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NA TEIA DO ARANHA
Por Raphael Santos

 

Ao longo de sua jornada pelos quadrinhos e séries de TV Homem-Aranha enfrentou muitos inimigos. Alguns, como de costume no mundo das HQ’s iam, voltavam, iam de novo, voltavam mais fortes, e outros as vezes retornavam aliados a novos vilões ou vilões que já tinham ido e voltado várias vezes. Deu pra perceber a confusão? Pois é assim a vida do Cabeça de Teia. Entretanto, nos filmes só alguns apareceram e travaram batalha com o nosso herói.

Um duende incomoda muita gente, dois duendes...

Para se ter idéia de quantos filmes podemos fazer só sobre o Aranha contra um vilão seu, cito Duende Verde. Nada mais do que quatro Duendes Verdes travaram luta com o Aranha, isso sem falar do outro Duende, o Macabro. O pioneiro da família Duende nós conhecemos muito bem pelo primeiro filme; Norman Osborn é o nome da fera, que deixou como herança essa mania de vilonice esverdeada para seu filho, Harry Osborn. Como se não bastasse, a terceira linhagem do vilão é atribuída a Bart Hamilton e, para finalizar, o último Duende é uma criação de laboratório feita por Norman com a ajuda do Mueller Angst (também cientista), quando ainda atuava de vilão.

Por sorte de Peter Parker, os roteiristas resolveram colocar até agora somente a saga do Duende Verde/Norman Osborn e apenas introduzir a utilização de Duende Verde/Harry Osborn para o terceiro filme. Mas mesmo assim o cara deu trabalho. Enquanto Peter apenas adestrava seus poderes de Aranha, o Duende já vinha infernizando-o. Tentou, inclusive, leva-lo para o “lado negro da força”, mas não foi bem sucedido. Para a infelicidade da Tia May, Norman acabou descobrindo a identidade do Homem-Aranha, e atacou a gloriosa Tia May com gosto de gás.

Com a morte de Norman Osborn, já é dado início ao segundo Duende Verde. Apesar do Aranha não ter sido o autor direto da morte de Norman, o revoltadinho Harry Osborn jurou a vida do Aracnídeo. Além dessa sede de vingança, Norman ainda faz o favor de equipar seu filho com os apetrechos que usava para fazer maldades por Nova Iorque (como podemos ver ao final do segundo filme).

 

 

Sem dúvidas alguma o Duende Verde/Harry foi o que mais curti dessa chata gangue esverdeada. O bom de Harry é que, além de já estar sendo movido por vingança, sua raiva aumentou quando descobriu a identidade do “assassino” de seu pai, o grande amigo Peter Parker. Daí formou-se a personalidade agressiva do vilão, enquanto que com Norman essa personalidade era uma sede de poder e a tal da Fórmula-Duende que muito aperreava sua mente.

Nos quadrinhos (e ainda não abordado nos filmes), Harry buscou ajuda psiquiátrica de Bart Hamilton. E aí é de onde vem o terceiro Duende Verde. Pasmem! Bart Hamilton é a identidade de Duende Verde 3, se transformando nesse vilão depois de captar horas e horas de consultas com Harry. Sem dúvidas, nos quadrinhos, foi o mais fraquinho de todos. Morreu em um plano arquitetado por ele mesmo para matar o Homem-Aranha e o Duende Verde/Harry. Mas voltando ao Harry... Pois bem, ele fez as consultas, resolveu largar essa profissão de vilão, mas não resistiu muito tempo. E eis que o momento no qual até hoje vibro quando leio, a volta de Harry como Duende Verde. Nessa triunfal volta ele simplesmente experimentou uma Fórmula-Duende e tornou-se a fúria em pessoa.

A morte do segundo Duende Verde é algo que recomendo todos a lerem, pois, sem dúvidas é marcante. Mesmo estando do outro lado da história, pouco antes de morrer Harry salva o Aranha que estava em apuros e acaba dando uma amostra da enorme amizade entre Peter Parker e Harry Osborn – essa amizade podemos ver abordada nos dois primeiros filmes da série.

Para terminar, teve, como dito antes, o Duende Verde que foi criação de laboratório. É outra passagem ruim da saga do Aranha, mas mesmo assim ainda é melhor do que o Duende Verde/Bart “Bobão” Hamilton ou pelo menos ele não morre com o plano dele mesmo. Ah, também gostaria muito de falar do Duende Macabro, mas como as histórias dos filmes estão longe de chegar em um dos mais interessantes vilões do Aranha, não caberia, mas, se possível, leiam Amazing Spider-Man Vol. 1 a partir do número 236.

 

Braços... muitos braços!

A riqueza de histórias que possam surgir de uma saga contendo como vilão o Doutor Octopus é inegável. Não é à toa que ele foi o vilão no segundo filme. Filmes este que evoluiu bastante perante o primeiro. Pena que, nos quadrinhos, vê-se um pouco de desleixo com o personagem, que, mesmo tendo passagens primorosas, foi vitima de péssimos roteiristas de HQ’s.

No filme, Otto Octavius é um brilhante cientista que pretende gerar uma espetacular fonte de energia usando um raro elemento. Suas pesquisas estão sendo patrocinadas por Harry Osborn e, é por intermédio do mesmo, que Peter Parker é apresentado a Octavius, enquanto Peter passava por um dilema em sua vida: ser ou não ser herói. Como a vida não para, na faculdade uma de suas cadeiras acadêmicas exigia um trabalho de final de curso e Parker escrevia sobre a pesquisa de Octavius. Quando apresentados, Peter rapidamente conquista Octavius como amigo dando demonstrações de grande inteligência.

 

 

No dia da apresentação de sua pesquisa, Octavius perde o controle do elemento gerador de energia e o equipamento de manipulação acaba sendo danificado. Que equipamento é esse? Nada mais, amigos, do que quatro braços mecânicos ligados à espinha de Octavius e manipulados pela mente. No topo do mecanismo a um inibidor para que ele controle os braços e para que os braços não tenham vontade própria, porém, na confusão ocorrida na apresentação esse inibidor é quebrado. Octavius passa a ser Octopus: um vilão ganancioso, mas ainda com um pouco de humanidade.

Nos quadrinhos esse mecanismo de braços mecânicos é comandado por uma placa cheia de controles posta no peito de Octavius. Apesar dessa pequena diferença, tal como no filme é também uma explosão que os braços assumem o controle mental de Octavius. Pode-se ler essa saga logo nos primeiros números da série de quadrinhos Amazing Spider-Man Vol. 1.

Evite, porém, ter acesso aos números que começam a partir do 405, pois em meio a vários clones criados de Peter Parker (isso mesmo, clones) o segundo Doutor Octopus aparece. Na verdade é uma Doutora Octopus, chamada de Carolyn Trainer. Mas não vemos entrar em detalhes da bizarra história. A intenção aqui era falar de Otto Octavius e seus bracinhos atrevidos.

 

"Spiiiidey... onde está você?”

- Quem sou eu?! Eu sou o Homem-Aranha! Não, não... eu sou o Venom. Ou melhor, o Homem-Aranha. Quero dizer... VENOM. Nããão! ARANHA! Tá, me explica melhor então.

Um dos vilões que serão abordados no terceiro filme do Aranha, é sem dúvidas o mais popular vilão do Cabeça de Teia. O nome da fera? Venom! Inclusive, pergunte ao próprio Peter Parker quem ele acha o mais chato. Venom é, na verdade, um simbionte alienígena que muitos nerds gostariam de ter sido vítima. De início o simbionte se alojou no uniforme do Aranha, dando-lhe poderes inimagináveis e liberando o lado cruel de Peter Parker. Todavia, foi no corpo de Eddie Brock que o simbionte veio à forra.

 

 

Desiludido com a vida por ter sido dispensado do Clarim Diário e culpando Parker pela demissão, Eddie foi o alojamento perfeito para as atrocidades do simbionte que deu origem a Venom. Rejeitado por Peter, o simbionte corre para Eddie que simplesmente rezava por seus pecados em uma igreja. Igreja essa que tinha sido local da rejeição do simbionte alienígena por Parker. Ao contrário do seu ex-companheiro de trabalho, Eddie aceitou de muito bom grado os novos poderes e deu origem ao famoso Venom.

Venom fez sucesso no Universo Marvel. Ganhou números de HQ’s próprios e séries de bonecos comprados aos montes pelos fãs. Mas nem sempre Venom apareceu como vilão no Universo Marvel, pois teve também seus momentos de herói, ou melhor, anti-herói. Venom é, sem dúvidas, o vilão mais bem explorado do Aranha.

É muito plausível a presença do simbionte alienígena que dá origem a Venom no terceiro filme da série levando-se em conta que o "ex-namorado" da Mary Janne era um militar que estava se preparando para viajar para o espaço durante o segundo filme e isso me leva a acreditar que o simbionte de alguma forma retorne na nave nessa missão.

 

É muita areia!

Dos vilões mais modestos do Spidey, acho a origem do Homem-Areia uma das melhores, ficando atrás só mesmo da origem do Carnificina, um chato vilão que surgiu a partir do Venom. Apesar de simples, gosto muito.

Flint Marko era um presidiário barra pesadíssima, até sendo um dos bandidos mais procurados pelo FBI. Marko foi preso bestamente enquanto assaltava um banco (dentre os milhares assaltos de bancos no Universo Marvel), depois de muito ter fugido, inclusive indo para na Polinésia, a fim de se esconder. Como não poderia se esperar outra coisa de um grande bandido, Marko fugiu da cadeia e trocou de nome com seu ex-companheiro de sela. Ele passou a se chamar William Baker.

O interessante não é nem isso, mas sim como ele fugiu. Seu companheiro de sela morreu e ele se colocou no lugar dele (por isso a mudança de nome). Quando foram dar fim ao corpo, na verdade era o alter-ego do Homem-Areia que ali estava. Ele simplesmente nadou, nadou e nadou até chegar a uma ilha onde, pra variar, testes nucleares eram feitos. Enquanto andava desnorteado pela areia, acabou sendo atingido por uma das comuns explosões nucleares do Universo Marvel. Ele morreu, certo? Nada disso, na verdade, ele foi fundido à areia e acabou ganhando atributos da mesma. Além disso, também obteve superforça (como de costume) e suas qualidades de areia faziam com que ele se moldasse a qualquer coisa.

 

 

O Homem-Areia nem sempre foi vilão. Ele também participou de boas ações, mas o mundo do crime o cativava bem mais. Enquanto atuava do lado dos mocinhos, o Homem-Areia, inclusive, foi membro dos Vingadores (um grupo de super-heróis, também citado na seção “Saiba Mais”). Entretanto, foi quando o Sexteto Sinistro organizou um plano para dar fim ao Doutor Octopus, que ele voltou para o mundo da bandida, já que o Sexteto Sinistro não era lá nenhuma flor que se cheirasse.

No filme terceiro filme fala-se que esse vilão será acusado de ter matado o Tio Ben, mas alguma coisa terá que ser bem explicada para isso acontecer. Se conseguirem uma boa explicação, principalmente do porque do mal entendido (e eu espero que seja um mal entendido) com certeza será uma ótima maneira de incluir o Areia na história.

De fato, muitos são os vilões que assombram a vida de Peter Parker e seu alter-ego. Sem dúvidas, dezenas de filmes poderiam ser feitos com a franquia dos quadrinhos de Homem-Aranha, afinal os vilões abordados nesse especial compõem uma pequenina fração do tanto de vilões que podemos ver ao longo dos vários quadrinhos do herói nova-iorquino. Além do mais, um só vilão poderia ser assunto para essas dezenas de filmes, tendo em vista que eles aparecem e desaparecem, mudam de lado, morrem, mas acabam voltando com outra identidade e assim vai seguindo a confusão prazerosa demais do Universo Marvel.