Em campanha de divulgação de seu mais recente filme, “Avatar”, James Cameron esteve na China para falar sobre o longa e  não poupou a língua ao reclamar do sistema de protecionismo do mercado chinês quanto a indústria cinematográfica.

Em seu discurso, o diretor pediu para que o país abrisse as portas aos filmes estrangeiros, com base de que a decisão ajudaria a indústria cinematográfica local. “A economia chinesa se expande muito rapidamente. E eu acho que agora ela não precisa se proteger tanto”, disse Cameron. “Os cineastas chineses são muito fortes e altamente respeitados. Eu acho que, ao abrir as portas da China para outros cineastas, o país vai alavancar toda a sua própria indústria cinematográfica. As pessoas vão se animar, teremos mais cadeiras, mais cinemas, mais empolgação com a experiência de se frequentar os cinemas, que também vai aumentar a possibilidade dos cineastas chineses de exibirem seus filmes”, completou.

O governo chinês protege os filmes locais limitando o número de filmes importados em acordos de divisão de lucros em 20 títulos por ano, uma cota que limita os blockbusters de Hollywood. Essa é uma das restrições que mais incomoda as nações ocidentais, que dizem que o crescimento acelerado da China como potência comercial é em parte ajudado por suas políticas protecionistas, que aumentam a venda de bens chineses no exterior enquanto limitam as importações no seu próprio mercado.

No último dia 21, um encontro da Organização Mundial do Comércio acolheu uma moção proposta pelos EUA, que diz que a China está obstruindo o livre comércio ao forçar os fornecedores estrangeiros a distribuir filmes, discos e livros através de companhias estatais. Os grupos, como Warner Bros., Disney, Paramount, Universal e 20th Century Fox, dizem que as regras de distribuição chinesas custam dezenas de milhares de dólares anualmente em oportunidades de negócios perdidas.

As bilheterias chinesas estão crescendo rapidamente, mas ainda são relativamente pequenas se comparadas com o mercado norte-americano. Estatísticas do governo dos EUA mostram que a renda cresceu de 920 milhões de yuan (R$ 239 milhões) em 2003 para 4,3 bilhões de yuan (R$ 1,1 bilhão) em 2008 – contra os US$ 10 bilhões de arrecadação anunciados por Hollywood em 2009.