
Poucas vezes a data do Natal foi retratada de uma forma singela como em “O Expresso Polar”. Baseado no livro de Chris Van Allsburg, de 1985, o filme acompanha a aventura de um garoto que está 99% convencido de que Papai Noel não existe. Numa noite de véspera de Natal, ele é surpreendido pela visão de um enorme trem em frente a sua casa. É o tal “Expresso Polar” do título, que irá levar um grupo de crianças até o Pólo Norte para conhecer o Bom Velhinho em pessoa. Depois de uma certa dúvida, ele acaba subindo no trem. Contrastando com a neve que cai do lado de fora, dentro do expresso é quentinho e aconchegante.
Um enredo curto, simples e objetivo. A intenção do diretor Robert Zemeckis nunca foi criar uma obra de arte no enredo com este filme, e sim provar que dá para resgatar sentimentos e emoções fantásticas com o tema do Natal. Tom Hanks interpreta em forma de animação um menino que não acredita no espírito natalino, o pai dele, um condutor de locomotiva, um andarilho e o próprio Papai Noel.
“O Expresso Polar” cumpre fielmente o objetivo de ensinar e mostrar que no Natal existem coisas mais importantes que presentes e festas. Eu sou um dos que defende a idéia do Natal, não acho brega ou piegas enaltecer o espírito natalino. Não estou querendo discutir o capitalismo ou religião, mas sim dizer que a união familiar e confraternização dos bens espirituais são mais importantes do que qualquer coisa. Hoje as pessoas se preocupam mais em ganhar algo, do que estar com a sua família. Isso é algo que tem que ser mudado. Presente todo mundo gostar de ganhar e nem precisamos mudar esse costume, mas que passemos a aproveitar mais a presença dos nossos entes queridos.
A essência natalina do filme serve para todas as idades. Às vezes vemos pessoas já adultas agindo como pessoas imaturas, se importando apenas com valores materiais. São coisas tão pequenas que fazem do Natal uma data tão especial. Infelizmente o mundo capitalista fez com que a data se transformasse numa indústria que, às vezes, é melhor se colocar no lugar das crianças e imaginar que na noite de Natal, Papai Noel vai chegar e por meu presente dentro da minha meia.
A história cativa não só as crianças, mas também os adultos, que se vêem no personagem do menino e lembram-se da própria agitação e ansiedade na noite mais importante do ano. Talvez também se lembrem das primeiras dúvidas surgidas em seus jovens corações, quando perceberam que crescer significa algo de precioso e intangível para sempre, algo que não conseguem definir, mas que podem, certamente, sentir.
O próprio diretor do filme, Robert Zemeckis, que escreveu o roteiro juntamente com William Broyles Jr., reconhece: “É uma história que tem a ver com todo o mundo. Tantos de nós, sendo crianças ou adultos, já questionaram suas crenças ou passaram pelo processo de ter a fé testada e restabelecida. As crianças podem entender a história literalmente como uma viagem para encontrar Papai Noel, enquanto os mais velhos podem entendê-la como uma metáfora para idéias maiores. Ela lida com os símbolos do Natal, mas no fundo é uma história universal sobre a crença em coisas que não vemos ou compreendemos inteiramente”.
Ele conclui: “Espera-se que ao crescer não nos tornemos tão cínicos a ponto de deixar de acreditar. A idéia do Natal é de aconchego e generosidade. Papai Noel é um símbolo disso, mas você não precisa acreditar nele para ter esse sentimento”.
Papai Noel existe?
O que o Natal representa?
Pouco importa, se você está no berço de sua família e amigos.



























2 Comentários
Juras, eu concordo com a sua frase no cast da biografia de Robert Zemeckis: “Eu acredito em Expresso Polar”!
Quando assisti o filme, foi a história simples e bela que me cativou e não a nova tecnologia empregada. Claro, que a tecnologia de captação de movimentos era interessante, apesar de muitos a terem criticado, mas sem uma bela história, ela seria facilmente esquecida.
Eu aindo acredito no Espiríto de Natal, mesmo sendo esta época do ano um pouco extressante, mesmo as comemorações não tendo mais o brilho que tinham aos meus olhos, quando eu era criança. Mesmo a família se tornando menor, mesmo o consumismo estando tão presente.
Acho que talvez seja a teimosia em acreditar, que nos faça enxergar esta data por uma ótica especial. Acreditar que o bem é inerente ao humano, que a generosidade pode habitar todos os corações, até aqueles que parecem ter se brutalizados pelas amarguras do mundo.
Simplesmente acreditar que mais do que distribuir presentes, podemos estar e ser presentes da vida de quem amamos.
Acreditar que as dúvidas, seja nas nossas crenças ou até em nós mesmos, sempre vão existir, mas não irão nos paralisar.
Enfim, aprender com as crianças que a vida pode ser simples e deliciosa e que não precisamos necessariamente acreditar em Papai Noel para vermos a magia do Natal acontecer, basta apenas não ignorar a sua existência e o que ele representa!
Eu concordo totalmente com o ponto de vista do autor do texto acima e do autor de “O Expresso Polar”. Ontem a noite, assisti ao filme e emocionei-me com a história do garoto que tinha sua fé abalada e quase não acreditava mais em Papai Noel, e me fez pensar o quanto estamos destruindo a inocência das crianças de hoje e acabando com nossos próprios sonhos. Por isso, o filme nos convida a reestabelecermos o que há de melhor: olharmos para a frente, termos fé naquilo que não vemos e principalmente, acreditar. O filme mexeu tanto com meu coração, que ontem chorei e quando fui para a cama, percebi que minha fé em Deus estava mais forte do que nunca. Até senti a presença Dele no meu quarto. Foi tão emocionante e pude perceber que sou um dos poucos adolescentes de 17 anos que ainda tem o Espirito de Natal no coração. Por mais incrivel que pareça e inacreditável, antes de dormir, ouvi barulhos de guizos na minha janela, e não era um sonho, só sei que era o sinal de que eu devo continar no caminho em que estou. Deus continuará comigo e convido você que está lendo esse texto a assistir ao “Expresso Polar” e sentir o mesmo que eu e poder, antes do Natal, recuperar sua crença.
De um amigo,
Eliseu.