Avaliação: 10

Todos pelos menos uma vez na vida devem ter se perguntado se vampiros existem, se é possível nos tornar um deles, ser imortal e invencível. Possuir um altíssimo grau de sensualidade e convicção. Quem nunca em sua vida, nem que por um breve momento tenha desejado ser um vampiro? E neste Entrevista com o Vampiro há uma resposta, e mesmo que fictícia, já é um deleite para os amantes desta raça de mortos-vivos, a resposta é positiva, você pode virar um vampiro e você poderá escolher entre uma vida mortal e uma imortal, você poderá escolher entre ver o sol ou não. Isso são vários fatores a serem considerados pelos personagens principais, que não resistiram ao charme de um vampiro mestre na América. E pensar que tudo começou com Drácula de Bram Stoker, as adaptações de seu livro renderam diversos filmes e abriu a porta para outros livros e filmes sobre vampiros, como esse.

Entrevista com o Vampiro é um excelente filme (apesar de filmes com vampiros eu ainda preferir “Drácula de Bram Stoker” de Francis Ford Coppola), um filme apaixonante, sensual, intrigante, poético, atraente e acima de tudo interessante e extasiante. Neil Jordan prova que é um bom diretor neste intenso terror/drama, com um ótimo aproveitamento técnico, principalmente da maquiagem e efeitos visuais – que não são muitos. E bom controle sobre os atores, conseguindo ótimas atuações.

Louis (Brad Pitt) decide contar sua história para um jovem repórter (Christian Slater), desde de sua vida infeliz por causa da perda de sua esposa e filha, se transformando num vampiro nas mãos de Lestat (Tom Cruise), até a “adoção” de Claudia (Kristen Dunst) e a ida ao Velho Mundo, vagando e procurando outro de sua espécie. Somente na França ele vai encontrar Armand (Antonio Banderas). Será que ele encontrará as respostas que quer? Que sua vida é boa? E em sua entrevista ele conta tudo, desde os incríveis prazeres, aos tormentos decorrentes. Até com lhe foi dado a escolha, que Lestat não havia recebido, ele poderia ser imortal, se ele quisesse (umas das cenas antológicas do filme).

Um filme como esse há muito a se destacar, primeiramente nas cenas de transformação de Louis, de Claudia, o sangue com Láudano, o mal que o sol faz para um vampiro e a vingança de Louis.

Brad Pitt está no auge de sua carreira, no mesmo ano já tinha feito “Lendas da Paixão”, com uma estrondosa atuação, e nesse Entrevista com o Vampiro ele repete a dose, Brad Pitt é o principal do filme e não Tom Cruise, como está nos créditos, a história se gira em torno dele. Brad Pitt estava apenas começando carreira, mas já era uma estrela, e com razão, neste filme ele mostra do que é feito, com carisma, capacidade e talento. Sendo convincente e um dos melhores vampiros na tela de todos os tempos. Tom Cruise está na dele, muito bem, exalando sensualidade e poder, tendo ótimos momentos no filme. Mas é Kristen Dunst quem rouba a cena, em seu primeiro filme mostra que tem talento, está simplesmente perfeita com a garota inconformada Claudia, não é possível imaginar ninguém melhor em seu lugar, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, e que infelizmente ficou de fora do Oscar. Antonio Banderas está mal, muito mal, vampiro não é com ele. Ele não tem a essência, o fulgor, a sensualidade que reina sobre as lendas vampíricas, ele é um mero humano, sem sentimentos, acho que ele melhorou muito no mundo Hollywood.

O filme é tecnicamente impecável, maravilhoso, magnífico, praticamente perfeito. Comecemos com a fotografia, exuberante e distinta, a trilha sonora de Elliot Goldenthal é simplesmente fabulosa, intrigante e um fator determinante, assim com a maquiagem e os cenários. Na verdade tudo está em perfeita sincronia e realização, é realmente uma graça para o cinema saber que filmes para serem bons e inteligentes (o caso desse) não precisam de orçamentos monstruosos gastados em efeitos visuais, vide “Hulk”, provavelmente o pior filme e blockbuster de 2003, que gastou 150 milhões de dólares para fazer um monstrengo verde super malfeito, assim como os cães Hulk (uma das coisas mais ridículas que já vi).

Entrevista com o Vampiro foi um dos melhores filmes de 1994, que infelizmente só foi indicado a dois Oscar (Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte), e acho que merecia ser lembrado nas categorias de Melhor Filme, Atriz Coadjuvante, Maquiagem, Fotografia entre outras. É uma pena. Mas isso não tira os méritos do filme, que além de ser muito bom, serve também com diversão de primeira. Um filme que vale a pena ser conferido mais pelo conjunto do que por individualidades.

E como diz o slogan “Beba meu sangue e viva para sempre”.