Avaliação: 9

Meus amigos, vocês que estão lendo podem me achar lunático e completamente exarcebado. Pois podem achar, porque eu estou convicto do que digo. Jackson fez todo o cinema subir de nível, ao readaptar o clássico com a história mais manjada da sétima arte: a do gigante gorila que se apaixona por uma bela atriz. Caramba, pensei que ia ser somente mais uma adaptação. Me enganei redondamente. Se você acha que a trilogia dos Anéis era uma adaptação insana e apaixonada de um homem com um sonho na mente e uma câmera na mão, pare. Este "King Kong" é no mínimo três vezes mais enlouquecido do que os filmes de Frodo e a Terra Média. O diretor conseguiu um feito que, para mim, era impossível: superar sua própria obra de arte, mesmo usando uma história completamente batida.

É aquela mesma: Ann Darrow (Naomi Watts) é uma atriz desempregada que é encontrada por acaso pelo diretor não menos desesperado, Carl Denham(Jack Black). Ele a contrata para rodar um filme roteirizado por Jack Driscoll (Adrien Brody) – que ela admira – com locações em Singapura, mas na verdade ele convence o capitão do barco S.S Venture (Thomas Kretschmann) a levá-lo a uma ilha misteriosa desconhecida de todos, a Ilha da Caveira. Após uma série de eventos, eles acabam chegando, mas logo se vêem encurralados pelos nativos do local, que raptam Ann para oferecê-la a um monstro gigante, o gorila de 8 metros e meio, Kong. E é aí que toda a tripulação do barco (que inclui, entre outros, Andy Serkis), junto com a equipe de filmagem de Denham (entre eles, Colin Hanks) e liderados por Driscoll se embranham na Ilha, passando por dinossauros e outras criaturas estranhas, enquanto Darrow se aproxima de Kong. Depois de várias desventuras, eles acabam em Nova York, onde Kong encontra seu verdadeiro destino.

Este filme é mérito de Peter Jackson, o missionário que começou a rodar este filme ainda criança, quando assistiu pela primeira vez a uma adaptação da história e se apaixonou por ela, e isso o motivou a seguir a carreira de cineasta. É uma inspiração para todos aqueles que, como eu, ainda almejam ser um diretor de cinema. Como pode um homem dedicar tamanha paixão a um projeto como este? Nota-se o dedo dele em tudo, desde as atuações até os efeitos visuais. Estes que são impecáveis, com o gorila digital mais realista e humano de todos. E aí entra o talento de Andy Serkis, que além de fazer um papel de carne-e-osso como o cozinheiro do S. S Venture, usou a mesma tática de Gollum, da trilogia do Anel: com os recursos de captação de movimento, atuou como Kong. E o resultado não poderia ser melhor. Ele dá uma humanidade ao gigante que nenhum software de computação gráfica poderia dar.

Brody, Watts e Black formam o trio central de atores, que estão mais que excelentes em seus papéis. E Black me impressionou, visto que ele tem uma maneira única de atuar, e cheguei a pensar que ele não caberia no papel do egocêntrico e mentiroso cineasta Carl Denham. Me enganei de novo. Só perde, em interpretação, para Watts, antes uma dúvida minha, agora certeza de indicação ao prêmio da Academia. Os coadjuvantes não ficam atrás: destaque para Kretschmann e Jamie Bell (conhecido por Billy Elliot, de 2001). Há aqui cenas que certamente entrarão para a história do cinema, como toda a seqüencia final, onde Kong está solto em Nova York. Ficará, certamente, na memória de muita gente. Como a minha.

Certo que algumas coisas estão um pouco fora do comum: alguns efeitos parecem ser exagerados, e o roteiro um pouquinho confuso. Nada que tire o brilhantismo da obra. Peter Jackson se superou, mais uma vez. Ele lembra Spielberg, em sua época mais brilhante: quando ele ainda fazia filmes que eram diversão garantida para toda a família, criativo e inventivo. Hoje, seguramente, Peter toma o lugar de Steven nesse tipo de filme.

Não é a toa que o filme arrecadou U$$18 milhões somente no primeiro dia. Vai arrecadar ainda mais, e vai conquistar o público com absoluta certeza. Pode ter certeza: se King Kong conquistou multidões nas outras adaptações, ele vai ganhar a simpatia de todos nesse aqui também. E novamente, o gorila mais famoso de todos irá ganhar o mundo.