Avaliação: 3

Alguns filmes não deveriam existir. Muito menos os que já tiveram um anterior que, não obstante a grandeza do filme, tenha agradado de certa forma. É o caso de Anjos da Noite. Quando em 2003 foi lançado o primeiro filme, era para simplesmente terem parado por ali ou, se quisessem ganhar mais dinheiro com a franquia, que não tentasse reinventar tudo, colocando personagens confusos, que só servem para taxarmos o roteiro como imaturo e fraco, no mínimo, pois ele, talvez, seja o ponto mais fraco dentre muitos fracos que o filme apresenta.

Mais uma vez, Kate Beckinsale é Selene e tem ao seu lado (e como tem) o híbrido Michael Corvin (Scott Speedman). Juntos eles se metem nas já citadas cenas de ação que tiram os espectadores do sono (que deveria estar bem melhor). Diferentemente do primeiro, a trama não sugere só uma luta de lados opostos, mas sim a proteção de um artefato que, se em mãos perigosas, pode trazer à tona problema e mais problemas para a dupla barulhenta. No começo, Michael chama atenção pela forma como ele renega sua atual condição (uma mistura de lobisomem com vampiro). Mas acaba, talvez pelo apego que tem a Selene, aceitando e ao lado da moça faz tudo o que deveria uma pessoa do seu estilo fazer. Na verdade, na verdade… ele não é esse principal todo para a trama, pois sua presença serviu bastante para tentar dar um pouco de profundidade a personagem de Kate Beckinsale. O que, até certo ponto acontecia, mas tomou rumos diferentes por culpa do fraquíssimo roteiro e caiu facilmente na façanha do contrário: o esperado!

O interessante é que não somos apresentados a alguns personagens novos. Derek Jacobi, pegando como exemplo, faz um personagem que apareceu somente nesse filme. Qual os motivos que o leva a fazer determinadas investidas? E o pior é que, lá pras tantas de duração, tudo é explicado da forma mais boba possível. Sabe as cenas clássicas dos antigos seriados de Batman? Sim, aquelas que quando o vilão já está rendido ou preste a morrer, conta todo e minuciosamente o seu plano malígno para o Cavaleiro das Trevas. É mais ou menos isso que acontece no filme – e mais de uma vez. Lógico, você só vai saber se o personagem de Derek Jacobi é bom ou mal assistindo o filme, mas se você for esperto e pegar a sinopse do mesmo, verá que quem o ator interpreta já diz tudo. Mais uma lambança do roteiro.

A celulose tem um ou outro ponto menos fraco. A maquiagem está bem feita, bem realista, caprichada, mesmo por muitas vezes deixando às claras o contorno da lente dos personagens. Os efeitos poderiam ser melhores, mas, de um ponto de vista caridoso, essa parte pode agradar, sobremaneira nas cenas finais, onde devem ter depositado uma quantia maior de dinheiro, pois a pobreza nos efeitos que encontramos nas cenas iniciais é evidente demais.

Kate Beckinsale mantém o nível de interpretação do primeiro filme. Porém, dessa vez, seu personagem está um pouco sentimental, o que gera cenas inúteis e mal feitas de sexo. Se for pra fazer cena de sexo só pra agradar os espectadores de uma determinada idade que seja, no mínimo, muito bem feita, ainda mais com um ‘mulherão’ que é a Kate. Não consegui julgar o que estava pior na cena: a colocação da câmera, os contornos exacerbados para esconder as partes íntimas da atriz ou a falta de química dos atores. Ah! Ia esquecendo, o romance é com o híbrido Michael que, interpretado por Scott Speedman, é um personagem para lá de pobre. Quanto aos outros do elenco, é melhor dispensar comentários, pois o festival de atores ruins é proporcional a altura do som nas forçadas – e, muitas vezes, pessimamente feitas – seqüências de ação.

Tentando reinventar o que deveria ter ficado quieto, Len Wiseman (diretor e roteirisita) e Danny McBride (roteirista), levaram, junto com eles, o filme para as profundezas do mais fundo oceano que eu poderia citar. Uma franquia que poderia ganhar alguns elogios transformou-se em uma causadora de risadas pela precariedade com que seu segundo filme se apresentou. Um recado para Wiseman e McBride: é bom, de vez em quando, ter senso do ridículo, do contrário, o que poderia ser bom, acaba sendo de péssimo para baixo.