Intrincado e inteligente filme de terror, mesmo sendo profundamente batido, este longa preocupa-se não só em transmitir momentos tensos como também investe na qualidade de seu projeto, fato incomum nos longas do gênero. Dos mesmos realizadores de "Espíritos", trata-se de um trabalho que revela-se surpreendente nos mínimos detalhes.
Na trama, temos a história de uma moça tailandesa que mudou-se há algum tempo com o namorado para a Coréia do Sul, com o claro intuito de superar seu passado. Quando a mãe dela é internada em seu país natal por um grave problema de saúde, Pim (Masha Wattanapanich) é obrigada a retornar e lidar com os fantasmas de seu passado. Logo que chega, ela passa a ser atormentada pela presença, até então inexplicada, de sua irmã falecida, que parece acompanhá-la o tempo todo, dentro e fora de casa. Para resolver essa estranha situação, ela precisará remexer em coisas que pensava não mais existirem em sua memória.
Dirigido e roteirizado por Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom, a película trata com muito cuidado das situações, provocando cenas de extrema tensão pelo uso da excelente leitura do roteiro, que faz com que a câmera passeie pela situação com destreza. Interessados em dar a este trabalho maior atenção, a direção faz uso dos bons recursos que tiveram acesso e investe em planos que promovem uma ótima interação entre som e imagem. Em algumas sequências, percebemos marcações quase que perfeitamente esquadrinhadas que dão a impressão de parecerem desenhos. A estrutura do roteiro funciona e é bem costurada, apesar de clichê em relação aos filmes orientais do gênero. Até mesmo quando temos a impressão de ter visto alguma falha, percebemos em seguida que cada situação e detalhe percebido foi colocado ali com o exato propósito em que é passado.
Centrado nos personagens de Vittaya Wasukraipaisan e Masha Wattanapanich, vemos mais uma decisão acertada da direção ao escolher dois atores tão bem capacitados para as funções que desempenham. Talentosos, carismáticos e bem colocados diante das câmeras, eles são responsáveis por grande parte da qualidade que assistimos diante das telas. Se a direção evita exagerar nos efeitos, a não ser quando estes tornam-se de extrema necessidade, boa parte da tensão é causada pelo poder que os dois possuem de passear pelas inusitadas situações presentes.
Resta acrescentar que, não bastassem os ítens já citados, que já criariam um bom longa-metragem de terror, este filme traz realmente uma história intrigante. Somado a este fator decisivo, acrescento a trilha sonora – que é de arrepiar até o último fio de cabelo. Apesar de tornar a maioria das sequências mais previsíveis pelo simples fato de se fazer muito presente, ela faz muito importante para a obtenção do resultado final.
Trazendo preocupações ainda estéticas, o filme traz uma fotografia bem elaborada (apesar de ser um pouco óbvia), variando entre o frio período em que a atormentada Pim vive em uma casa aparentemente normal; e conseguindo momentos ensolarados ao retratar uma infância feliz ao lado da mãe e da irmã. Caminhando junto das emoções dos personagens, ela evolui em tons e texturas que combinam bem com o filtro selecionado para a captação das imagens, que ganham força com a boa escolha de objetos escolhidos para decorar cada cena. Além de bons sustos, esta película garante aos seus espectadores qualidade visual.


























