Munique, do grande Steven Spielberg (Guerra dos Mundos), deve entrar em cartaz em três semanas, mas o diretor, que já foi premiado com um Oscar, se esforçou pouco para promovê-lo. O filme mostra como Israel se vingou do assassinato de seus atletas por guerrilheiros palestinos nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Líderes de grupos judeus e muçulmanos, assim como diplomatas e especialistas em política exterior, vão assistir a Munique antes de seu lançamento nos Estados Unidos, no dia 23 de dezembro. Mas Spielberg evitou a mídia e as dispendiosas campanhas de promoção que costumam preceder o lançamento de um filme de grande estúdio.

A discrição do cineasta é no mínimo estranha, já que Munique está sendo cotado como um dos favoritos ao Oscar de melhor filme. Os sócios de Spielberg dizem que o diretor, reconhecendo o potencial de seu filme em provocar polêmica, insiste em deixar a produção falar por si mesma.

Munique é, sem dúvida, o filme mais político de um cineasta que não se esquivou de enfrentar questões difíceis, entre elas a do Holocausto em seu filme A Lista de Schindler, que lhe rendeu um prêmio da Academia de Hollywood.

"Ele não quis falar com ninguém até que as pessoas tivessem a chance de ver o filme", disse o porta-voz Marvin Levy. "Ele disse `deixe-me fazer o filme, e então vamos mostrar o filme, e todo mundo pode achar o que quiser´."

Outro sócio envolvido na produção acrescentou: "Sabemos que haverá polêmica. Só queremos garantir que seja uma polêmica bem informada."