Críticas   segunda-feira, 08 de maio de 2017

Ninguém Entra, Ninguém Sai (2017): show de esteriótipos sem graça

Uma comédia sobre um motel sob quarentena onde o sexo inexiste.... e a graça também.

Erro de concepção. É difícil se dissociar dessa ideia quando é preciso analisar um filme como “Ninguém entra, Ninguém sai“, já que é muito complicado compreender como um longa que se passa quase que totalmente em um motel não se utiliza do sexo, tão inerente ao local, para contar a sua história.

Quando um funcionário de um motel famoso do Rio de Janeiro (Paulinho Serra, de “Internet: O Filme”) é diagnosticado com uma misteriosa doença contagiosa, a polícia interdita o local e todos os “hóspedes” são impedidos de sair de lá por quarenta dias. Dentre eles, temos uma juíza linha dura sado-masoquista (Danielle Winits, de “Até que a Sorte nos Separe“) que está acompanhada de seu motorista, um casal suburbano em que a garota (Letícia Lima, de “Entre Abelhas”) só pensa em casamento, enquanto seu par (Emiliano D’Ávila, da novela “Avenida Brasil”) só quer se dar bem, uma dupla de adolescentes e um assaltante (Rafael Infante, de “Desculpe o Transtorno”), que para se refugiar da polícia, sequestra uma mulher que nunca obteve um orgasmo na vida (Mariana dos Santos, de “É Fada”) e a fez entrar no motel. Toda essa história é baseada em um conto bastante curto – e não dos melhores – do escritor Luis Fernando Veríssimo, que tem a intenção de ilustrar que tudo que é ótimo, se em exagero, torna-se sem graça. Só que aqui, o arremedo de roteiro não consegue transmitir essa ideia, já que o sexo praticamente inexiste no filme e fica difícil entender o que se perde então.

O simpático diretor estreante Hsu Chien Hsin, que já é um veterano assistente de direção, infelizmente não consegue “tirar leite de pedra” e segue a cartilha infame de filmar tudo como se fosse TV. Não existem planos diferenciados ou tomadas inspiradas. Tudo aqui é feito da maneira mais básica possível e de maneira até desleixada. A falta de constância narrativa também é bastante evidente, uma cena dramática e forçada no meio do filme, que não quer dizer absolutamente nada e nem tem porque existir de fato, é um dos exemplos mais claros dessa carência.

A seleção de elenco é outro erro que demonstra a falta de arrojo da produção. Praticamente todos os atores foram escolhidos por já terem desempenhado aqueles papéis em algum momento de sua carreira. É um show de esteriótipos que enrubesce até o fã mais obcecado de “Zorra Total”. Afinal quem nunca viu a Danielle Winits fazendo uma gostosona? Ou a Letícia Lima, interpretando uma suburbana voluptuosa carioca?? Ou pior, quem aguenta ver mais uma vez o inexpressivo Emiliano D’Ávila sem camisa e vivendo um cara meio burro e pegador??? Se alguém consegue se sair bem desse desastre é a atriz Mariana dos Santos, que por ser boa comediante, consegue ser engraçada até com texto ruim. Ah… e claro, não posso deixar de citar o grande Sérgio Mallandro, fazendo praticamente ele mesmo, que já faz rir só por aparecer na tela, imagine então fazendo uma piada com a inesquecível “Porta dos Desesperados”!!

“Ninguém Entra, Ninguém Sai” é um erro total desde sempre, afinal ser pudico com um filme sobre um motel não pode soar mais esquisito e errado. Soma-se a isso um show de esteriótipos extremamente sem graça, piadas primárias e uma produção sem ousadia alguma. Desse jeito, não tem Sergio Mallandro ou Sidney Magal que salve!

Rogério Montanare
@rmontanare

Compartilhe

Ninguém Entra, Ninguém Sai (2017)

Ninguém Entra, Ninguém Sai - Hsu Chien Hsin

Um acontecimento inesperado surpreende os casais durante seus encontros amorosos em um motel. Repentinamente cercado pela polícia, imprensa e curiosos agora ninguém poderá entrar, e pior, ninguém poderá sair do motel. Sem saber o motivo do cerco ou o que fazer para poder sair está instalada uma grande e muito divertida confusão.

Roteiro: Paulo Halm

Elenco: Catarina Abdalla, Karolina Albertassi, Monique Alfradique, Leo Bahia, Tatsu Carvalho, André Mattos, Renata Castro Barbosa, Paulo Bellei, Ricardo Boechat, Alex Cabral, Camila Carandino

Compartilhe


  • legiao

    Fazer o quê? Um ponto para a criatividade que é zero!

  • Fabio Melo

    Filme ruim demais!! 3.5 e muito pra ele. Levantei e fui embora antes do filme terminar.

  • senna_4ever

    como que nego tem coragem de colocar um ingresso a venda pra esse filme? só o trailer ja mostrava o tamanho da bomba

    • jesikakely

      clicar e baixar os filmes mais recentes em 2017 !!! copiar o link e abrir nova janela guia este link === >> 𝐎𝐍𝐋𝐈𝐍𝐄𝐇𝐃𝐍𝐎𝐖.𝐁𝐎𝐗𝐌𝐎𝐕𝐈𝐄𝐒4𝐊.𝐂𝐎𝐌