Críticas   segunda-feira, 28 de Março de 2005

Natal Muito, Muito Louco, Um

Uma comédia para fazer você pensar sobre os valores humanos e entender que o verdadeiro espírito do Natal não está nas coisas materiais, e sim nas ações diárias que nos tornam mais humanos (filosofei, desculpem-me, rs).

Chega o fim do ano e surgem comédias natalinas para todos os lados. É aquele velho argumento do estúdio: "Fiz tanto filme ruim esse ano, que vou fazer um de Natal para encher novamente os meus cofres". É sempre assim! Todos os anos surgem comédias natalinas para salvar os débitos dos estúdios. O cinéfilo, já rodeado pelo espírito natalino, entra na onda e consome aquele filme como alguém consome a água quando está com sede no deserto. “Felizmente” esse ano tivemos o bom filme "Um Natal Muito, Muito Louco". É legal como um "simples" filme de natal consegue fazer você refletir sobre alguns valores (ops, será que estou rodeado do espírito do Natal pra escrever isso?).

Depois de haver, fiel e alegremente, comemorado o Natal durante a vida inteira, e com sua filha trabalhando como voluntária do Corpo de Paz no Peru, Luther (Tim Allen) e Nora Krank (Jamie Lee Curtis) estão tendo que encarar a probabilidade de passar um Natal muito solitário. Luther resolve, então, viajar com a esposa num cruzeiro pelo Caribe, e esquecer essa história de Natal.

Mas quando seus vizinhos descobrem, ficam revoltados, principalmente o intrometido da vizinhança, Vic Frohmeyer (Dan Aykroyd). Entre os ofendidos, incluem-se também os policiais Salino e Treen, e o vizinho parceiro de Luther em lutas de boxe, Walt Scheel. Começa a batalha de indiretas entre os Kranks e seus vizinhos, ameaçando a harmonia da comunidade e também o espírito de Natal em si. Então, sem mais nem menos, Luther e Nora recebem um telefonema da filha, avisando que virá passar o Natal em casa. Agora os Kranks têm menos de vinte e quatro horas para fazer com que eles próprios e todas as famílias da Rua Hemlock recuperem o espírito natalino como deve ser.

Para nós acostumados a assistir filmes do gênero, só em ler este enredo dá pra imaginar o que estar por vir. Gargalhadas, clichês e lições. São 3 coisinhas básicas. Felizmente o filme é competente no primeiro e no terceiro aspecto, infelizmente ele também é muito clichê. Um elenco com Jamie Lee Curtis e de Tim Allen, que também fizeram dupla no sucesso "Meu Papai é Noel", faz com que o filme não seja apenas mais um de Natal. Não é a melhor maravilha do mundo, mas não chega a ser aquele filme de Natal chato e bobão. Principalmente porque Jamie Lee Curtis consegue ser bastante competente no seu papel. Creio que o diretor Joe Roth deu uma liberdade para a atriz, e isso teve influência também para o ator Tim Allen, que arranca algumas risadas quando se dá mal desde a construção da árvore de Natal ao ato de colocar o gelinho (boneco de neve) lá no teto da casa.

Impressionante como conseguiram fazer um vizinho tão chato e carismático com o mediano Dan Aykroyd. O cara simplesmente é um pentelho de marca maior. Ainda tem o seu filho interpretado por Erik Per Sullivan (aquele menino das orelhas de abano do seriado Malcolm). O roteiro do ótimo Chris Columbus, adaptado de um dos livros de John Grisham, faz com que o filme tenha graça e lições natalinas (o que é o seu forte), mas que não perca nunca a piada. As trapalhadas que acontecem chega a lembrar muito o filme "Esqueceram de Mim".

É um filme para assistir descompromissado quando estiver fazendo as compras de Natal no shopping. Quem sabe você cai um pouco na real e vê que o importante e o que deve ser celebrado não são as entregas dos presentes, e sim a confraternização entre parentes e amigos. Assim você evolui espiritualmente e consegue deixar esse lado material para o segundo plano. Mas fazer o que? Somos todos hipócritas. Desculpe-me, mas quero um presente melhor esse ano (rs).

Jurandir Filho
@jurandirfilho

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  • Érica

    Muito conservador. Os vizinhos encheram o saco do casal o filme inteiro! Rolou a maior pressão para que eles celebrassem o Natal, pois eles eram os que mais bem organizavam uma festa de Natal. Quando vi a pressão no início do filme, pensei que o filme trataria do preconceito que as pessoas sofrem por não comemorarem o Natal. Mas quando vi que o filme não progredia muito, entendi que ele ficaria assim até o final onde algo aconteceria que faria o casal precisar de todos que eles “traíram”. E foi assim. Eu já sabia no que ia dar, mas percebi o nível do filme quando a filha fala sobre o namorado peruano e o pai diz “ah, que legal, um comunista…”
    O filme é cheio de falso moralismo. Todo mundo chama o casal de sovino, mão de vaca, egoísta e tal e até certo ponto a própria mulher diz isso para o marido.
    [SPOILER]
    No final os vizinhos ajudam o casal a enfeitar a casa e comprar os itens para a festa porque a filha deles ligou dizendo que estava vindo para o Natal… De última hora!
    Passa a mensagem de que você tem que celebrar o Natal e que você nunca poderá fugir disso porque alguém que você “ama” espera celebrá-lo com você. E que você deve agradar aos outros e entrar na deles, pois um dia se precisar de ajuda… Tipo, nada a ver com Natal! Interesse puro!
    Lindo o final. Todos juntos e sorrindo. Lindo se não fosse pelo fato de que os vizinhos viveram infernizando a vida do casal para depois falar de comunidade, de solidariedade e tal… Isso só porque ELES estavam ajudando em algo que eles queriam. Mas onde estava o espírito de comunidade, onde estava a solidariedade quando o casal decidiu usar o dinheiro que seria para o Natal tradicional para fazer um cruzeiro pro Caribe? O cruzeiro estaria barato pelo fato de ser Natal, então dizer que é só fazê-lo em outra época é muita ingenuidade.
    O filme queria passar o sentimento de comunidade, mas fez o contrário o filme inteiro! Mostrou que comunidade e solidariedade é tudo hipocrisia para se conseguir o que se quer, sem respeitar o desejo e escolha do outro. E pior, que tem gente que acha isso lindo!
    Aí no final a mulher diz “que ideia idiota a nossa de esquecer o Natal… Como se isso fosse possível!”
    A mensagem que fica é que vale a pena se anular para agradar algumas pessoas que não te respeitam.