Avaliação: 9

Muito se esperou pela chegada desse novo “Star Wars”, e após uma sessão lotada, em meio a tantos gritos de fãs, é com muita convicção que digo: a saga se despede dos cinemas com chave de ouro. Ao sairmos do cinema, podemos nos sentir tristes, pois a magia que acompanhou nossas vidas por quase três décadas chega ao seu fim. Por outro lado, saímos do cinema com toda a alegria e a confirmação que a saga teve um fim digno de seu merecimento. Por mais que muitas vezes pareça que a expectativa e a ânsia pela chegada do filme sejam maiores do que a qualidade dele próprio, “A Vingança dos Sith” é sem a menor sombra de dúvidas, o melhor desta nova trilogia, conseguindo apresentar uma enorme evolução em diversos aspectos que vão desde os pequenos detalhes visuais, passando pelas interpretações, os cenários grandiosos, as seqüências de ação até os efeitos especiais cada vez mais impecáveis. Apesar de tudo, "A Vingança do Sith" ainda não é o capítulo perfeito de Star Wars. Diálogos risíveis e vários furos no roteiro, que estiveram presentes em todos os filmes dessa nova trilogia, estão aqui também presentes. Mas nada disso foi capaz de tirar o enorme encanto e aquela ótima sensação de Déja Vu proporcionada por este espetáculo.

“Star Wars: Episódio 3 – A Vingança dos Sith” se passa após três anos do violento conflito das guerras clônicas. O Conselho Jedi envia Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) para capturar o General Grievous, o mortífero líder dos exércitos separatistas e levá-lo à justiça. Enquanto isso, em Coruscant, o Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) ganhou ainda mais poder. Suas mudanças políticas transformaram a enfraquecida República no poderoso Império Galáctico e ele revela ao seu aliado mais próximo, Anakin, a natureza de seu poder e os segredos da Força, numa tentativa de atrair o jovem ao lado negro.

Não era uma missão fácil para George Lucas adaptar tantas informações em um curto intervalo de tempo. “A Vingança dos Sith” chega aos cinemas com a difícil missão não só de agradar de maneira convincente aos fãs decepcionados com alguns aspectos dos episódios anteriores da nova trilogia, mas de amarrar de forma convincente esta nova trilogia com a original, de forma que a história faça total sentido ao ser analisada cronologicamente. Muitas vertentes eram precisas ser mostradas nessa conclusão: a passagem de Anakin para o lado negro, e consequentemente, sua transformação em Darth Vader, a ascensão de Palpatine como imperador da galáxia, a eliminação de todos os jedis, o exílio de Obi-Wan e Yoda e o nascimento de Luke e Léia, que são os protagonistas da trilogia anterior. Haja tempo para isso tudo.

Exatamente por isso, o filme não perde tempo e já se inicia com a guerra no seu auge e os mistérios que rondam a saga a ponto de serem revelados. Como era de se prever, podemos conferir aqui o clima mais tenso e sombrio que toda a saga já teve e é bom lembrar que não podemos esperar um desenvolvimento feliz para o lado dos heróis. A tragédia é a marca constante de toda a projeção. Como já era do conhecimento de todos que conferiram à trilogia original, os jedi estavam extintos (ou refugiados) no período futuro aos acontecimentos desse terceiro episódio. Ficava então a dúvida nas cabeças dos milhões de fãs espalhados pelo mundo, a forma que tamanho genocídio pôde ter ocorrido com seres tão poderosos. Pois eis que Lucas consegue transmitir esse episódio com uma técnica e frieza sem igual. Até mesmo violência com criancinhas é mostrada (ou pelo menos, induzida), para se ter noção do nível de frieza e maturidade que a saga assumiu neste último episódio. É a imagem da degradação dos jedi que ocorre de uma forma tão repentina, de forma que chega a ser até angustiante para quem assiste perante tamanho realismo retratado.

Lucas também conseguiu mostrar que alguns fatos que pareceram chatos e cansativos nos dois primeiros episódios, como a trama sobre taxas de comércio e bloqueios interplanetários, a requisição do exército de clones, e por fim, as manipulações do chanceler Palpatine à guerra, tinham sua extrema importância para o rumo que a história viria tomar nesse episódio. Tudo passou a ter sentido agora, de forma que mesmo que indiretamente, os episódios anteriores se tornaram mais interessantes aos serem vistos novamente.

Pelo fato de possuir muitos temas a serem abordados, talvez o mais importante deles, pareceu pelo menos a meu ver, soar forçado: a transição de Anakin para o lado negro. Todos sabiam que Anakin seria seduzido pelo imperador do mal, sendo assim dominado pelo ódio. Mas a impressão que fica, é que o imperador não passou de um incentivo, e ele resolveu se tornar mal de uma hora para outra, mostrando uma brusca mudança de personalidade. Tudo bem que é mostrado o processo de “lavagem cerebral” feito pelo imperador nele, que já vinha de um certo tempo. Mas talvez tivesse sido melhor se George Lucas tivesse abordado mais esse aspecto no segundo episódio, deixando para essa conclusão, apenas a bomba de emoções que é Anakin explodir de uma vez. Mas, ele preferiu optar por se aprofundar em sua personalidade no segundo episódio, deixando parecer essa mudança muito repentina no terceiro. Mesmo assim, a cena em que ele decide de uma vez por todas o lado que quer seguir (a cena inclusive, marca o destino do poderoso jedi Mace Windu), é muito bem dirigida, fazendo-nos até sentir raiva de seu personagem em meio ao conflito interno emocional que ele sofre. Hayden Christensen, que foi um dos pontos fracos do episódio anterior, mostrou uma melhora considerável em sua interpretação, conseguindo passar convincentemente sua angústia durante a transição de lado que seu personagem sofre. Ainda que suas cenas de romance com Natalie Portman ainda não convençam a ninguém.

Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, ficou impossível dar espaço para todos. Chewbacca, que teve a sua tão alardeada volta à série, não passa cinco minutos em cena e não possui uma importância relevante para o destino da história. Foi até bom ver o tão querido personagem novamente, mas a intenção de George Lucas era mesmo fazer apenas um elo entre as duas trilogias, tornando sua aparição gratuita. Outros que também foram prejudicados pelo roteiro, foram o andróide C3-PO, e Padmé Amidala (a sempre ótima, Natalie Portman), que teve seu tempo em cena consideravelmente reduzido. Mesmo assim, esses são apenas detalhes que nem de longe, chegam a comprometer a beleza e o show que é esse filme.

Os efeitos especias, juntamente com a fotografia brilhante, atingem aqui um nível nunca visto antes na série. Desde “Matrix” e a trilogia “O Senhor dos Anéis” que não era visto algo que realmente nos fizesse encher os olhos perante tanta grandiosidade. Desta vez, não ficou a impressão deixada em “O Ataque dos Clones”, em que muitas vezes, os efeitos soavam exagerados e a interação entre os atores e os ambientes virtuais deixavam a desejar. Aqui, os efeitos são usados com maestria no momento e na medida certa, de forma que um verdadeiro show visual nos é mostrado com realismo. Tudo bem, certos momentos ainda fica aquela impressão de estarmos vendo um mundo totalmente artificial, mas é inquestionável o tamanho da evolução em relação aos dois episódios anteriores.

As seqüências de ação (que neste filme, existem em um número bem mais elevado), não digo que são as melhores da série, mas são com certeza, as mais bem elaboradas e ricas em termos de detalhes e efeitos. Desde o início já entramos no clima movimentado que o filme possui, através de espetaculares batalhas espaciais que servem como um aquecimento para os eletrizantes duelos que viriam a seguir. Ainda mais, as eletrizantes batalhas do início, são muito bem calibradas com as ótimas doses de humor que faltaram aos outros episódios dessa nova trilogia, a cargo do adorável andróde R2-D2. Para o delírio dos fãs, os duelos de sabres de luz acontecem aos montes aqui, em seqüências extremamente trabalhadas com o máximo de cuidado.

Duelos aguardados por todos os fãs árduos finalmente podem vistos. O dos jedi contra o Conde Dooku é rápido e apenas abre caminho para os outros. O duelo entre Obi-Wan contra o General Grievous, um dos líderes do exército separatista meio-humano, meio-máquina, reserva uma surpresa logo de início que irá fazer todo fã da saga delirar ao extremo, mesmo que o combate em si deixe um pouco a desejar (principalmente para quem acompanha o desenho animado “Guerras Clônicas” e conhece o potencial de Griovous). Finalmente, a luta tão esperada entre Obi-Wan e seu padawan, Anakin é a melhor amostra do quanto este episódio marca o fim da saga com moral. A luta em si pode até não ser a melhor da saga (a luta de Luke contra Dath Vader em "O Império Contra-Ataca" ainda é marcante), mas é sem dúvida, a mais impressionante visualmente, em que os dois, literalmente, surfam no rio de lavas enquanto se confrontam. O mesmo pode se dizer do duelo entre Yoda e o Imperador Darth Sidious. O impacto de ver Yoda lutando já não é o mesmo após passar a primeira vez, mesmo assim, o confronto é fantástico, superando muito ao do episódio anterior.

As interpretações também evoluíram, dentro do que o estilo de filme exige. Afinal, contracenar muitas vezes com “nada” não é uma tarefa fácil. Além da já citada melhora de Hayden Christensen, Ewan McGregor aperfeiçoou mais ainda seu semblante de um guerreiro sábio e poderoso, se aproximando cada vez mais da imagem de Obi-Wan Kenobi, imortalizada por Alec Guiness na trilogia original. Mas quem acaba roubando a cena mesmo é Ian McDiarmid, intérprete do chanceler palpatine que esconde a face do maléfico Darth Sidious. Ele é na verdade, o verdadeiro vilão dessa nova trilogia, que durante os dois primeiros episódios, arquitetava seus planos que finalmente vem à tona nesse último episódio. O ator com seu jeito sério, sombrio e com sua voz suave e empolada, mostra muita competência ao mostrar a verdadeira face do vilão mais sombrio, cruel e poderoso que toda a saga já teve.

Não podia deixar de falar sobre ele, o verdadeiro astro da saga “Star Wars”: Darth Vader. A transformação de Anakin Skywalker no marcante vilão da armadura negra serve aqui apenas como o marco do fim de uma era e início de outra (a trilogia original). A cena em que pela primeira vez podemos conferir sua marcante respiração, já pode ser considerada um momento clássico do cinema, que fez (e fará) diversos fãs sentirem aquele arrepio na espinha por estarem vendo nascer um dos maiores ícones da cultura pop mundial. Hayden Christensen tem de se orgulhar pelo resto de sua vida por um dia, ter vestido aquela armadura.

Se para George Lucas “Star Wars: Episódio 3 – A Vingança dos Sith” representa o alívio e a sensação de missão cumprida. Para nós, representa o fim de uma magia que acompanhou anos e anos nossas vidas, e agora, se torna apenas uma memória, que sempre será contada e mostrada aos nossos filhos, netos…

Temos de agradecer a George Lucas por ter feito essa obra prima (que inclui os 6 filmes), que simplesmente mudou a história do cinema e alimentou novas vidas nos corações de cada um de nós à espera de um novo episódio. Ele conseguiu dar o fim digno do seu merecimento, juntando todos os fios, que antes estavam soltos, que ligam a nova trilogia com a original. Agora, só nos resta a saudade daquela eterna briga entre o bem e o mal, decorrente na tal galáxia muito, muito distante.

Obrigado George Lucas, e que a Força esteja com você!