Usar ingredientes que muitos já usaram, modernizar as piadas e tratar de um assunto familiar em todas as escolas. Estes são os principais pontos de "Meninas Malvadas". De fato, você já viu isso em várias outras comédias 'pop teen high school americana' que poluem as locadoras e os cinemas por todo o mundo. Porém, este é muito exagerado nas piadas e consegue usar e abusar de um certo 'humor negro'. Alguns podem gostar, outros não. Clichês completam a obra que tem uma história fraca, mas que consegue desviar a atenção por causa das piadas bem aplicadas.
Cady Heron, interpretada por Lindsay Lohan ('Sexta-feira Muito Louca'), é uma adolescente americana que nunca foi à escola (uma prática que está ganhando muitos adeptos nos EUA). Criada na África, onde viveu desde criança sendo educada em casa pelos pais zoologistas, ela agora tem que enfrentar um novo desafio em sua volta aos Estados Unidos: a high school. Tendo vivido durante 15 anos na selva, entre os nativos e animais selvagens, Cady acreditava que saberia sobreviver ao dia-a-dia de um colégio. Mas para sair ilesa vai ter que aprender as regras deste novo habitat. De cara, ela faz amizade com dois adolescentes meio estranhos, mas simpáticos, Janis (que é lésbica) e Damian (que é gay), que seguem a linha "revoltados" com o sistema das "castas escolares". Depois, chega a vez do encontro com o grupo das "patricinhas", um trio de meninas bonitas e populares, que é liderado pela loiríssima Regina George (Rachel McAdams), uma espécie de "rainha" da escola. Regina tem duas escudeiras: Gretchen Weiners (Lacey Chabert), que sabe tudo sobre a vida de todo mundo, e Karen Smith (Amanda Seyfried), cuja inteligência está longe de ser seu ponto forte (ela é aquele tipo 'loira burra'). O trio acaba recrutando Cady, se transformando então num quarteto.
A princípio, Cady se sente meio deslocada ao andar com Regina e sua turma, mas é convencida por Janis e Damian a fingir uma amizade com as "patricinhas" e virar a espiã deles dentro do grupo. Cady até se diverte no processo de transformação e começa a pensar que Regina não é tão má assim, até que se apaixona pelo ex-namorado da loira, Aaron (Jonathan Bennett). Mesmo sabendo dos sentimentos de Cady, Regina rouba Aaron da nova "amiga" e desperta em Cady a vontade de se vingar.
A partir daí, Cady tem só um objetivo: descobrir tudo que pode sobre Regina para acabar com o reinado da "patricinha" na escola. Para a missão, vai contar com a ajuda dos fiéis escudeiros, Janis e Damian. O que Cady não esperava é que, ao passar tanto tempo ao lado das "patricinhas", fosse acabar se transformando realmente numa delas.
E ai? O filme acabou? É, com esta história que contei você deve ficar pensando: "mas o que esse crítico maluco quis dizer nessa história? Contar tudo sobre o filme?". Este não é o objetivo. Mas foi como eu disse no começo a crítica, a história é fraca. Não tem nada de diferente do que você viu em outros do gênero. Só fiz provar a você que eu não estava enganado ao afirmar isso.
O diferencial do filme, no entanto, está nas piadas que estão bem empregadas. Não é fácil trabalhar com uma espécie de humor negro, tirar sarro de garotas ‘anorexicas’, de gays ou de gente consumista. O filme não é sutil, de fato, mas tem uma pontaria de um grande atirador olímpico. Um bom exemplo é quando Cady entra no refeitório escolar. São mostrados os grupos que foram formados: os nerds, os gordos, as bonitas e raivosas e etc. E quando ela compara com a selva na qual morava antes e ver estes grupos agindo como animais selvagens, é algo no mínimo de rachar o bico de rir. Ela faz essa comparação umas três ou quatro vezes no filme. A culpa disso é de Tina Fey, roteirista do filme, que também é roteirista chefe do programa Saturday Night Live. Ela além de ter participação na produção, também interpreta a senhora Norbury, uma professora paranóica e solitária.
Esta comédia da Paramount Pictures estreou em primeiro lugar nas bilheterias americanas. O filme arrecadou 25 milhões de dólares no final de semana de estréia e tornou-se a quarta maior abertura de uma produção em abril nos EUA (isso mesmo, ele foi lançado em abril só em julho chegou aqui).
Vale a pena dar uma conferida nessa comédia. Não é um grande filme, mas você sairá satisfeito (a). Dá para dar umas boas gargalhadas e se divertir. Lindsay Lohan vem provando ultimamente que tem tudo para se tornar a nova queridinha teen dos EUA. No final das contas, você acaba gostando de todos os personagens do filme. Isto é um fato que dificilmente acontece.


























