Avaliação: 7

A começar por Chris Columbus, cineasta que assumiu a responsabilidade de dirigir os dois primeiros filmes da bilionária franquia de livros Harry Potter. O resultado é a adaptação pela adaptação, sem maiores questionamentos; a fantasia pela fantasia, a aventura pela aventura, o deslumbramento provocado pelos efeitos especiais. Um cinema colorido, ágil e vazio como Columbus demonstrara que sabia fazer muito bem uma década antes, em exemplares de sucesso como "Esqueceram de Mim" (1990) e "Uma Babá Quase Perfeita" (1993).

Estas marcas, na verdade, não são tão particulares deste cineasta, mas de toda uma geração influenciada pelo ingênuo e alienador cinema oitentista, que pregava apenas o efeito, sem dedicar atenção especial aos métodos. Desta forma, Columbus revela-se nada além do que um talentoso operário do cinema escapista, um herdeiro do cinema que Steven Spielberg ditou, impulsionando uma série de filmes divertidos, mas sem qualquer conteúdo. Esta vertente não deve ser condenada, mas torna-se motivo de preocupação quando predominante.

Em "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", o personagem-título é um bruxo adolescente prestes a iniciar o sexto ano da escola de magia. Flagrado pelo diretor da escola em uma lanchonete londrina (os bruxos devem evitar a exposição às pessoas comuns), o menino confessa o seu prazer por andar incógnito pelos metrôs da cidade. Um dos maiores destaques deste filme é a forma inédita como, dentro da série, mostra a capital britânica de maneira realista, tornando o imaginário da saga indiscutivelmente mais verossímil. Em um filme de fantasia, este detalhe pode ser considerado apenas um capricho desnecessário, mas revela o avanço da maturidade da série, pois é preciso considerar que, assim como os personagens, os leitores e espectadores estão crescendo. Seria pouco ambicioso evitar a evolução e limitar-se aos protótipos estabelecidos nos episódios anteriores.

Os personagens, como fora dito, não ficaram de fora deste processo de evolução. Draco Malfoy, representado por Tom Felton, deixou de ser um menininho implicante e careteiro e tornou-se muito mais interessante, angustiado e perturbado pela tarefa da qual foi incumbido, parecendo finalmente adequado a uma trama que envolve traição e morte. Belatriz Lestrange, interpretada por Helena Bonham Carter, permanece caricata, mas é absolvida pela insanidade (?) de sua personagem.

Também faz parte do pacote adulto de "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" uma abordagem sombria, pessimista e sequências menos agitadas, que respeitam o bom desenvolvimento das cenas; bem como a sempre presente tensão sexual e até mesmo promiscuidade entre os jovens personagens, mas nada que apavore os vigilantes da moral: tudo é muito bem disfarçado e inofensivo.

Bem-vindo na saga, sem suas particularidades "O Enigma do Príncipe" correria o risco de se tornar uma mera curiosidade, mais um exercício de nostalgia adulta e perderia sua pertinência, esta que é uma característica típica de filmes atemporais, que se preocupam mais com o conteúdo do que com a forma.