
O cinema nacional amanheceu esta sexta-feira, 20, trajando luto. Durante a madrugada, partiu do nosso convívio um dos grandes nomes do cinema nacional e também do mercado de dublagens: Herbert Richers. O produtor cinematográfico já estava internado no Centro de Tratamento Intensivo da Clínica São Vicente no bairro da Gávea, na capital fluminense.
O homem que se tornou conhecido do grande público, devido a frase “versão brasileira Herbert Richers” já estava se tratando de problemas renais que o acometeu há cerca de um ano. O corpo foi velado entre as 2 e 4 da tarde desta sexta-feira na capela 1 do cemitério Memorial do Carmo, na Zona Portuária do Rio de Janeiro e cremado logo em seguida em uma cerimônia restrita aos familiares, pessoas próximas do produtor e funcionários da sua empresa de dublagens.
Herbert Richers foi um produtor brasileiro, nascido Araraquara, São Paulo. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942 para trabalhar em um laboratório cinematográfico que pertencia a seu tio. Oito anos depois, nascia a Herbert Richers S.A. A primeira produção do grupo foi um jornal cinematográfico (ainda comum na época) que em apenas seis meses chegou a ser distribuído e exibido em mais de 2 mil salas em todo o país.
A realização das chanchadas foi o próximo passo dado da Herbert Richers S.A. no caminho que a levaria rumo ao posto de maior empresa de dublagem do Brasil. “Sai de Baixo”, “Metido a Bacana”, “Com Água na Boca”, “Sherlock de Araque”, “Massagista de Madame” e “Hoje o Galo Sou Eu” são alguns exemplos de filmes e séries nacionais produzidos pelos estúdios de Richers que se tornaram um sucesso. Como na época não havia som direto e grande parte das cenas eram gravadas em externa, as chanchadas precisavam ser dubladas novamente após a filmagem. Isso possibilitava, inclusive, substituir a voz de um ator por outra.
Essa rotina garantiu toda a experiência que a empresa precisava para, dez anos depois, dar início oficialmente à dublagem brasileira. No entanto, o fato só se concretizou porque anos antes (década de 40), em visita ao Brasil, o próprio Walt Disney deu início a uma amizade que duraria décadas. Em 1960, foi a vez do brasileiro Herbert Richers retribuir a visita aos estúdios Disney que sugeriu que Richers desenvolvesse a dublagem da série “Zorro”, já que a tecnologia não favorecia as legendas que nos monitores preto e branco dificultavam a leitura. Richers não só comprou a ideia, como a partir daí assumiu em contrato exclusivo a dublagem e a distribuição brasileira das séries produzidas pelo estúdio americano. Os contratos com outras grandes produtoras como a Universal e a Warner foram consequências do pioneirismo e excelência do trabalho brasileiro.
Entre as séries que levam a marca Herbert Richers podemos citar “Thundercats”, “He-Man”, “Primo Cruzado”, “Carrossel”, “Capitão Planeta”, “Família Dinossauros”, “Digimon”, “Power Rangers”, “Profissão: Perigo” e os mais recentes “Kenan e Kel”, “Rebelde” e “A Feia Mais Bela”. Além disso, foi responsável pela produção do primeiro seriado da TV Globo “Rio, Cidade Aberta”, em 1965. Vale lembrar que a Herbert Richers S.A. também produziu grandes sucessos do cinema novo, entre eles “O Assalto ao Trem Pagador”, “Vidas Secas”, “Bonitinha, mas Ordinária”, “Pão de Açúcar”, “Selva Trágica” e “Asfalto Selvagem”. No mercado cinematográfico, atualmente, são mais de 150 horas de filmes dubladas todo mês, correspondendo a 70% dos filmes exibidos em salas nacionais.
Confira agora dois vídeos exclusivos que contam um pouco da história desse grande produtor e visionário que se confunde com a história do cinema e da dublagem nacionais, com direito a entrevista com Herbert Richers em pessoa. Os vídeos são produzidos, editados e narrados pelo dublador Ricardo Juarez, a voz de Johnny Bravo no Brasil:


























