Notícias   terça-feira, 20 de junho de 2017

Alien: Covenant | Cinemas chineses censuram cena de beijo gay estrelada por Michael Fassbender

Cortes nos filmes realizados pelo governo são habituais no país.

Alien: Covenant | Cinemas chineses censuram cena de beijo gay estrelada por Michael Fassbender

Depois de “Logan”“Resident Evil 6: O Capítulo Final”, “Alien: Covenant” teve cenas censuradas nos cinemas chineses. Segundo o THR, o filme estreou na última sexta-feira (16/06) com mais de seis minutos a menos que a versão original. Dentre as cenas cortadas, chama atenção a ausência do beijo gay entre os ciborgues David e Walter, ambos interpretados pelo ator Michael Fassbender (“Assassin’s Creed”).

“Para as outras partes cortadas, você não consegue notar ou saber onde elas estavam, mas você consegue perceber que há algo faltando onde o beijo gay deveria estar”, disse Yu, um publicitário de Xangai que pediu para ser identificado apenas pelo sobrenome.

Embora seja praxe da China cortar violência e material ofensivo dos filmes com censura +18, não é a primeira vez que as autoridades locais retiram cenas contendo relacionamentos homossexuais. Em 2006, “O Segredo de Brokeback Mountain” teve a exibição no país. Surpreendentemente, nem mesmo a notícia de que diretor Ang Lee (“As Aventuras de Pi”) ganhou um Oscar pelo filme foi divulgada.

A China possui um órgão estatal responsável pelo controle de todo o conteúdo exibido por rádio, televisão e via internet no país. Dentro desse órgão, existe um comitê composto por cerca de 30 pessoas que analisam todos os filmes. A partir da análise desse comitê, será decidido que conteúdo deve ser restringido, retirado do filme ou banido, e isso vai desde sexo e violência até política, mas foca principalmente na forma como a China é retratada na obra.

Não é a primeira vez esse ano que o assunto causa polêmica. Um cinema americano anunciou que não exibiria “A Bela e a Fera” por conta do personagem gay interpretado por Josh Gad (“Quatro Vidas de um Cachorro”). Curiosamente, a China não só exibiu o longa sem nenhuma censura como destacou sua “tolerância” no The People’s Daily, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.

Lançado mais de um mês após a estreia mundial, um bom desempenho de “Covenant” na China pode evitar que o filme seja considerado um fracasso de bilheteria. Com um orçamento próximo dos US$ 100 milhões, o longa arrecadou um total de U$$ 213 milhões no mundo, bem distante dos US$ 400 milhões de seu predecessor “Prometheus” e dos US$ 630 milhões de “Perdido em Marte”, também dirigido por Ridley Scott.

Martinho Neto
@marnetotinho

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  • Diego Lima

    Mas se o beijo é entre dois robos isso torna gay?