A comunidade gay dos EUA espera com ansiedade a estréia de Brokeback Mountain, filme do diretor Ang Lee que rompe tabus ao narrar com delicadeza a história de amor entre dois cowboys. Premiado com o Leão de Ouro na última edição da Mostra de Cinema de Veneza, a filme já figura em listas de aspirantes ao Oscar em várias categorias, incluindo melhor ator. Além disso, a comunidade gay americana espera que o filme sirva para promover sua causa.

"Brokeback Mountain certamente fará mais para avançar na luta pelo casamento entre homossexuais que todos os protestos feitos até o momento", destaca a revista 365Gay.

Segundo a revista, "essa é uma história de amor com a qual todo o mundo pode se identificar". O filme rompe com o mito do cowboy viril e durão, domador de cavalos que se mantém longe de qualquer ilusão de esperança e sensibilidade.

Rodado nas Montanhas Rochosas, o filme narra a história de amor entre Ennis del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal). Os dois se conhecem em 1963 ao pedir trabalho a um rancheiro de Wyoming que os contrata para que cuidem de um grande rebanho de ovelhas na montanha Brokeback durante o verão. A amizade logo se transforma em amor e, embora saibam que a aventura chegará a seu fim quando terminar o verão, os cowboys aproveitam ao máximo sua tórrida relação encoberta pela solidão majestosa da montanha. Na volta eles se separam, se casam e têm filhos. Quatro anos depois voltam a se ver, e se dão conta imediatamente de que a passagem do tempo não diminuiu seus sentimentos. Como sair do armário em um pequeno povoado do oeste americano não era uma boa idéia nos anos 60, sua solução era manter a relação em segredo.

Aceitar os papéis de cowboys que mantêm uma aventura clandestina durante mais de duas décadas também pode ser considerado um risco para os dois protagonistas, que poderiam ficar marcados.

"Eu só queria fazer um bom filme, não me importava se suas carreiras ficariam malditas depois disso" disse o diretor Ang Lee em uma apresentação especial do filme em São Francisco, onde entra em cartaz na próxima sexta-feira. Lee, premiado diretor de O Tigre e o Dragão e Razão e Sensibilidade, preparou os atores separadamente, e lhes deu instruções e informações sobre o desenvolvimento dos personagens. A cena dos dois mantendo relações sexuais levou uma manhã inteira para ser filmada.

"Só parei para mudar os rolos, não queria estragar sua concentração", afirmou Lee. O resultado é genuíno: "Quando se assiste, quase dá vergonha por eles. São muito corajosos."

Para Ledger, a única maneira de interpretar bem foi se manter muito concentrado no personagem. "Se durante um segundo tivesse parado e tivesse me dado conta de que Heath estava beijando Jake, então teria me assustado e não o teria feito convincentemente", afirmou o ator.

Um sentimento oposto ao que teve com Michelle Williams, que representa o papel de sua mulher na tela. Os dois se apaixonaram nas filmagens e tiveram uma filha.

Quanto a Lee, que cresceu em Taiwan e vive em Nova York com sua mulher e seus dois filhos, disse que não pode pensar em nada mais distante de sua vida que um rancho em Wyoming. Mas a história, baseada no romance homônimo de Anne Proulx, o atraiu tanto que se entregou ao projeto.

EFE