Críticas   quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Jogos Mortais: Jigsaw (2017): cadê a criatividade da franquia?

Jigsaw está de volta neste improvável oitavo filme da franquia! Prepare-se para péssimas atuações, um roteiro mal escrito e dois diretores que esqueceram de usar a imaginação.

Em seu sétimo filme, a franquia “Jogos Mortais” havia se despedido com um desfecho aparentemente definitivo. Todas as pontas foram (mal) amarradas e a história de Jigsaw parecia finalizada para sempre com a sua morte e também a de seus fiéis “seguidores”. Como dinheiro não nasce em árvore e uma vez que todos os filmes da cinessérie custaram muito pouco ao estúdio e renderam relativamente bem, levando-se em conta o valor investido, eis que o mirabolante criador de armadilhas mortais está de volta em “Jogos Mortais: Jigsaw“. E isso não é uma boa notícia nem para os fãs mais apaixonados da franquia.

Iniciando com uma cena de perseguição policial que parece trazer um desejado frescor para a franquia – já que todos os outros filmes se iniciam diretamente em uma das armadilhas mortais -, logo a trama descamba e apela para todos os clichês extensamente utilizados nos anteriores. Após o aparecimento de um corpo que possui todas as características costumeiras referentes aos “assassinatos” do serial killer Jigsaw, dois policiais e um casal de médicos forenses partem em busca do culpado do crime, que pode, inacreditavelmente ser creditado à John Kramer (Tobin Bell, de “12 Feet Deep”), que morreu e foi sepultado dez anos atrás. Tudo isso em paralelo, é claro, às infindáveis emboscadas fatais para meia dúzia de vítimas em uma espécie de celeiro.

Para os puristas, uma característica extremamente marcante em todos os longas de “Jogos Mortais” permanece inalterada: a má escolha do elenco. Todos, repito, todos os atores do filme possuem um nível de atuação que ultrapassa o limite do risível. Com isso, a totalidade do texto proferido por eles passa a não fazer o menor sentido. Não que os diálogos sejam bem escritos, muito longe isso, mas quando os personagens não conseguem te convencer, nem por um segundo, que estão passando por situações extremamente excruciantes ou que estão trabalhando à sério em uma importante investigação, a obviedade das falas passa até a incomodar menos.

Já que o assunto é roteiro, o que dizer de Pete Goldfinger e Josh Stolberg (“Piranha 3D”), que além de copiarem quase todas as propostas e soluções dos longas anteriores, conduzem a trama para um dos piores plot-twists da atualidade? Um feito ainda maior recai sobre os ombros da dupla de irmãos diretores Michael e Peter Spierig (do interessante “O Predestinado”) no momento em que eles conseguem destruir o último respiro de originalidade de toda a franquia, que é o invencionismo e a criatividade das armadilhas e das mortes absurdas. Além de não criarem nada novo em matéria de conceito ou estética, quando eles deixam de criar um motivo para que as pessoas continuem andando pelos labirintos de ratos programados por Jigsaw, as arapucas e seus resultados perdem toda a capacidade de assustar e provocar a famosa “ansiedade misturada com asco” na plateia. No resto, é somente mais um show de sangue falso e pedaços de cadáveres de borracha.

“Jogos Mortais: Jigsaw” não chega a ser um desperdício, porque restou muito pouco ou quase nada do potencial que a franquia gerou um dia. Muito longe de ser um bom filme como o primeiro, dirigido por um ainda desconhecido James Wan (“Invocação do Mal 2”), este oitavo exemplar da saga de torture porn mais conhecida do planeta até tenta apelar para o fã service, jogando na tela diversas armadilhas clássicas do passado, porém isso é muito pouco para este longa, que não passa de uma brincadeira sanguinolenta, repetitiva e por vezes enfadonha.

Rogério Montanare
@rmontanare

Compartilhe

Jogos Mortais: Jigsaw (2017)

Jigsaw - Michael Spierig e Peter Spierig

Corpos estão surgindo pela cidade, cada um encontrando um desaparecimento horrível. Enquanto a investigação continua, as evidências apontam para um homem: John Kramer. Mas como isso é possível? O homem conhecido como Jigsaw está morto há mais de uma década. Será que algum aprendiz assumiu o manto de Jigsaw, talvez até mesmo alguém de dentro da investigação?

Roteiro: Pete Goldfinger, Josh Stolberg

Elenco: Laura Vandervoort, Tobin Bell, Hannah Anderson, Brittany Allen, Tina Jung, Callum Keith Rennie, Matt Passmore, Mandela Van Peebles, Michael Boisvert, Misha Rasaiah, Josiah Black, Attila Sebesy, Bonnie Siu, Sonia Dhillon Tully, Paul Braunstein, Shaquan Lewis, James Gomez, Brandon James Sim, Lauren Beatty, Sam Koules

Compartilhe


  • A Mãe dos Lamentáveis

    Assistimos esse filme aqui na Irlanda e foi uma decepção, meus tudos. Não vou dar spoilers, mas o real assassino é pior que o Hoffman dos anteriores. Pior mesmo. Prefiram peidar na mão e cheirar. É mais barato e vai trazer mais satisfação.

  • Bruno Mendes

    Como grande fã da série, montei uma cronologia completa com mais de 200 linhas de fatos de todos os 7 filmes, é óbvio que fui conferir hoje no cinema mais esse capítulo, assim como foi com todos os outros anteriores. Não diria que saí decepcionado. Acho que cheguei tão longe nas raízes da trama que sinceramente respondi a todas as questões do filme, desde a ordem cronológica dos acontecimentos ao novo vilão e seus motivos para levar o legado de Jigsaw. É tudo muito óbvio e jogado na sua cara. O espectador que viu os outros filmes por apenas ver, sem se preocupar com o destino de cada personagem ou se aprofundar na história, talvez até irá gostar desse novo. mas pra quem é fã de verdade, sinceramente não dá mais. Era melhor ter recomeçado de onde parou o sétimo:
    – Será que Hoffman morreu ou escapou?
    – Quem ajudou Dr. Gordon na captura de Hoffman?
    Esse novo filme abre precedente pra uma nova sequência, contudo, se isso acontecer, não fará sentido mais nenhuma história que envolva o personagem de Tobin Bell, o que, cá entre nós, é a alma da série. Conclusão: fecha a tampa e não mexam mais nisso.
    No mais, concordo com tudo que foi dito na crítica. É exatamente isso ai. Infelizmente.

  • Cicero

    Abri a critica. Vi que era do Rogério. Já fui nos comentários para ver o chorume e os mimimis. É Rogério…ta fácil pra você não. E pra ferrar ainda te dão os piores filmes XD

  • Ingrid Fernandes

    Muito fraco, filme rápido 70 min.. deixou a desejar demais, ficaram varias perguntas no ar, sem muito terror e sem muita emoção! Não recomento para quem assistiu os ultimos jogos mortais, decepcionante.

  • Gibran Felipe Cobra Teske

    1 – ausencia do pigmask jumpscare (o Hoffman e a Amanda eram bons nisso hehehe)

    2 – ausencia de ligação do filme novo com os filmes anteriores na cena da coleção da eleonor

    3 – nunca que o jigsaw consegueria sozinho montar aquele jogo do celeiro sem uma pessoa mais forte fisicamente ajudando

    4 – ausencia de alguem monitorando

    5 – twist muito fraco e ausencia do combo de flashback entre a explicação da falha atraves da fita

    6 – ja vimos o jigsaw instruir pessoalmente no 1, no2, no 3, no 4, e no 5. Não vi genialidade na cena da armadilha da espingarda

    7 – foi desnecessario ignorar o flashback do jigsaw preparando a reverse bear trap do 3

    8 – o filme teve uma boa protagonista, mas ela teve um final tosco fora que ela nem teve ligação com os filmes anteriores como a carly

    9 – do jogo do celeiro a unica armadilha que causou tensão foi a do silo que é uma armadilha tipica da franquia as outras foram fracas como a buckethead e a espiral que prometiam ser tensas no trailer

    10 – investigação fraca sendo que a eleonor foi a unica que sacou o segredo do Logan e por ser fã do jigsaw ela optou nao revelar

    11 – No final o Halloran pareceu o Demogorgon

    Pontos positivos:

    Billy the Puppet ele continua zoeiro como sempre
    Gran Silo Trap essa foi uma armadilha típica da franquia