Após ser indicado dois anos consecutivos ao Oscar por "Sobre Meninos e Lobos" e "Menina de Ouro", vencendo neste último, Clint Eastwood em 2007 apresenta uma de suas maiores ousadias: dois dramas sobre a segunda guerra. Ao seu lado, uma equipe mais do que premiada: Steven Spielberg produz o filme, enquanto o roteiro é de Paul Haggis (“Menina de Ouro”, “Crash – No Limite”).

O primeiro projeto é “A Conquista da Honra” (Flags of Our Fathers), adaptação do livro “Flags of Our Fathers: Heroes of Iwo Jima”, de James Bradley, que conta a história da ilha no Pacífico que foi palco de uma das batalhas mais sangrentas do conflito em 1945. Em apenas um mês, 22 mil japoneses e 26 mil norte-americanos morreram para tomar o local, cuja importância estratégica incluía pistas de pouso. Foi lá também que a famosa foto dos soldados, quando estes hastearam a bandeira dos Estados Unidos no topo do monte Suribachi, o centro de comando de Iwo Jima.

Com base em muita pesquisa histórica, Eastwood mostra a história dessas seis pessoas, seus desafios e medos antes de enfrentar a tragédia que chocou o mundo. Ao todo foram investidos US$ 80 milhões de dólares na produção, que conta no elenco com Ryan Phillipe (“Segundas Intenções”), Jesse Bradford (“Finais Felizes”), Adam Beach (“Códigos de Guerra”), Jamie Bell (“King Kong”), Paul Walker (“Velozes e Furiosos”) e Bary Pepper (“Fomos Heróis”).

Em março de 2006, o governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, pediu a Eastwood que respeitasse os mortos japoneses no trabalho. Em resposta ao pedido, o diretor disse que não iria, de forma alguma, espezinhá-los.. Mas a reação de Eastwood foi mais surpreendente: ao ler uma carta do general das forças japonesas, Tadamichi Kuribayashi, que tentava impedir que os aliados usassem a ilha como base de ataque, o diretor, impressionado, decidiu também relatar a experiência dos japoneses resolveu fazer outro filme. Assim, em “Cartas de Iwo Jima” (Letters From Iwo Jima), ele muda a visão dos EUA e coloca a ação do outro lado da ilha, com os nipônicos. A versão oriental é estrelada por Ken Watanabe (o mestre de Tom Cruise em “O Último Samurai”).

A intenção de Eastwood é mostrar os dois lados da Segunda Guerra e com isso promover um dos primeiros "crossovers" (união de dois filmes com histórias diferentes que se passam em um mesmo universo, tempo e espaço) intensos da história do cinema. Paul Haggis não pôde assumir o roteiro de “Cartas de Iwo Jima”, mas indicou a roteirista descendente de japoneses Iris Yamashita para o trabalho. Ela ajudou-o a pesquisar fatos históricos.

Com dois projetos de grande porte como esses, os rumores sobre Oscar estão em alta. Uma prévia disso é o Globo de Ouro: Eastwood foi indicado duplamente na categoria de Melhor Diretor (Drama), e “Cartas de Iwo Jima” foi o grande vencedor na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira. Se ele sairá vencedor, repetindo o feito de 2005 com “Menina de Ouro”, só saberemos dia 25 de fevereiro, data da grande premiação.

"A Conquista da Honra" estréia nos cinemas brasileiros em 2 de fevereiro, enquanto "Cartas de Iwo Jima" estréia duas semanas depois, no dia 16 de fevereiro.