Críticas   quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood (2017): um agradável reencontro

Um filme que traz de volta o espírito do clássico oitentista e tenta se encaixar no cenário do humor atual, apostando sempre no carisma de seus personagens já marcantes.

Realizado pouco mais de três décadas do longa original, a elogiada adaptação do musical “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981), este “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” vem sem nenhuma grande pretensão e consegue ser eficiente dentro da proposta empreendida. Ainda que o time oficial esteja “desfalcado” e as estrelas restantes já demonstrem sinais de cansaço decorrente à idade, o caso de Renato Aragão e Dedé Santana, as gags cômicas recicladas e as muitas caras e bocas trazem, além de uma boa dose de nostalgia, a deliciosa sensação de rir com o humor digamos mais simples.

A trama, de fato nada surpreendente, é interessante por não deixar de lado a origem circense do grupo, bem como fala a respeito das leis atuais relacionadas ao uso de animais nos espetáculos e as dificuldades que a mídia especifica tem para se manter viva no mercado. Tudo contado pelo cineasta João Daniel Tikhomiroff de maneira orgânica, que sabe o que tem em mãos e não ultrapassa o limite físico e artístico da equipe – ainda que se observe uma rigidez cênica no que se refere a cenário ou colocação de atores. Fica claro que Tikhomiroff sempre opta pelo caminho mais fácil, e seu objetivo não é inventar a roda.

Talvez as piadas fora-de-validade possam soar deslocadas e causar certa estranheza por parte do público incialmente, mas sacadas como Vin Gasolina, Dan Stulbach interpretando Tom Hanks e as pegadinhas de Didi em cima de Dedé fazem jus ao estilo dos Trapalhões e divertem a plateia. O elenco de apoio formado por Letícia Colin, Rafael Vitti, Livian Aragão, Emílio Dantas, Alinne Moraes, Marcos Veras, Maria Clara Gueiros, Nelson Freitas e Marcos Frota transmite muita energia, todos parecem respeitar muito o material em questão e estão bem conectados.

E se existe um aspecto que merece ser ovacionado aqui são os números musicais comandados por Claudio Botelho e Charles Möeller, que utilizam bem os seus protagonistas, com coreografias que estão acostumados a realizar, e inteligentemente inserem corais durante as apresentações, dando um ar de grandeza aos números e causando catarse no público. Tal como a escolha das canções são pontuais, ainda que não tenham a mesma excelência do clássico anterior.

Então, como se pode notar, “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” não é nem de longe a ofensa que muitos previam, mas sim uma celebração gratificante que nos remete instantaneamente a uma época em que o humor simplório reinava e o circo era a janela para um mundo mágico. Didi e sua turma são figuras que estão eternizadas não apenas na história do cinema brasileiro, mas também na cultura popular do país. Ficamos então na torcida para que voltem e façam novas obras seguindo o estilo, a sétima arte certamente agradece.

Wilker Medeiros
@willtage

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Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood (2017)

Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood - João Daniel Tikhomiroff

O Grande Circo Sumatra está em meio a uma grande crise financeira desde a proibição de animais em espetáculos e Barão, dono do circo, acaba aceitando fazer leilões de gado, comícios e outros eventos alternativos no circo. Didi e Karina, artistas do circo, estão infelizes com a situação e decidem montar um novo número e, assim, tentar atrair o público novamente.

Roteiro: Mauro Lima

Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Letícia Colin, Emílio Dantas, Livian Aragão, Rafael Vitti, Marcos Frota, Alinne Moraes, Roberto Guilherme, Nelson Freitas, Maria Clara Gueiros, Marcos Veras, Dan Stulbach

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  • Mário Antônio

    Os Saltimbancos Trapalhões (1981) talvez tenha sido o melhor filme do grupo. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias levavam as crianças ao cinema quase todo ano durante o fim dos anos 70 e início dos anos 80. Além de investirem na sétima arte, todo o domingo, pontualmente às 19h, as crianças iam para casa assistir o programa, sem que as mães precisassem chamá-las. Assim acabava, de uma forma divertida, o final de semana da garotada. Infelizmente o novo filme não está em cartaz em Porto Alegre. Saberiam dizer por quê?

  • Wesley Chaves

    Não vi nenhum filme dos Trapalhões no cinema
    nos tempos de garoto, mas sempre que passava os longas do quarteto na TV eu assistia.
    Por isso fiquei contente ao ver a oportunidade
    surgir com esta continuação feita 36 anos depois do original, claro que
    nãos seria a mesma coisa, o quarteto agora é uma dupla e eu não sou mais guri.

    O filme em si é bacana, exatamente o que eu esperava, inferior ao
    original é claro, muitas vezes parecendo mais um homenagem do que um
    sequencia, mas legal de assistir.
    Se tinha algo que estava me
    incomodando era que em nenhum momento tinham citado o MUSSUM e o
    ZACARIAS durante o longa, até que nos 49 do segundo tempo, temos uma
    bela homenagem, que pela primeira vez me fez chorar em uma sala de
    cinema.