Quem foi criança no final da década de 1980 e no começo dos anos 1990 conheceu muito bem a experiência de sentar em frente à telinha para acompanhar a série animada “clássica” das Tartarugas Ninja, que foi produzida de 1987 a 1996.
Os heróis de casco daquela animação matutina americanas eram tranquilos e bem-humorados, quase ingênuos até, com personalidades simples, mas diferentes entre si e um apetite insaciável por pizza. Os vilões Destruidor e Krang, bem como seus assistentes Bebop e Rocksteady eram tão bobos, que podíamos jurar que eles queriam perder suas batalhas contra os mocinhos.
O próprio visual berrante já anunciava para quem o público torceria. Era normal, por vezes, os heróis pararem tudo para baterem um papinho com os espectadores, em uma quebra da quarta parede que seria inaceitável hoje. Sim, pois a infância atualmente é bem mais madura que a da geração da “década perdida”.
Influenciados pelas animações japonesas, os heróis são psicologicamente mais desenvolvidos e complexos, envolvidos em tramas repletas de dramas, desafios e cronologia. Diversas séries aboliram o tal botão reset no final dos capítulos, havendo realmente um desenvolvimento dos personagens, uma evolução destes. Boa parte da ingenuidade e do bom humor se perdeu.
Um reflexo dos tempos que chegou às Tartarugas Ninja, na série animada do grupo de 2003 que, inclusive, gerou um bom filme em animação computadorizada em 2007. Mas o que aconteceria em um encontro entre as versões desses heróis do passado e do presente, mantendo, cada um, suas personalidades, visuais e idiossincrasias? Será que tal empreitada agradaria aos fãs de ambas as gerações?
Pois tal evento realmente ocorreu, no especial “Turtles Forever“, longa animado exibido pelo canal de TV norte-americano CW em comemoração aos 25 anos da franquia. Na aventura, as duas equipes de Tartarugas, a da série de 1987 e a de 2003 enfrentavam seus vilões clássicos enquanto se espantavam por suas diferenças e similaridades. As atitudes de uma versão chegavam a chocar a outra por vezes em um contraste repleto de significado, afinal são duas eras que se cruzam.

A trama começa no universo das Tartarugas do século XXI, quando as Tartarugas oitentistas são flagradas por câmeras de TV enquanto enfrentam a gangue dos Dragões Púrpuras. Capturados pelos vilões, são resgatados por suas contrapartes atuais, que logo descobrem que os outros verdinhos são alegres, aparecidos e famintos demais para o gosto deles, principalmente para o mal-humorado Raphael. Mas Michelangelo adora a idéia de ter irmãos com um senso de humor tão maluco quanto o seu.
As Tartarugas clássicas foram parar no universo das atuais por conta de uma explosão que ocorreu enquanto enfrentavam Krang e o Destruidor. Os vilões, aliás, logo se animam em tentar um trabalho em equipe com suas versões mais ameaçadoras. Rapidamente, o Destruidor do século XXI, um amálgama entre o alienígena e o ninja de armadura, se prova incontrolável demais, assumindo o controle de toda a operação ao lado de sua filha, Karai.
Vendo uma oportunidade para dominar o multiverso, o megalomaníaco ser parte para a conquista, não sem antes pôr em prática um plano para destruir as Tartarugas Ninja de todos os universos. Durante a trama, diversos easter-eggs são mostrados para o público, fazendo a alegria dos fãs.
No entanto, aqueles que têm pouca familiaridade com os personagens criados por Peter Laird e Kevin Eastman podem se achar um tanto quanto perdidos, principalmente quando se fala das diversas ressurreições do Destruidor, uma constante na franquia. Fica claro que o roteiro da produção foi direcionado para os fãs dos heróis, contando com alguns detalhes nerds que remetem diretamente ao crossover “Crise Nas Infinitas Terras”, graphic novel estrelada pelos heróis da DC Comics nos anos 1980.
O mais divertido, no entanto, são as diferenças entre os dois quartetos. As constantes são que Leonardo é o líder, Michelangelo é o engraçado, Donatello é o gênio e Raphael o guerreiro, mas as épocas acabam diferenciando as caracterizações entre essas gerações. Ora, nos anos 1980 estava em moda a ciência maluca. Não se precisava de muita lógica para que Donatello criasse qualquer invenção doida, explicando porque o gênio quelônio do século XXI quase surta com a engenharia de sua contraparte.
Por falar em surto, o pobre Raphael do século XXI, sério e durão, se vê enlouquecido por aqueles colegas alegres e um tanto bobos. Uma piada recorrente é quando as tartarugas oitentistas falam com o espectador, espantando todos os personagens da série mais recentes que simplesmente não entendem com quem raios eles estão falando, gerando uma ótima cena com o vilão Han.
Outro detalhe interessante é a diferença no papel feminino nas duas séries. A versão oitentista de April O’Neil era uma jornalista linda em um macacão amarelo e sempre a donzela em perigo que, apesar de ser visualmente sensual, era extremamente assexuada em comportamento. Já versão mais recente da personagem é uma garota durona que engatou um romance com o vigilante amigo Casey Jones.
A animação, vide que se trata de um longa para a TV, não é lá tão caprichada, mas não incomoda. O visual predominante é o da série dos heróis de 2003, mas foram respeitados os traços do desenho dos anos 1980 para aquela versão das Tartarugas e na visita ao universo destas. Vale destacar o traço estilizado aplicado na visita a um terceiro universo, bem mais sombrio e o qual prefiro não revelar aqui, mas que chega a lembrar o trabalho de Frank Miller em “Sin City” por alguns momentos.
No frigir dos ovos (ou no assar da pizza), “Turtles Forever” é uma verdadeira festa para aqueles na geração 1980 e que passaram suas infâncias vendo as Tartarugas lutarem com o Destruidor nas manhãs no finalzinho da “TV Colosso” e para a garotada de hoje em dia que assiste à versão mais nova da franquia. A fita pode não ser um espetáculo visual, mas é uma homenagem a altura para esses heróis, que completam um quarto de século desde sua criação. SANTA TARTARUGA!



























9 Comentários
Com certeza isso é que era desenho,fez parte da minha infância se tiver o DVD ou Bluray das Tartarugas eu vou comprar,e seria bom se passase de novo na Record,parabéns Siqueira pela postagem.
É a minha infância =)
Realmente Tartarugas ninjas são um marco na infancia de todos…
sempre gostei…
vejo até hoje quando posso é claro
vlwss
fala sério siqueira!!! prefiro mil vezes as tartarugas versão 80 eram muito mais carismáticas, engraçadas e simpáticas e pelo menos eram bem desenhadas e não quadradas acho esse novo desenho ruim demais e o filme foi fraquissimo não pegou aquele espirito Cawabamgaaaaa!!!! pra min tartarugas morreu ali…
Meo tartaruga quadrada e com cara de má não vira…
mil vezes as da década de 80 ;D
Rapaziada, eu surtava geral qdo ia assistir o filme das tartarugas, principalmente qdo saiu o primeiro, q eu me lembro bem onde fui ve-lo, foi no cineespacial(na São João), q depois virou bingo. Ôh época linda q foi aquela. E tenho certeza q pra todos q viveram a infância nesse tempo tb. Sobre o desenho, eu curto um lance mais moderno, sou d acordo com as mudanças, o unico problema ao meu modo de ver, é q o atual, tem roteiro fraco(típico da maioria dos cartoons atuais norte-americanos), e a sequência de ação, a animação em geral, é boba(pra não dizer tosca), pudera os japas comprarem os direitos autorais, como o fazem os norte-americanos com alguns animês por aí, e refaze-las(as tartarugas), ao modo deles(animes japoneses), tenho certeza q ia ficar muito bão no formato japonês, inclusive no enredo.
Legal!!!!
É importante deixar claro que a animação de 2007 nada tem a ver com a série de 2003, mas sim com os filmes “live-action”, de 1990-1993.
Deu uma saudade desse tempo!