por fim, passando um pouco despercebido pelos cinemas, "Meteoro" é ambientado na época em que Brasília foi inaugurada. Implementando um plano de construção de uma estrada que ligasse Fortaleza à Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek planeja integrar a capital brasileira com o restante do país, todavia, acaba se deparando com um grande deserto. Impossibilitados de continuarem a obra, os trabalhadores desocupados apenas possuem uma diversão: um grupo de prostitutas. No meio dessa situação, Nova, uma profissional do sexo que possui diversos sonhos, apaixona-se por Aloísio. Os dois, então, começam uma jornada que dá origem ao desenvolvimento de uma nova harmonia vivenciada por todos que habitam a região inóspita do deserto. Vale ressaltar que a história, de fato, foi baseada em acontecimentos reais. Outra característica a ser destacada é que "Meteoro" é o primeiro longa-metragem de ficção dirigido pelo porto-riquenho Diego de la Texera.

Crítica de "Meteoro", por Laís Cattassini