Críticas   quinta-feira, 28 de setembro de 2017

LEGO Ninjago: O Filme (2017): Um encaixe imperfeito de peças

Enquanto as animações anteriores conseguiram dar uma passo à frente e tornar as peças de Lego divertidas para o cinema também, este filme pode ser encarado como um passo para trás. É como uma peça mau encaixada que faz a montagem toda parecer estranha.

Desde o lançamento de “Uma Aventura Lego” em 2014, o potencial criativo para utilizar os clássicos brinquedos em bons filmes foi bem utilizado. O tema, já bem aceito em videogames, conquistou também o público dos cinemas. Assim, buscou-se explorar as miniaturas de diversas formas. É claro que a variedade de personagens já apresentadas como Lego, somada aos direitos que a Warner Bros. possui no cinema, permitiram a utilização de diversas franquias. Mas o mérito estava muito mais na criatividade do que nas referências. Esse é justamente o mérito que falta ao “LEGO Ninjago: O Filme”.

Nesta aventura, os amigos Lloyd, Nya, Cole, Jay, Zane, Kai são adolescentes comuns, enfrentando os problemas diários na escola. O que ninguém sabe é que quando a sua ilha natal, Ninjago, está sendo ameaçada, eles assumem o manto de valentes guerreiros ninja. Porém Lloyd precisa lidar com o desafio de seu principal inimigo, o Lord Garmadon, ser também o seu pai.

Resumir “LEGO Ninjago: O Filme” como um problema de roteiro seria um argumento ao mesmo tempo exagerado e preguiçoso. Primeiro porque há qualidades, inclusive no roteiro. Segundo, e principalmente, porque os problemas são muito maiores que um roteiro fraco. A começar com a tripla direção (que não necessariamente seria um problema), assumida pelos estreantes Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan, que muitas vezes parece não saber qual caminho seguir, principalmente durante as cenas de batalhas.

O filme busca, através de diversos subplots, criar uma narrativa de superação. Isso acontece com o grupo de ninjas (numa evidente referências aos Power Rangers) enfrentar desafios cada vez maiores, na tentativa do vilão conseguir dominar Ninjago, na relação de Lloyd com a cidade que o renega por ser filho de Garmadon. Além de uma referência à “Star Wars” na relação pai e filho que o filme busca desenvolver. Com tantas tramas menores, o enredo principal se perde. No final, parece uma somatória de curtas que tentam formar uma história, mas a execução torna a montagem confusa. Algo como um Lego mal montado (com o perdão da piada).

Lord Garmadon não consegue ser apresentado como um vilão cujas motivações justificam seus atos. As diversas tentativas de redenção o diminuem como personagem. Sua presença acaba soando forçada, e em diversos momentos é apenas uma justificativa para fazer a trama seguir em frente sem muito propósito. A falta de criatividade no uso de Garmadon como vilão torna o filme mais cansativo. No final fica a impressão de que boa parte da jornada poderia ter sido evitada sem uma perda significativa para a trama.

Ao contrário, Mestre Wu (dublado por Jackie Chan, “Kung Fu Panda 3”) é a personagem mais interessante deste filme. Sua participação é discreta e consegue fazer a trama seguir de forma inteligente. As lacunas que Wu cria são muito bem preenchidas ao longo do filme, o que torna sua presença ainda mais interessante, sempre levantando perguntas, o que funciona muito bem pela imagem de mestre que Wu carrega.

No restante, temos um filme com méritos aceitáveis, piadas que oscilam entre boas e previsíveis e uma confusão sem muita explicação. As personagens secundárias tem um desenvolvimento ofuscado pela tentativa forçada de criar uma interação entre Lord e Lloyd Garmadon. O filme ainda se perde ao apresentar uma (previsível) arma “super poderosa”, que tem como principal finalidade prolongar ainda mais o tempo do filme.

Sem conseguir atingir o mesmo nível de seus antecessores, “LEGO Ninjago: O Filme” é uma mistura de momento divertidos, com um roteiro simples e previsível e algumas piadas que nem sempre funcionam. Na tentativa de atingir tanto um público mais infantil quanto os mais velhos, o filme se perde no óbvio. É um passo para trás na tentativa de popularizar as miniaturas no cinema.

Robinson Samulak Alves
@rsamulakalves

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LEGO Ninjago: O Filme (2017)

The LEGO Ninjago Movie - Charlie Bean, Paul Fisher e Bob Logan

A batalha por NINJAGO City põe em ação o jovem Mestre-Construtor Lloyd, também conhecido como Ninja Verde, ao lado de seus amigos, que são todos guerreiros ninja secretos. Guiados pelo Mestre Wu, que é tão rabugento quanto sábio, eles precisam derrotar o vil senhor de guerra, Lorde Garmadon, “O Pior Cara de Todos”, que também é pai de Lloyd. Com duelos de habilidades e poderes, de pai e filho, o confronto épico vai colocar em jogo o futuro deste corajoso, mas também indisciplinado grupo de ninjas modernos, que terão que aprender a deixar de lado seus egos e se unir para encontrar e libertar seus reais poderes de Spinjitzu.

Roteiro: Kevin Chesley, Dan Hageman, Kevin Hageman, Bryan Shukoff, Bob Logan, Paul Fisher, William Wheeler, Tom Wheeler

Elenco: Dave Franco, Justin Theroux, Fred Armisen, Abbi Jacobson, Olivia Munn, Kumail Nanjiani, Michael Peña, Zach Woods, Jackie Chan, Randall Park, Retta, Charlyne Yi, Chris Hardwick, Robin Roberts, Michael Strahan, David Burrows, Ali Wong, Todd Hansen, Doug Nicholas, Pearl

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  • Alan Bitencourt

    Primeiro crítica do filme e pelo jeito a Warner e companhia deixaram a deseja pelo jeito.

    • Robinson Samulak Alves

      Ele é confuso. Talvez o problema foi ter entregue para três diretores sem muita experiência ainda.

  • Cristiane

    Nossa! Meu filho fará 5 anos em novembro e escolheu esse tema. Não vê a hora de ir ao cinema assistir. Já não estava empolgada para levá-lo…agora então… 😒

    • Robinson Samulak Alves

      É claro que sempre existe a possibilidade dele gostar. Mas eu não vi muitos momentos que prendessem. Definitivamente é o mais fraco dos três filmes.

  • apf78

    A série é melhor

    • Robinson Samulak Alves

      Eu vi alguns episódios antes de fazer a crítica e também achei mais interessante.