Críticas   quinta-feira, 20 de julho de 2017

Transformers – O Último Cavaleiro (2017): um exaustivo desastre

Em seu quinto filme da franquia dos robôs disfarçados, Michael Bay chega ao fundo do poço, entregando uma experiência cinematográfica cansativa, repetitiva, ofensiva e interminável.

Uma das coisas mais emblemáticas neste “Transformers – O Último Cavaleiro” são seus créditos finais. Não que o longa tenha uma grande cena pós-créditos ou algo do gênero, mas falo dos letreiros em si. Os nomes das centenas de profissionais envolvidos na produção aparecem e desaparecem quase num piscar de olhos, mais parecendo que ninguém envolvido, direta ou indiretamente, com a sétima arte estava muito ansioso por ter seu nome ligado ao projeto.

Honestamente, ninguém os culparia se este fosse realmente o caso. Quinto episódio de uma franquia que vem se mostrando cada vez mais exaustiva, o diretor Michael Bay consegue simplesmente ignorar toda e qualquer regra de storytelling e lógica narrativa neste amontoado quase aleatório de cenas que ele insiste em chamar de filme. O “roteiro” concebido por uma sala de escritores formada por Akiva Goldsman (“O Chamado 3”), Ken Nolan (“Falcão Negro em Perigo”) e pela dupla Art Marcum e Matt Holloway (“Homem de Ferro”) é um amontoado de tramas desconexas e incoerentes que não conseguem ter o mínimo de estrutura para se chamar de estória.

Após um prólogo que mostra que os Transformers estavam na Terra desde a época do Rei Arthur e estabelece o artefato misterioso da vez – um cajado de Cybertron que teria pertencido a Merlin (Stanley Tucci, de “Spotlight”), descobrimos que agora os terráqueos caçam tanto os “nobres” autobots quanto os malignos decepticons. Enquanto Cade Yeager (Mark Wahlberg, de “O Dia do Atentado”) luta para manter os autobots a salvo, uma nova ameaça vem do espaço recuperar o tal cajado. Sob a orientação de Sir Burton (Anthony Hopkins, de “Thor”), o “guardião da história secreta dos Transformers”, Yeager e a filósofa Vivian Wembley (Laura Haddock, de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, aqui transformada em um clone britânico de Megan Fox) partem numa busca para encontrar o artefato antes de todos, a fim de salvar o mundo.

No meio disso tudo, temos sociedades secretas, Optimus Prime descobrindo seus criadores e a origem da Terra, crianças se aventurando onde não deviam, cientistas da NASA em uma trama que não vai a lugar nenhum, soldados que tem preconceitos (não explorados) contra alienígenas, conspirações governamentais envolvendo o Coronel Lennox (mais uma vez vivido por Josh Duhamel), Transformers que servem apenas como esteriótipos raciais, Cade tomando sua Bud Light, cenas de ação extremamente confusas e a incrível descoberta de que o carismático Bumblebee é um veterano da Segunda Guerra Mundial e que lutou contra nazistas na Alemanha, algo que nunca teve sequer pistas de ser possível.

Buscando fazer uma ligação com a trilogia original, transformam a família Witwicky em uma ordem secreta liderada por Sir Burton da qual o personagem de John Turturro – que participa do filme literalmente por telefone – quer fazer parte! É incrível como um filme com tantos plots diferentes consiga ser tão vazio e fazer tão pouco sentido, mesmo dentro da própria franquia. Mais inacreditável ainda é que a própria caracterização dos Transformers tenha piorado do já terrível capítulo anterior, com destaque negativo para Hot Rod, aqui um francês reclamão, e Optimus Prime, que em 90% de seus diálogos nos lembra que ele é Optimus Prime, como se fosse o protagonista do filme “Amnésia”!

Não bastasse isso, Michael Bay e seus SEIS MONTADORES massacram a gramática cinematográfica ao entregarem cenas completamente desprovidas de sentido espacial, sendo impossível saber até mesmo quem está andando para onde. Ou compreender as setpieces dessa abominação cinematográfica. Os constantes tiroteios e explosões vindos do nada e exércitos de metal que parecem idênticos atirando para todos os lados, anulam qualquer tipo de investimento do público, servindo apenas para provocar dores de cabeça aos pobres espectadores em cenas que jamais justificam o 3D ou o IMAX empregado na tela – e as constantes mudanças de janela de aspecto também incomodam muito do ponto de vista visual.

A única pessoa que parece estar se divertindo a valer com toda a situação é Anthony Hopkins, que aliás, divide com o Transformer (que não se transforma) Cogman, seu diminuto mordomo, as duas únicas cenas que funcionam nas quase três horas de projeção. Também no amontoado de tomadas apresentadas por Bay, alguns momentos “massavéio” se sobressaem, mas nenhum com mais de dez segundos, Ah, e sabem a jovem Izabella (Isabella Moner), que tanto foi mostrada nos trailers, como se fosse a estrela do filme? Aparece relativamente bem no primeiro ato e depois simplesmente desaparece! Aliás, isso era o que eu queria fazer após esse verdadeiro atentado de 150 minutos contra a minha saúde mental; atentado esse que consegue ser tão ruim a ponto de referenciar o terrível “Esquadrão Suicida” em uma de suas várias cenas horrorosas!

Thiago Siqueira
@thiagosiqueiraf

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Transformers – O Último Cavaleiro (2017)

Transformers: The Last Knight - Michael Bay

Optimus Prime encontra seu planeta natal, Cybertron, agora um planeta morto, e descobre que foi responsável por matá-lo. Ele encontra uma maneira de trazer o planeta de volta à vida, mas para isso precisa encontrar um artefato que está na Terra.

Roteiro: Steven S. DeKnight, Robert Kirkman, Matt Holloway, Art Marcum, Michael Bay, Steven Spielberg, Jeff Pinkner, Zak Penn, Christina Hodson, Lindsey Beer

Elenco: Mark Wahlberg, Josh Duhamel, Laura Haddock, Stanley Tucci, Anthony Hopkins, Minti Gorne, Isabela Moner, Jerrod Carmichael, Santiago Cabrera, John Turturro, Liam Garrigan, Glenn Morshower, Mitch Pileggi, Tony Hale, Nicola Peltz, Peter Cullen, Erik Aadahl, John Goodman, Ken Watanabe, John DiMaggio

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  • Findman Returns

    nossa

  • Allan Prime

    Que isso Siqueira. Eu sei que vc não gosta da franquia mas não acha isso exagero não?

    • A Mãe dos Leitores

      Não, meu bem. Eu fui de graça por cortesia da agência e ainda assim eu me senti roubada. Filme beeeeeem meia boca.

      • Leonardo Augusto Baumgartner

        meia boca é o caralho, esse filme é uma afronta à sétima arte!

        • Flávio Henrique

          Um filme “boca inteira” seria um filme nota 10………Então “meia boca” seria nota 5?

          Então nota 1,já tá fase da dentadura?

  • Miguel

    De fato o filme é uma bosta!

  • Camila Maia

    O Miguel Barbieri da Veja disse que esse filme era ruim…e acredito.
    http://prontaparaoromance.net/

  • Marco

    Oloko fera!!! haha

  • NiLo Fernandez

    Depois que Steven Spielberg saiu da produção do filme,Transformers virou filme de sessão da tarde,filme pra criança!

  • junior

    Achei pesada a critica.o Filme realmente nao é lá Sensacional, Mais ainda sim é bom bom filme.Mesmo com
    Alguns desacertos ainda daria nota 4 ou 5 para este filme.Assisti o filme e garanto que a sonoplastia e a computação
    gráfica garantem o ingresso.abraço a todos

  • Felipe

    Michael Bay como diretor de filme é um ótimo diretor de comercial da Victoria’s Secret. Essa franquia nem se quer devia ter começado! Um dos filmes mais idiotas de todos os tempos.

  • Fernando

    Esse crítico e um bosta,quer criticar o filme, se fosse tão bom não era crítico era cineastra e não escreveria”estoria”Vai fazer algumas aulas de português seu burro…

    • Willian Bongiolo

      Significado de estória. O que é estória: Estória é toda história irreal, não verdadeira, fantasiosa.

      • Marco Paluan

        que foi adicionada como variação oficial como presidenta…
        segundo dados históricos o termo original era istória e história mudando apenas o H Fato real e não real, no entanto o termo istória caiu em desuso e história fora adotada para ambos os casos, agora criaram o termo estória, eu me recuso a usar este termo assim como me recuso a usar o termo presidenta, com sorte tb cai por desuso.

    • Manolo Carvalho

      Cara,tu é muito burro. Apaga que dá tempo ainda.😂

    • Podegoso Shumy

      Creio que você não tem nenhum argumento para rebater a crítica. E ainda escreve errado… estais certo, champs

    • A Mãe dos Leitores

      “Vai fazer algumas aulas de português seu burro…”

      Você também, meu capado.

    • João Henrique Assunção

      Puxa, cara… Corre até o “pai dos burros” (Google) e procure o significado da expressão “estória”. Depois apague seu comentário, por favor.

    • Jhon Anderson

      Hahahahh cara essa você conseguiu!
      O cara não dabe o significado de “estoria” chama o outro de burro e manda ele estudar português? Kkkkkkkkkkk
      Puts quando alguém quer passar vergonha na internet, passa!
      Intelegentão,maue tal você estudar um pouco antes? Tá precisando, e não é só no significado de estoria não.

  • Eduardo Silva

    Não poderia concordar mais com a sua crítica, Sicas. De longe uma das piores coisas que vi esse ano. Parabéns pelo texto excelente.

  • Lucas Oliveira

    Olha, eu não espero uma boa estoria de Transformers, até porque todo filme é sempre a mesma conversa; Transformers já estavam na terra ha algum tempo e escondem um segredo, que no final se resume a inexplicavelmente todos estarem cientes do fato e “dropar” instantaneamente a armada americana do cu de algum lugar na cena. Só quero ver robôs dando porrada em robôs e todos os efeitos dos tiroteios e das transformações, e nem isso esse filme teve. Puta filme BOSTA desconexo e sem sentido.

  • O grande problema dos críticos em geral é a “birra” e os interesses próprios, podem puxar todas as críticas de todos os filmes do Michael Bay sempre são esculachados, pelo simples fato de ser ele o diretor, eles fazem questão de citar any vezes o nome dele inclusive. Exemplo simples, em prática qual a diferença entre os filmes Velozes e Furiosos e os filmes dos transformers? São blockbusters que vem com o simples intuito de explodir tudo com cenas grandiosas. Eles já entram no cinema com a negatividade na cabeça só de ver que o diretor é o Bay. Simples assim.

    • A Mãe dos Leitores

      Bay quando quer é um bom diretor, meu dengo. Do mesmo jeito que o Sandler, quando quer, é engraçado. Só que há muito tempo ele não tenta mais. Está no automático e faz os mesmos filmes. Há excessões, 13 horas foi um filme relativamente bom, e olha só, do Bay. A Rocha é outro. Transformers não. É ele repetindo a história do segundo filme de novo e de novo (Transformers agora são caçados pelo Governo, vem um Transformer maior e que faz o Megatron de putinha, artefato de cybertron na Terra, luta na cidade. É a história do segundo filme sempre).

      • Concordo com vc, no caso do Transformers sou fã incondicional do primeiro filme, do segundo pra cá ficou muito redundante, porém o meu argumento foi com base nas críticas negativas de praticamente todos filmes que o Bay dirige, não sei porque essa “birra” com ele, por mais que a história do filme seja redundante, temos que concordar que do 3º transformers até esse temos algumas belas cenas de ação (ótimos efeitos) e uma ótima fotografia, só esses dois elementos já valem mais do que uma nota 1 que se pudessem eles negativavam (críticos). A marvel pode soltar qualquer filme que no trailer eles já dão uma nota alta.

  • Deivid

    Não acompanho esta franquia, Mas pelo que já li até hoje o único filme que prestou foi o primeiro.
    A crítica detonou o 2, 3, 4 e 5.

  • Pedro Henrique Penido

    Fui ler a crítica -> Vi que era crítica do Siqueira -> Nem li.

    A turma tem uma birra com o Michael Bay que é inacreditável. O filme pode não ser bom, mas nota 1 não é nunca. Recomendo não levar essa crítica em consideração.

    • Deivid

      Tem muito filme que a crítica detona e que é bom, vide Constantine, não foi nenhuma obra prima mas passa longe do ruim.

  • fany

    Concordo completamente com a crítica, gosto muito da franquia Transformers e estava ansiosa para esse quinto, mas na metade da sessão eu já estava cansada, o roteiro estava muito bagunçado. O filme foi realmente ruim e eu não assistiria de novo.
    Dessa vez nem os efeitos especiais conseguiram salvar o filme.

    • Junior

      compartilho do mesmo sentimento

  • Davos, o lula europeu!

    Estava eu, esses dias, ouvindo o rapaduracast sobre Transformers, e me deparei com o fato de que o Siqueira realmente não gosta da franquia, e ele tem seus motivos para tal ojeriza. Porém, nunca vou concordar com nota 1 pra um filme tecnicamente complicado de se fazer como este. Quem trabalha com computação gráfica, visual effects, enfim, quem trabalha na área de tecnologia sabe o quão difícil é fazer uma simples animação, quiçá tamanho projeto como transformers. Pelos esforços dos envolvidos, não posso dar menos que 4.

  • Jhon Anderson

    Quem deveria entrar na porrada é sua mente. Pra gostar de Trasnformes 5 já até imaginamos o tipo. Surpreende você saber escrever… Deve ter pedido ajuda pra escrever isso aí não foi? Confessa!

  • Debora Marques

    Faz me rir! nota “1” ? merecia no mínimo um 8, agora darem um “9” para esses filmes brasileiros lixinho vocês dão porque com certeza receberam uma graninha pra alavancar o que esses filmes brasileiros nem de perto chega a uma obra de vergonha, nojinho desses críticos.

    • Concordo plenamente, como em todos os seguimentos a imprensa sempre tem a sua parcialidade pelos seus próprios intere$$e$.

    • Junior

      Nao, eu discordo, eu fui ver esse filme com expectativas porque eu sempre gostei da franquia transformes, mas serio esse filme foi muito ruim, serio mesmo, muito confuso e acaba nao contando estoria nenhuma

  • Leonardo

    Foooda! Minha pipoca acabou e ainda estávamos a metade do filme…
    Foi difícil continuar assistir até o final.
    Hoje vou ao psiquiatra, esse filme mexeu c meus neurônios, 2:30hs sem entender naaada.

    Obs. Não sabia que Bumblebee era ” mutante” quebra e desmonta c facilidade.

  • MAX

    Que venha os prémios do Framboesa 2018, pois esse é de fato o favorito a levar os prêmios em todas as categorias!