Avaliação: 2

Há duas semanas, acompanhamos um fenômeno interessante com uma franquia hollywoodiana. “Velozes e Furiosos 4” conseguiu trazer de volta o seu elenco original e retomou, mesmo com um gosto duvidoso, a série de filmes de ação, depois de duas produções totalmente perdidas. E é exatamente por essa perdição que passa “Anjos da Noite”. Como Kate Beckinsale deve ter negado o pedido para atuar mais uma vez, os produtores devem ter se visto em uma encruzilhada e correram para inventar uma história qualquer, tanto que ela nunca parece convincente. Para não soar no mínimo ridículo e não terem que justificar a ausência de Beckinsale, eles resolveram explicar como surgiu a rivalidade entre essas duas criaturas mitológicas. No entanto, tudo fracassou.

Na trama, somos apresentados a Lucian (Michael Sheen), o primeiro Lycan com capacidade de se transformar em homem. Nascido na casa de Viktor (Bill Nighy), o vampiro-chefe, Lucian é escravizado apesar de possuir a sua confiança. Ele é responsável por abater todos os lobisomens que cercam a muralha e que ameaçam a vida dos habitantes da mansão e também por criar uma linhagem de escravos semelhante a sua através de seu sangue. O Lycan, incapaz de controlar seus instintos, acaba se apaixonando por Sonja (Rhona Mitra), a vampira filha de Victor que não possui nem a ambição nem a maldade de seu pai. Entretanto, como a rivalidade entre vampiros e lobisomens tem de nascer, Lucian acaba desejando a sua liberdade, trai a confiança de Viktor e leva consigo um batalhão de escravos com sede de vingança.

Como pôde ser constatado, a história não possui muitas reviravoltas e muito menos conflitos atenuantes. O roteiro de Danny McBride, que é responsável por toda a franquia, e Dirk Blackman é incapaz de criar personagens atraentes ou ambíguos. No filme, eles apostam em vilões e mocinhos estereotipados por mais que sejam vampiros e lobisomens. A aposta de que o amor entre Lucian e Sonja sustentaria toda a trama e faria a audiência torcer a seu favor é inteiramente equivocada. Todos os personagens são tão mal construídos que permanecemos imparciais, o que representa uma total falta de excitação pela película. Além disso, eles acabam matando precocemente a figura mais fascinante da produção. McBride e Blackman também escrevem diálogos pífios e desenvolvem um desfecho que mantém o nível do restante do filme, ou seja, péssimo.

Patrick Tatoupolos dirige preguiçosamente “Anjos da Noite – A Rebelião”, comprovando toda a sua falta de experiência. Tatoupolos é mais conhecido como diretor de efeitos especiais de filmes como “Eu, Robô”, “Silent Hill” e da própria série “Anjos da Noite”, e talvez por isso não demonstre nenhuma técnica no comando das câmeras. Com demasiados cortes, a produção perde ritmo e dá a impressão de ter sido feita às pressas. As cenas são demasiadamente curtas e parecem despejar para o público a história sem investir no charme que é tão característico da franquia. Mas o maior erro de Tatoupolos ocorre nas cenas de ação em que ele tenta acelerar o ritmo, mas acaba deixando as sequências “indecifráveis”. Cuidado para vocês não ficarem tontos e enjoados!

O elenco também é uma decepção. Michael Sheen, que é mais conhecido por filmes de arte, como “A Rainha” e “Frost/Nixon”, deveria voltar para produções em que os diálogos são sua marca principal, porque como herói ele é um total desastre. O seu Lucian é fraco e pouco convincente. Bill Nighy, que se revelou um ator excepcional em “Simplesmente Amor”, retorna como um Viktor caricatural que procura sempre estar com os olhos arregalados de maldade. Mais uma vez, em “Anjos da Noite”, é uma personagem feminina quem chama a atenção e dá o tom certo. Rhona Mitra é o melhor do filme com seu sotaque britânico e sua beleza natural.

Com seus 96 minutos de duração, “Anjos da Noite – A Rebelião” não deve agradar nem aos fãs da série. Com cenas de ação confusas e péssimos personagens, o filme parece mais feito para a televisão, devido a falta de cuidado que a produção apresenta. Neste longa, Lucian afirma que o confronto está apenas começando. Tomara que Lucian esteja errado.