Avaliação: 7

Em 1985, Arnold Schwarzenegger estrelou o longa “Comando Para Matar”, no qual vivia um soldado de elite aposentado que fora obrigado a retornar aos campos de batalha para salvar sua filha que havia sido seqüestrada por um ditador exilado. Nos anos 1980, como todos nos sabemos, imperava o herói “brucutu”, cheio de músculos, frases de efeito, esquentado, do tipo que atira primeiro, atira depois, continua atirando e, quando todos no recinto estão mortos, pensa em fazer alguma pergunta. Este “Busca Implacável” bem que poderia ser um remake do longa oitentista estrelado por Schwarzenegger, mas tem seu protagonista e a motivação deste devidamente atualizadas para os dias atuais.

Bryan Mills (Liam Neeson) é um agente americano precocemente aposentado, tendo pedido baixa do seu serviço para passar mais tempo com a sua filha, Kimmy (Maggie Grace). Seu tempo servindo à pátria lhe custou um casamento e a chance de ver sua filha crescer. Ela, aos 17 anos, mora com a mãe, Lenore (Famke Janssen) e com o padrasto, um rico empresário. Nosso protagonista anda entediado com a vida fora do trabalho, ganhando dinheiro fazendo bicos com seus antigos colegas como segurança de estrelas do mundo pop. Sua tentativa de reaproximação de sua filha é interrompida quando ela decide viajar para a Europa com uma amiga e pede a autorização dele. Relutante, Bryan aceita. É desnecessário dizer que a viagem toma um caminho trágico e que ele fará de tudo para reaver sua filha, passando por cima de quem quer que fique no seu caminho.

Se “Busca Implacável” tem uma força-motriz, ela se chama Liam Neeson. O ator veterano dá vida ao aposentado agente de modo soberbo. A seqüência na qual ele tem de escutar enquanto sua filha é seqüestrada – já vista no trailer – é simplesmente primorosa, mas não mostra metade do que Bryan Mills é capaz. Sua frieza e competência para conduzir a filha nesta situação contrastam com a força que o vemos impor quando começa sua busca por ela. A imponência que o ator concede ao personagem é sentida pelo espectador de maneira bastante palpável em cenas como a que ele tortura um homem que pode ter informações sobre o paradeiro de Kimmy. Bryan é um homem extremamente perigoso que teve o que ele considera mais precioso em sua vida tomado dele.

Enquanto muitos comparariam Mills a Jason Bourne, acho que o melhor paralelo a ser traçado é com Jack Bauer, da série de TV “24 Horas”. Ambos são agentes competentes, são homens com problemas familiares e fariam tudo por suas respectivas filhas (as duas com o nome “Kim”). No entanto, Mills tem a vantagem de contar com Neeson como seu intérprete.

No elenco também se destaca a presença do ator francês Olivier Rabourdin que interpreta Jean Claude, antigo companheiro de Bryan e hoje apenas um homem com uma mesa no governo francês. Já Famke Janssen tem pouco a fazer em cena como a ex-mulher do agente, Lenore. A bela Maggie Grace interpreta a filha do protagonista. Apesar de mimada e até um pouco chata (mais uma vez a influência de “24 Horas”), ela é a luz da vida de Bryan.

Aqui vale uma breve discussão. Se existe um motivo para sempre ser a filha do herói a ser seqüestrada ou ameaçada é porque qualquer pai faria tudo por sua menina. É um fato. E isso causa um reflexo no público, já que qualquer barbaridade cometida pelo personagem principal para reaver a sua cria se torna justificável, pois é algo que nós mesmos faríamos na mesma situação. Os vilões da fita são meros monstros a serem exterminados da forma mais brutal possível pelo herói, com o público a torcer pelos atos violentos por este cometidos. É uma cartase brutal, embora sincera e verdadeira, sem papas na língua.

Aliás, a violência bruta que é mostrada durante o filme merece até uma menção especial, já que se trata de um filme da 20th Century Fox, estúdio que, recentemente, dilacerou “Missão Babilônia” para torná-lo menos pesado e mais… idiota. Mesmo não sendo algo tão visceral quanto os filmes de Quentin Tarantino, a fita já é um avanço contra a hipocrisia da corporação. Prova de que o nome do produtor e co-roteirista da fita, Luc Besson, ainda tem calibre para vencer certas barreiras criadas pelos homens do dinheiro e da distribuição. Na direção, temos o competente Pierre Morel, cinematógrafo de diversos filmes produzidos por Besson, aqui comandando o seu segundo filme, com bastante competência (o primeiro fora o eficiente “13º. Distrito”).

Morel conduz as cenas de ação de maneira bastante fluida. Embora não busque inovações nem recriar a roda, o cineasta se mostra bastante a vontade nelas, lhes dando um bom ritmo e impedindo que estas fiquem ininteligíveis, sempre com a colaboração do editor Fredéric Thoraval (com quem trabalhou também em seu filme de estréia como diretor). Além disso, ele sabe realizar seqüências interessantes, como as já citadas que mostram o rapto das duas jovens e a tortura do possível criminoso.

A cidade de Paris, onde se passa a maior parte do filme, é muito bem explorada, com as locações passando longe dos já batidos pontos turísticos. Nesse sentido, palmas para o diretor de fotografia da fita, Michel Abramowicz, que criou uma atmosfera para a cidade-luz bastante diferente daquela de metrópole romântica a qual estamos acostumados.

Mesmo não sendo o mais original dos filmes de ação, “Busca Implacável” é uma fita de ação bastante eficiente, graças ao sempre ótimo Liam Neeson. Embora seja bastante curta, a película se mostra um bom programa para aqueles que, como eu, gostam de um bom exemplar do gênero.