Críticas   sexta-feira, 06 de outubro de 2017

Pica-Pau: O Filme (2017): nem a Thaila Ayala salva!

O desastroso filme do pássaro maluco de topete vermelho que ninguém pediu e que ele não merecia.

O personagem Pica-Pau, criado em 1940 pelo artista de Walt Lantz, é um ícone de diversas gerações e um dos desenhos animados mais famosos do mundo. Particularmente, na América Latina, ele é absurdamente querido e as reprises de suas animações são exibidas à exaustão na televisão. Então é claro que chegaria o dia em que alguém teria a “brilhante” ideia de fazer um filme sobre o pássaro, e assim nós “ganhamos” o novíssimo “Pica-Pau: O Filme“.

O nosso querido pássaro azul está lá numa boa, em sua floresta na divisa com o Canadá, até que uma família se muda para o seu habitat com o intuito de construir uma mansão horrível. Com suas artimanhas e maluquices, o Pica-Pau passa a atormentá-los para despejá-los dali, mas acaba se afeiçoando ao garoto Tommy Walters (Graham Verchere), que tem problemas com seu ganancioso pai Lance Walters (Timothy Omundson, da série “Supernatural”) e a jovem madrasta (Thaila Ayala, de “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo”). Seguindo a “formulinha” de longas live-action com personagens principais em CGI, a trama do filme é sobre as desavenças familiares e a já manjada lição à ser aprendida, quase não deixando espaço para as peraltices do topetudo ruivo. É um enredo inteiramente infantil e previsível, que não pretende, em momento algum, desafiar a inteligência das crianças ou agradar de alguma forma os adultos que as levaram ao cinema.

Com piadas de cunho escatológico – pasmem, um personagem chega a comer as fezes do Pica-Pau! – o longa é uma sucessão de cenas pavorosas de dramas familiares intercalados com as poucas travessuras do topetudo ruivo. Para cada gosma jogada pelo pássaro na personagem da esforçada Thaila Ayala, existe uma discussão moral rasa sobre paternidade e defesa ambiental. E a cada risada característica do azulão, somos “presenteados” com uma pequena lição de moral muito mal interpretada.

Chega a ser até covardia falar sobre os aspectos técnicos do filme, porque praticamente inexistem qualidade neles. A direção de Alex Zamm (“Os Batutinhas: Uma Nova Aventura”) é banal – um exemplo dessa falta de visão do cineasta, é a construção de uma das piores cenas musicais da história do cinema, em que a imagem não se agrega ao som de jeito nenhum –  e em consequência, as locações são pobres, a fotografia parece emulada de uma série de tv dos anos 80, as atuações soam exageradas e canastronas e a trilha sonora chega a ser miserável, não aproveitando em quase nada dos idílicos temas das animações clássicas. Porém, o que mais sobressai negativamente em todo o longa é a falta de qualidade da animação do Pica-Pau. Claramente sem orçamento para bons efeitos em CGI, a equipe de efeitos visuais falhou explicitamente desde a concepção e design do pássaro, até a sua movimentação, iluminação, fluidez e a interação dele com os outros personagens e cenários. Tudo soa absurdamente caseiro e falso, até mesmo para um hipotético padrão de filmes B.

Não existe muito a ser dito sobre “Pica-Pau: O Filme” na verdade. É um filme infantil de baixo orçamento, realizado com uma qualidade digna de (más) produções feitas para a tv americana, criado com foco no público da América Latina e especialmente o Brasil – não à toa foi escolhida uma atriz brasileira para protagonizá-lo! Há quem diga que um filme infantil não deveria ser criticado e que nós adultos não somos o público para estes filmes. Mas como bem disseram PH Santos e Jurandir Filho, os patriarcas do Cinema com Rapadura, em um vídeo para o Youtube sobre este mesmo longa: será que nossas crianças merecem estes filmes ruins que fazem rir apenas com piadas sobre flatulência e fezes jogadas nas pessoas?! E eu diria mais: será nossas crianças merecem assistir a filmes que nós mesmos não conseguimos tolerar até o final??

Rogério Montanare
@rmontanare

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Pica-Pau: O Filme (2017)

Woody Woodpecker - Alex Zamm

O brincalhão e travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas divertidas brigas por território, e dessa vez os inimigos são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Brittany (Thaila Ayala). Eles estão determinados a construir a sua grande casa dos sonhos mas, para isso, precisam derrubar a casa do Pica-Pau, que promete não deixar barato.

Roteiro:

Elenco: Timothy Omundson, Thaila Ayala, Eric Bauza, Eric Bauza, Graham Verchere, Jordana Largy, Scott McNeil, Adrian Glynn McMorran, Chelsea Miller, Jakob Davies, Sean Tyson, Patrick Lubczyk, Ty Consiglio, Emily Holmes, Kwesi Ameyaw, Eric Keenleyside, Karin Konoval, Keith Dallas, Shawn Macdonald, Norman Misura

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  • Gibran Felipe Cobra Teske

    nesse filme a Universal perdeu a chance de botar personagens clássicos que renderiam boas referências ao desenho como o Dooley (que seria o sócio do Lance), o cachorrinho do Pica Pau que morde alguém quando fica irritado, o Gato a jato (que renderia uma hilária perseguição com o Pica Pau), o Smedley (que seria o cão operário), o Dr Hans Chrucrutes e a Meany Ranheta enfermeira (que atenderiam o Lance). Enfim esse filme deveria ter sido feito pelo James Gunn que adaptaria fielmente o humor anárquico dos desenhos clássicos

    • lolô

      SUPER CONCORDO!

    • Pra falar a verdade, eu duvido que qualquer pessoa que tenha participado da produção deste filme tenha visto qualquer episódio do desenho!

  • Fernando Marinho Sousa

    Não acredito, porém já esperava. Irônico, mas real.

  • Maurício Rodrigues

    Já sabia que não ia prestar

  • Onemaster

    Em 30 anos nesta indústria vital está é a primei…a não, já aconteceu outras vezes.

  • Deivid

    O pior pecado do filme é não ter a verdadeira essência do personagem, nem sequer algo parecido com o clássico desenho de Walt Lantz.

  • Gyselle P. Teixeira Correia Li

    Esse mundo politicamente correto matou muitos desenhos, Pica Pau não seria diferente, um filme sem essência, sem vida, acredito que o filme do Popeye não será diferente! Será um fracasso!!!

  • Arnaldo

    Comentário destrutivo desnecessário, assisti ao filme, eu minha esposa, minha filha e meus pais, cinema repleto de famílias, todos muito felizes e satisfeitos e sem constrangimento algum com alguma cena imprópria, o que é normal hoje em dia, tudo o que se espera numa produção infantil, inclusive a participação de Tayla Aiala, indicadissimo pra toda a família.

    • Deivid

      Os críticos analisam o filme como um todo, independente de como estava sua sessão, se as pessoas estavam felizes ou tristes, não muda nada em relação ao péssimo roteiro do filme. Se você assistiu ao desenho na infância, sabe que de ”Pica-Pau”, esse filme só tem o nome.

  • Renato

    Acho uma critica muito técnica, que pode levar as pessoas a não assistirem o filme e já pré julgarem pelo texto como um filme ruim.
    Fui com 2 crianças (5 e 7 anos), e, embora eu também não tenha visto a essencia do Pica-Pau politicamente incorreto da minha infancia, as duas adoraram. E digo mais, foi e filme que mais gostaram recentemente, comentando e contando o filme por dias… ao contrario de “Lino”, “DPA”, “Lego” e “Emoji”, que vimos recentemente e simplesmente passou sem nenhuma importancia para elas.
    Aconselho a todos que tem criança a leva-los… a já batida (para nós adultos), historia sobre familia e preservação da natureza, ainda é uma boa novidade para elas, muito válida por sinal.

    • Bruno Cabrini

      Um filme que só agrada crianças de 5 anos continua sendo ruim, fera! O desenho antigo agradava todas ideias. Será que você não consegue perceber a fraude que estão vendendo?

      • Deivid

        Tem razão, o desenho clássico agradava a todos independente de faixa etária das pessoas, já esse filme nem criança que NUNCA viu o desenho tem vontade de assistir, imagina quem passou a infância assistindo, Se eu fosse Walter Lantz eu matava esse roteirista.

    • Roberto Jr. Gilnei

      O problema é que essa tendência de infantilizar personagens que não são originalmente infantis. O Pica-Pau original não era feito para crianças. Era exibido em cinemas na épocas, antes de filmes adultos. Não deveriam deixar a essência do personagem morrer. Parece que virou regra que todo personagem de desenho antigo, quando adaptado ao cinema, tenha que virar uma Peppa Pig, uma Galinha Pintadinha…

  • A Mãe dos Leitores

    Eu acho que esse filme deveria ser posto para dormir, meus rasgados.

  • Bongoman

    A quem pertence os direitos do Pica-Pau? E como deram o aval nessa tosqueira?

  • Silvio Lelis

    Ainda não assisti ao filme, mas apenas o trailer já dá para perceber que se trata do famoso tipo de filme “Ritalina”: só serve para prender a atenção das crianças enquanto os pais tiram umas duas horas de descanso.

    Pelo visto, nem pra isso serve…

    Excelente texto, Rogerião. Como sempre.

  • Fernando Marinho Sousa

    O desastroso filme do pássaro maluco de topete vermelho que ninguém pediu e que ele não merecia. Não tiro uma só palavra dessa frase. Filme tosco.