- Gênero:
- Ação
- Duração:
- 131min
- Origem:
- EUA - Reino Unido
- Estréia:
- EUA-Brasil - 14 de maio de 2010
- Estúdio:
- Paramount Pictures
- Direção:
- Ridley Scott
- Roteiro:
- Brian Helgeland
- Produção:
- Russell Crowe, Brian Grazer, Ridley Scott
- Classificação:
- 12 anos
O destemido arqueiro Robin Hood (Russell Crowe) e seu bando de saqueadores eram ladrões que se preocupavam somente com suas próprias vidas. Até que decidem enfrentar o poder e a corrupção que tomou conta da cidade de Nottingham, sufocada pelos altos impostos e dominada pelo xerife local (Matthew Macfadyen). Em sua luta contra os poderosos e a favor dos oprimidos, Robin passa a ser considerado um fora da lei e, durante sua cruzada, acaba conhecendo e se apaixonando por Lady Marian (Cate Blanchett).



















































































2 Comentários
Ridley Scott restabelece a lenda de Robin Hood retirando o folclore e dando um tom mais documental ao fora-da-lei. O resultado final é positivo.
Toda criança cresce. Infelizmente (ou não) para os pais, elas amadurecem e partem para uma vida onde nem tudo mais pertence a um mundo mágico. “Robin Hood” foi assim, depois de inúmeras obras folclóricas, canções, peças teatrais, desenhos animados, jogos e até arma religiosa e política ele ganha graças a seu diretor Ridley Scott uma injeção de maturidade, trazendo a lenda de Robin Hood o mais próximo da realidade. Algo muito mais verossímil, em função dos preceitos que a sociedade inglesa vivia naquela época.
As roupas mudaram, as ambições também, o legado imposto a Robin Hood de lenda parece inverossímil. O maior acerto de “Robin Hood” também é seu maior erro. É muito complicado tirar algo já estabelecido e dizer que nada daquilo é verdade, Ridley Scott (como sempre) se arrisca ao mexer com uma estória que mais se aproxima de uma fábula. A datagem então é fácil: Quem é fã da lenda Robin Hood se decepcionará e os não fãs irão curtir uma boa aula de história tangenciando com uma dose de entretenimento.
A idéia central de Ridley Scott foi em se amarrar em eventos históricos, assim como em “Gladiador” onde os últimos dias de Marcus Aurélio foram tratados cuidadosamente, aqui Ridley vai além, estudando e nos dando uma verdadeira aula sobre a política e economia da Inglaterra naquela época. O diretor se preocupa em explicar porque o reino inglês estava uma baderna total, explica o volátil governo de Nottigham, tudo isso enquanto o rei Ricardo está a mais de uma década na Terra Sagrada. Hilário que “Robin Hood” já foi apontado como continuação de “Gladiador”, mas seria mais verossímil tratá-lo como uma continuação de “Cruzadas”, obviamente cronológica.
Robin Longstride (Russel Crowe) é um homem honesto, direito e um servo fiel de seu do Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston), mas que já está cansado de ser membro do exército e de uma guerra interminável. Depois da morte de Rei Ricardo, Robin e seus novos companheiros, João Pequeno (Kevin Durand), Will Escarlate (Scott Grimes) e Allan A’Dayle (Alan Doyle) resolvem sair da batalha. Em meio a esta trajetória eles acabam encontrando os restos da emboscada que sofreram os nobres, que levavam a coroa do falecido rei, caravana liderada pelo cavaleiro Robert Loxley.
Robin toma uma atitude inusitada e arriscada: Ele assumiu a identidade de Loxley e traz a coroa de volta ao reino, que seria passada para João (Oscar Isaac), um fraco governante que tem como parceiro Godfrey (Mark Strong), tudo isso em meio a uma Inglaterra falida, a beira de uma guerra civil e manipulado pelos impostos estrondosos cobrados pelo Rei Felipe da França.
Robin decide partir para o Norte, se deparando na cidade de Nottingham. Lá ele conhece Marion (Cate Blanchett) esposa do falecido Robert. O pai de Robert, Sir Walter (Max Von Sydow) morre e pede para que Robin continue com sua falsa identidade e que com isso mantenha a salvo as terras da família Loxley. Tudo isso somado a uma iminente invasão francesa a Inglaterra.
A parceria entre Ridley Scott e Russel Crowe vem desde o sucesso “Gladiador” passando por “Um Bom Ano”, “O Gangster” e “Rede de Mentiras”, ou seja depois da estória de Maximus, Scott continuou com seu trabalho com Crowe, mas longe de ter o mesmo êxito já obtido. Aqui principalmente o personagem de Russel Crowe hilariamente é mal trabalhado, apesar de levar o nome do filme em suas costas Robin Hood é um personagem sem carisma e sem espírito de liderança, não digo que seja culpa de Crowe, foi mais um erro conjunto da dupla Rid/Rus. Assim como seu parceiro, Cate Blanchett também esta nas peles de uma personagem fraca. Uma das melhores atrizes da atualidade é praticamente desperdiçada tendo diálogos pífios e não demonstrando nenhuma química com Russel Crowe. Compensando o fraco desenvolvimento do elenco principal temos boas apresentações, Mark Strong, Kevin Durand, Oscar Isaac e Max von Sydow conseguem tirar o clima tenso trazendo bons momentos.
Tecnicamente o filme é impecável, apesar de a trilha sonora sumir e ser totalmente esquecida, é impossível não louvar a excelente direção de arte imposta por Ridley Scott, a fotografia elaborada por John Mathieson, mesclando a paisagem já deslumbrante com um tom meio acinzentado, característico de seus trabalhos. A edição também é perfeita, com um primor nas filmagens, Ridley Scott é mais um dos guerreiros e nos coloca dentro das batalhas, algo que poucos diretores conseguem fazer. O roteiro tem lá seus deslizes, mas no geral é mediano.
Vale a pena ser destacado que aqui Robin Hood não é a lenda que conhecemos. Tanto que o filme nem era pra ter a grife do encapuzado, mas por pressões da produtora e até mesmo de Crowe foi escolhido contar o começo da história do fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Nos é explicado como o personagem revoltado de Robin foi se transformando ao ponto de virar esse herói mítico inglês, o nome mais acessível seria um “Robin Hood Begins” prefiro descrever o filme como um começo, detalhe, um ótimo começo.
Vale a pena por uma técnica perfeita e por uma mescla de história/entretenimento. O roteiro falho e um elenco pouco inspirado atrapalham até certo ponto, mas nada que tire os méritos de Ridley Scott em sua nova produção.
Nota: 7,5
O mito de Robin Hood possui uma larguíssima fortuna cinematográfica que podemos radicar no veículo concebido para as acrobacias atléticas do grande Douglas Fairbanks, realizado por Allan Dwan, em 1922, no qual se figurava uma longa seqüência de um torneio medieval incontornável como gênero, a preceder a partida de Ricardo Coração de Leão para as cruzadas. No entanto, o filme que constitui a matriz para quase todas as variações modernas é a obra-prima da Warner Bros, “As Aventuras de Robin Hood” (Michael Curtiz, 1938), em que, num glorioso tecnicolor, se cunhavam as características fundamentais das histórias da Floresta de Sherwood: o carisma aventuroso romântico do herói (genial Errol Flynn), as flechadas certeiras em alvos de cartão e inimigos, uma Lady Marian angelical confiada a Olívia de Havilland, um trio inesquecível de vilões, progressivamente tragicômicos, um Rei Ricardo idealizado, um Frei Tuck glutão e belicoso e, sobretudo, uma ligação direta ao imaginário oitocentista, desde o romance histórico de Walter Scott na Idade Média, herdeira das baladas medievais. Todas as versões posteriores, com a possível exceção de “A Flecha e a Rosa” (Richard Lester, 1976, com Robin e Marian envelhecidos e decadentes), partilhavam desta concepção global, mais lendária do que histórica, feita de reconhecíveis fugas, lutas, amorosos encontros e desencontros. Esta introdução torna-se fulcral, porque a recente versão de Ridley Scott, revisionista como chamarão alguns, opta por uma perspectiva totalmente diferente: em vez do regresso de Ricardo, a apaziguar os confrontos entre normandos e saxões ou da recuperação do Estatuto perdido de Robin of Loxley rumo à felicidade eterna dos amantes, partimos da morte do rei, parecemos estar mais próximos da “verdade histórica” com a tentativa da instauração da Magna Carta, e o filme acaba (preparação para novo episódio), depois de mais de duas horas de movimentada ação, onde deveria começar a lenda de Sherwood. Robin (Longstride – seu sobrenome) é filho de um pedreiro, fazendo-se passar por nobre e aproximando-se do velho “Sir” Walter Loxley (o indestrutível Max Von Sydow), Marian (Cate Blanchett de novo em territórios históricos, depois de Isabel I) é uma desmazelada e voluntariosa viúva do verdadeiro Robert Loxley, empenhada em sobreviver das suas terras em tempo de crise, Eleanor de Aquitânia tem um papel ativo na ação, a Inglaterra está ameaçada por uma invasão francesa, o vilão principal, Godfrey (um façanhudo Mark Strong) não faz parte do cânone aventuroso tradicional, João Pequeno e Will Scarlett apenas aparecem como companheiros de cruzadas, o Xerife de Nottingham possui um papel lateral, e Frei Tuck cria abelhas e fabrica hidromel. Dito isto, e apesar da fotografia soturna de John Mathieson, nos costumeiros “tons de caca, tremoço e vomitado” a forçar uma nota “realista” e feiosa, não se pense que “Robin Hood” não exibe emoção a rodos e façanhas aventurosas para todos os gostos: batalhas, emboscadas, duelos à espadeirada, chuvas de setas, assaltos a castelos medievais, estranhas invasões de praias desertas, com proezas subaquáticas. E neste amálgama de condimentos, filmados “à la Ridley Scott”, ou seja cruzando efeitos publicitários, estratégias televisivas, planos de grua vertiginosos ou câmaras lentas (felizmente poucas), reside a imagem de marca do filme e a sua principal limitação: ao querer trazer à liça a memória de um certo cinema recente – de “Braveheart” a “Gladiador” ou “Rob Roy” -, Scott joga com a histeria da câmara, a fim de compensar a ausência da espessura mítica, que fez de Errol Flynn “o Robin Hood” cinematográfico por excelência. Nota: 6,0