Avaliação: 5

O que esperar de uma continuação? Por mais que entremos no cinema à beira de uma continuação, qualquer que seja, entramos com receios. Receios do mito de que o segundo filme nunca é tão bom quanto o primeiro, receio de que mesmo assim, ele pode ser bom, ou até mesmo pode ser que funcione um pouquinho melhor, ou pelo menos fique em nível de igualdade.

Infelizmente, Anjos da Noite – A Evolução, não é a exceção a regra como “X-men 2”, e cai na mesma ladainha de que o primeiro foi muito superior. Para quem não assistiu o primeiro filme há uma recapitulada no início, algo como o já conhecido por quem assiste seriados pela frase: “Anteriormente em…” (Previously on…). Então nessa rápida passagem dá pra se ter uma idéia do primeiro filme, mas mesmo assim, você não consegue ter a verdadeira noção das personagens. E o filme começa (após uma rápida viagem ao passado), exatamente onde o primeiro parou (quase um “Matrix Reloaded” para um “Matrix Revolutions”).

A história até tenta se manter, mas na primeira hora de exibição, ela simplesmente não existe. Há sim uma substituição por efeitos especiais (maquiagens muito bem feita por sinal) e um simples corre-corre e cenas de batalhas, que só servem para alongar o filme. Se algumas das cenas fossem tiradas, acredito que o filme se tornaria mais interessante.

Outro ponto fraco do filme é ver que o diretor Len Wiseman finalmente se deixa render pelas regras das continuações. Ao começar a apelar para cenas de nudez e sexo (entenda que ninguém é contra cenas assim, mas quando elas estão em um contexto, não colocadas ali porque sabe que muita gente vai ficar louca ao ver Kate Backinsakle quase nua). Outro ponto que Wiseman tentou reparar, mas errou no local: o sangue. Muitos que assistiram ao primeiro filme reclamaram por este quase não ter sangue, e que raça de vampiros era essa que não bebia sangue? Pois bem, eles continuam não bebendo sangue, mas há sangue, sem sombra de dúvida. Sangue jogado nas paredes, sangue no rosto das personagens quando alguém morre, lembrando às vezes aqueles filmes trash que parecem que jogam um balde de sangue.

Engraçado notar como no começo do filme também parece que os atores não estão confortáveis com seus papéis, vindo conseguir acertar o passo mais para o meio do filme. Selene parece até um pouco mais meiga (ao invés da lutadora que conhecíamos), Michael perde um pouco da velocidade do filme, parece que eles estão começando um novo filme, tantos anos depois (o que não deixa de ser verdade) e não uma continuação de onde pararam na edição anterior. E quem for fã do Creed, pode ser que note um pouco a semelhança entre Scott Speedman e o cantor da ex-banda (o que não deixa de ser engraçado em determinados momentos).

Até mesmo os elementos da linguagem de câmera de “Matrix” que foram a sensação do primeiro filme foram quase esquecidas ou usadas em momentos que não causam tanto impacto como causaram em 2003, ficando até “apagadas”. E o personagem principal dos inimigos? Qualquer semelhança com o monstro de Jeepers Creepers (durante os vôos) é mera coincidência, ok?

O filme recebeu uma quantia maior para sua produção, comparado com os "míseros" 23 milhões do anterior. Até o dia 12 de março Anjos da Noite: A evolução havia arrecadado no mundo todo um pouco mais de 94 milhões. Se já tiver superado o valor da sua produção (que com certeza já superou), podem esperar sentados por uma terceira franquia, o problema é se vai ter público. Mas é bem capaz de ter! Curiosidade mata!

No apanhado geral, saímos com a sensação de termos sido enrolados. Enrolados por uma expectativa que não foi saciada em nenhum momento. Muita pancadaria, muito tiro, mas pouca história (que até está bem armada, mas mesmo os amantes do RPG podem ficar com raivas de alguns elementos, como a luxúria dos vampiros – até Aaliyah conseguiu fazer uma Rainha dos condenados mais sedutora do que as vampiras que aparecem em determinada cena nesse filme). Essa talvez ainda não seja a boa opção para ir ao cinema…