O lançamento de uma seqüência é extremamente complicado. Para quem gostou do primeiro filme (será que alguém não gostou?), é normal ficar com um pé atrás. Na maioria das vezes a seqüência fica muito aquém da primeira versão. Mas esse não é o caso de "A Supremacia Bourne", que consegue manter a mesma pegada firme do anterior, inserir mais casos inteligentes e aumentar uma tensão absurda herdada do primeiro filme nas seqüências de ação.
Jason Bourne (Matt Damon) está há dois anos afastado de seu passado, mantendo uma existência anônima ao lado de Marie (Franka Potente) numa tranqüila vila. Os únicos fragmentos de lembrança do que deixou para trás são pesadelos, olhares inexplicáveis de estranhos e telefonemas por engano. Sua aparente tranqüilidade é abalada pela chegada de um agente envolvido em um novo jogo internacional de perseguição que levará Jason e Marie a abandonar suas vidas. O Jason Bourne criado pela Treadstone – uma operação secreta envolvendo assassinos profissionais – volta à ação. Bourne fugiu de seu passado prometendo retaliações a quem voltasse a manter contato. É chegada a hora de manter sua palavra.
Nós temos uma espécie de casamento entre uma excelente história, uma ação imprescindível e ótimas atuações. Se você ainda captou do que se trata o filme, lembras de 007? Coloque um tom sério no filme e pitadas de tensão que faz você fica grudado na cadeira. Esse é "A Supremacia Bourne". Um fato interessante desse filme é justamente o estilo de filmagem em cenas de ações e a maneira na qual o diretor Paul Greengrass ("Domingo Sangrento") consegue passar a força de cada impacto. Em algumas cenas de luta você pensa que quem está apanhando é o câmera-man, já que a câmera treme tanto a cada movimento brusco dos personagens. Com isso, ele consegue passar um clima de realismo absurdo. Pode até nenhum golpe ter acertado, mas com essa técnica dá a impressão de que está todo mundo apanhando no set. E os impactos nos pegas de carro? Perfeito! Realismo absurdo e uma das mais tensas perseguições de carro dos últimos anos.
Para entender Jason Bourne você precisa se posicionar no lugar do personagem, sentir suas emoções e participar de cada uma das lembranças que ele tem na sua busca da verdade, da vingança e da reelaboração de si mesmo. Essa busca pela verdade citada, no caso, está ocorrendo assim como no filme anterior devido à amnésia que Bourne sofreu. A possibilidade de se reinventar faz com que ele queira uma vida oposta da que ele era acostumado, porém, o seu instinto de proteção faz com que ele elimine cada um de seus inimigos de forma magistral. Ele possui uma inteligência ímpar e é como uma das personagens fala enquanto está planejando sua captura: "Ele nunca age sem um motivo ou razão. Todos os seus passos são para um determinado objetivo". E ele realmente mede todas as suas ações e consegue protagonizar cada fuga eletrizante que não há palavras para descrever (lembre-se da cena do carro, por favor). Há cenas clichês no filme, normal como todo filme de ação, mas não chega prejudicar tanto o desenrolar da história.
Se o investimento de U$ 75 milhões não foi tão alto como o da primeira versão, o faturamento até então de U$ 170 milhões só nos EUA mostra que é realmente um entretenimento de qualidade. É um filme para adulto, com casos e situações inteligentes que exige do telespectador atenção do início ao fim para que a compreensão venha sem que você tem que perguntar a alguém do seu lado sobre determinando fato/caso. O filme é mais real, não possui o glamour do primeiro filme e se o tom sombrio faz com que o carisma com as personagens seja grande (apesar de que Bourne não sorri em nenhuma cena do filme, a não ser na foto que ele tirou com sua namorada). Se o primeiro filme tinha tudo coreografado como balé, nessa edição as lutas e cenas de ação acontecem sem que você ao menos imagine o que estar por vir logo em seguida.
Poderia muito bem resumir esta crítica a Matt Damon, mas cada um das personagens consegue atuar a altura do protagonista. Julia Stiles, Brian Cox, Joan Allen, Franka Potente e Karl Urban (que faz o caçador de Bourne) são peças importantíssimas para o desenrolar da história. Este último, no caso o vilão caçador de Bourne, consegue ser uma espécie de clone de competência do personagem de Matt Damon. Nas cenas iniciais você pode perceber a frieza e a precisão do tiro de sniper (que apesar de não ter atingido Bourne, acerta em cheio a acompanhante dele).
Este filme é mais uma adaptação da série de romances de Robert Ludlum e que promete trazer mais ação, mais tensão, e uma série de casos e fatos inteligentes no terceiro de último episódio da trilogia: The Bourne Ultimatum. Dizer que Bourne é o melhor herói desses últimos anos não é eufemismo, e parafraseando um colega: "Pelo menos ele consegue se destacar sem soltar nenhuma frase efeito".


























