O segundo dia da semana de apresentações e eventos que marcaram o 21º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema foi iniciada a mostra temática Padre Cícero, as mostras homenagens aos documentaristas Eduardo Countinho e Estela Bravo e a mostra Olhar do Ceará. A programação ficou dividida entre as cidades de Fortaleza, Cariri e Juazeiro do Norte, que terá maior envolvimento nesta edição com o tema “Religião e Religiosidade”.
Depois da abertura na quarta-feira (08), onde foi feita uma homenagem à atriz Giulia Gam (do ainda inédito “Assalto ao Banco Central”), outra importante figura do cinema nacional que tirou um tempinho para visitar a capital cearense foi o diretor Luiz Carlos Barreto, que também é um dos mais respeitados produtores de cinema do Brasil, tendo em seu currículo filmes como o clássico “Dona Flor e Seus Dois Maridos”,”Terra em Transe” e “O Quatrilho”.
Além elogiar o trabalho de seu colega Werner Schumann em “O Coro”, que abriu a mostra competitiva, Barreto falou bastante sobre as lombadas que atrasam o avanço do cinema brasileiro. Apesar de ver o crescimento da popularidade dos filmes nacionais nos últimos anos, ele lamenta pela tamanha burocracia que os cineastas precisam passar para que seus projetos sejam levados a frente. Ele ressalta até mesmo como um simples longa-metragem necessita de oito a doze mil documentos do momento em que é planejado até seu lançamento, e brinca com a situação dizendo que os cineastas de hoje mais parecem empreiteiros.
Apesar desse panorama, Barreto prevê um bom futuro para o cinema nacional, mas acredita que os bons frutos que hão de vim só poderão ser colhidos quando o cineasta puder deixar de se preocupar tanto com a burocracia para se voltar totalmente à arte.


























