Críticas

Clock quarta-feira, 11 de janeiro, 2017 - às 10h22

Crítica | Assassin’s Creed (2016): um tombo sem feno para aparar

Havia em "Assassin's Creed" o potencial para ser o "Homem de Ferro" das adaptações de jogos para o cinema. Mas, assim como os melhores gráficos do mundo não podem salvar um game de péssima jogabilidade, nem o melhor dos visuais resgata um filme de ação entediante.

por Thiago Siqueira
11/01/2017 - 10:22

Durante a Comic-Con Experience, o stand que promovia esta versão para cinema de “Assassin’s Creed” tinha uma plataforma de seis metros de altura, de onde o visitante poderia simular o Salto de Fé, um dos movimentos mais famosos da franquia de game na qual o filme é baseado. Essa atração da CCXP era infinitamente mais divertida que o longa dirigido por Justin Kurzel, cineasta trazido pelo astro e produtor Michael Fassbender para repetir com Marion Cotillard a parceria que deu certo no elogiado “Macbeth – Ambição e Guerra”.

O longa acompanha Callum Lynch (Michael Fassbender), um condenado à pena de morte que é “convidado” a participar de um experimento em uma máquina chamada Animus, que o fará reviver as memórias de um de seus antepassados, Aguilar (também Fassbender). Sem saber, Lynch se vê no meio de uma guerra secular entre as facções dos quase anárquicos Assassinos – da qual Aguilar fazia parte – e dos controladores Templários, donos da fundação da qual Lynch é “hóspede”. No centro do conflito está um artefato conhecido como a Maçã do Éden, que permitirá os Templários erradicarem o livre-arbítrio da humanidade.

Infelizmente, o roteiro escrito a seis mãos – nunca um bom sinal – por Michael Lesslie (também de “Macbeth – Ambição e Guerra”) e pela dupla Adam Cooper e Bill Collage (“A Série Divergente – Convergente”), ao tentar dotar de alguma complexidade o conflito entre as filosofias extremadas de Assassinos e Templários, acaba sendo apenas superficial, jamais se aprofundando nas reais intenções dos grupos rivais ou mesmo nas interações entre seus membros.

O texto também se mostra desestruturado, com a narrativa não ganhando força ou dramaticidade com o passar do tempo. As grandes cenas de ação são espalhadas ao longo da projeção quase que aleatoriamente, com a primeira já aparecendo quase que no segundo ato. O resultado é um filme desprovido de ritmo, confuso em sua tentativa de demostrar ambiguidade moral e que se torna justamente a única coisa que um blockbuster não pode ser: chato.

Michael Fassbender se esforça o máximo possível para diferenciar Callum e Aguliar e dotá-los de alguma personalidade, especialmente do ponto de vista físico, mas jamais conhecemos direito os personagens ou mesmo suas motivações ou valores. As participações de Aguilar, aliás, praticamente se resumem às grandes cenas, ficando impossível simpatizar com o herói ou mesmo entender suas ações no decorrer da narrativa, mesmo com a presença de um elemento romântico descartável. O mesmo acontece com o seu Lynch, que se vê desprovido de um arco narrativo que justifique as mudanças pelas quais ele passa durante a projeção.

Os demais Assassinos e Templários, incluindo-se aí intérpretes veteranos como Brendan Gleeson (“Coração Valente”) e Charlotte Rampling (“45 Anos”), fazem mera figuração, algo decepcionante haja vista a importância que o personagem de Gleeson deveria ter para o arco de Callum. Já Jeremy Irons (“Batman Vs Superman”) se vê completamente perdido em cena, emprestando uma postura pseudo-imponente para um vilão que se revela desimportante no esquema maior.

A única personagem que tem um crescimento durante o filme é a criadora do Animus, Sofia, vivida por Marion Cotillard. Suas ações e motivações de fato convergem para uma mudança natural de sua postura para com a causa templária. Até mesmo seu nome, que significa “sabedoria”, possui uma razão de ser dentro do seu papel na trama. De longe, a figura mais bem explorada pelo roteiro, o que não quer dizer muita coisa.

O mais paradoxal nesta bagunça toda é que os envolvidos estavam visivelmente tentando respeitar a mitologia estabelecida nos jogos (ao contrário dos filmes da série “Resident Evil”, por exemplo). Não só isso, mas também se trata de uma produção feita com claro esmero visual e que leva o material a sério.

Algumas cenas parecem transplantadas diretamente da mente dos artistas conceituais para a telona. As sequências que se passam no século XV são especialmente extraordinárias em seu visual. Cada fibra de tecido dos figurinos e toda engrenagem das armas dos personagens parecem ter uma história própria. Mesmo com a falta de lógica em manter armamento funcional em caixas de vidro quando se está basicamente “hospedando” o inimigo, a direção de arte se mostra plasticamente impecável.

E são esses acertos que tornam “Assassin’s Creed” ainda mais decepcionante como cinema. O talento do elenco principal é inquestionável, assim como o look maravilhoso do filme, o qual não recomendo que seja visto em 3D por conta da escuridão de algumas das cenas. Faltou, literal e figurativamente, o “salto de fé” por parte dos realizadores em dar alguma voz aos personagens.

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  • Soro

    Pessoal do Rapadura ficou de fora da “rodinha” da Fox e como vingança meteram pau no filme. É a vida…

    • Deivi Pazos

      Mas todo mundo meteu o pau no filme.

      • Soro

        Assisti o filme hoje e discordo completamente da critica a cima. E uma tonelada de sites também elogiaram. Esse “todo mundo meteu pau no filme” não faz mais sentido.

        • Victor Cardoso

          kkk no final esse filme vai ser igual o warcraft, quem jogou gostou, mas no final vai ser visto apenas como aquele filme mais ou menos que n cativou o público geral…

    • Diogo Maia

      Não entendi. De que rodinha vc tá falando?

    • paulotutu

      O filme é ruim mesmo e ponto. Não entregou 10% do que foi prometido. Fato.

  • Edinho Bianchini

    Caea vc nem viu o.filme., eu vi ontem muito fraco msmo

  • gabriel gamas

    agora descobri o que esta acontecendo, é a nova moda de critica, falar mal de filme de jogo e falar que “nao chegou aonde eu queria”.
    o filme é simplesmente a historia base do primeiro jogo sem tirar nem por, e se o objetivo de uma adaptação nao é passar o feeling do jogo para as telonas entao eu nao sei o que é, eu me senti literalmente dentro do universo do jogo, deram uma aula da relação templarios x assassinos, é explicado de uma forma tao simples e tao claramente que ate leigos entenderam, pra mim o que pecou foi a falta de explicação da primeira civilização e da maça, apesar de ser citada o filme inteiro, n ficou claro o que é, o que faz, e quem fez ela, se tivesse uma explicação igual o final do assassins creed 2 que é um mind blow fudido, seria fantastico.

    o filme tem defeitos sim, a trilha sonora nao chega no seu 100%, fica so na tensao, tensao, e na hora de finaliza nao entrega, algumas explicações que eu citei ali considero um defeito, mas nao sei se teria outra forma, ja que tem limite de tempo/dinheiro, mas continua sendo um bom filme, um otimo entretenimento, dar 5 pra um filme que tem tantos desafios e consegui concluir a maioria deles perfeitamente, acho bem errado.

    mas o q eu tenho pra dizer é, quem é fã da franquia, quem jogou algum jogo, ou quem tem enteresse na saga assassins creed, va ver, nao se engane pelas criticas negativas, faça essa saga continuar nos cinemas.

    • A S M

      Para quem cita logo no início da matéria que “Homem de Ferro” é adaptação de jogo para o cinema, pode se esperar tudo de um crítico sem o menor conhecimento. Tenho idade suficiente para dizer com todas as letras que já assistia Homem de Ferro na tv, juntos com outros heróis da Marvel. Já assistia esses desenhos lá pelos anos 60, que quem tem mais de 50 anos se lembra. Logo a sequência certa é história em quadrinhos que virou desenho, que virou filme, que virou jogo. Assassin’s Creed pode ser comparado com Angry Bird’s ou Hitman ou qualquer outro jogo que virou filme.

      • Dizer que escrevo sobre cultura pop sem conhecimento de causa… Você deve ser novato por aqui. Portanto, seja bem vindo!

        E acho também que você não interpretou bem a minha frase. Eu coloquei que esse filme tinha potencial de ser para adaptações de games para o cinema o que “Homem de Ferro” foi para as de HQ.

      • Rodrigo Holanda

        Colega…o q o crítico quis dizer, ou melhor o q ele disse foi q o potencial de assassines cred poderia ser como Homem de ferro foi para o cinema, cada um em sua categoria. O q outras adaptações de jogos pra telona ainda não conseguiu essa poderia ter conseguido.

        • A S M

          Seguindo essa linha de pensamento, ele deveria ter escrito o seguinte: O que o Homem de Ferro foi (bem sucedido) na adaptação das histórias em quadrinhos para o cinema, o Assassin’s Creed poderia ter sido na adaptação dos jogos para o cinema. De qualquer maneira, valeu pelo comentário.

  • Victor Cardoso

    Poha, eu tb n gostei do filme, mas realmente, a parada de ”interromperem” o salto de fé por n conseguirem achar uma explicação mais plausível que uma carroça de palha foi mt preguiçoso, além de broxante…

  • Jennifer

    Eu que não sabia nada de AC e fiquei boiando boa parte do filme. Minha amiga que já jogou e conhece a história, adorou.
    Então acho que os fãs vão adorar pq eles inconscientemente preenchem as lacunas com o que já conhecem da história.

  • Nadinael Silva

    Concordo com algumas coisas da crítica, mas eu gostei. Nenhum é perfeito, talvez, transmitir o enredo de forma clara tenha sido o maior defeito. ja um amigo, quarentão (importante ressaltar, pois sabemos que o público está entre 15-25), adorou o filme. Enfim, eu gostei, entendo que pra fazer algo realmente bom, precisaria de mais tempo, mais dinheiro, enfim. Nos jogos temos dezenas de horas pra nos aprofundar, acredito que AC, é um filme pra pelo menos duas horas e meia.

  • Eduardo Luiz Borges

    Desculpa não sou critico e nem conheço muito da franquia Assassin’s Creed . Eu achei o filme bem legal, Mas não é o filme desse estilo que achei tão bom. Pra mim Silent Hill foi o melhor no gênero de adaptação de games.
    Mas mano do céu serio desculpa ate criticar isso. Só eu acho o Thiago Siqueira CHATO PRA CARAI!! quando Junta ele e o Izzy Nobre. MANO não aguento ouvir o podcast.. Até desanima.