Críticas   quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Anjos da Noite – Guerras de Sangue (2016): Uma bala de prata no peito da franquia

Um desastre do ponto de vista técnico, o longa consegue ao mesmo tempo desrespeitar a mitologia da franquia e enterrar o seu futuro.

A franquia “Anjos da Noite” é um caso… esquisito. Ela começou em 2002 como uma mistura de RPG da Nightwolf com “Romeu e Julieta”, mostrando a guerra entre aristocráticos vampiros e os selvagens lycans (lobisomens), com a vampira Selene (Kate Beckinsale) se apaixonando por Michael, um humano caçado por lycans. O segundo filme, de 2006, continua a história do ponto exato de onde seu predecessor terminou. Três anos depois, veio uma prequel (praticamente) sem Selene, mostrando o inicio da guerra entre as criaturas da noite.

A protagonista da série só retornou em 2012, quando “Anjos da Noite – O Despertar” mostrou vampiros e lycans sendo caçados pelos humanos e Selene descobrindo que tinha uma filha criada em laboratório, e Michael havia sumido. Este “Anjos da Noite – Guerras de Sangue” continua a trama deste ponto. Bom, em termos.

Pouco do que fora mostrado em “O Despertar” tem relevância aqui, com a guerra entre as duas raças voltando ao palco e os humanos mal sendo citados. Caçada por vampiros e pelo novo líder dos lycans, Marius (Tobias Menzies), que deseja o sangue de sua filha, Selene tenta dar fim ao conflito de uma vez por todas, tendo como aliados os aristocratas David (Theo James) e seu pai, Thomas (Charles Dance). Mas Semira (Lara Pulver), uma antiga rival de Selene, tem seus próprios planos.

Mesmo produzido por Len Wiseman, um dos criadores da franquia, este longa faz o que pode para passar por cima da própria mitologia estabelecida na série, ignorando até mesmo elementos que ele mesmo apresenta, o que demonstra a fragilidade do roteiro escrito por Kyle Ward (“Machete Mata”). Ward fracassa em dar o mínimo de coesão aos fiapos de trama deixados pelos longas anteriores. Não falo apenas de elementos do arco de Selene e Michael, mas até mesmo das próprias regras estabelecidas anteriormente.

A franquia não falava em magia, fincando as origens de vampiros e lobisomens em uma pseudociência, algo abandonado pelo novo longa que não só apresenta feitiços e magias como um conceito de pós-vida sem pé ou cabeça, jogando no lixo a (já pouca) coerência da série. As atitudes tomadas por alguns personagens são de uma estupidez indizível e a conclusão do plano da vilã Semira arranca risos da platéia, jogando por terra todo o esforço que a atriz Lara Pulver faz para dar alguma credibilidade à personagem.

Aliás, chega a ser triste ver Kate Beckinsale sofrendo para dar algum peso à Selene, tendo em vista o afastamento da filha, mas é sabotada por um roteiro que faz a protagonista tomar decisões que contradizem tudo o que vimos dela até aqui. Theo James faz cara de paisagem em todas as suas aparições, mesmo após uma importante revelação sobre o seu passado e Charles Dance se vê criminosamente desperdiçado em cena.

A diretora, Anna Foerster, é uma veterana da TV, tendo como principal em seu currículo seu trabalho na série de TV “Outlander”, mas se mostra completamente perdida nesta sua estreia na telona.

Algumas escolhas visuais se mostram pobres e bregas (vide o clã pacifista de vampiros), as lutas pecam pela falta de imaginação, as criaturas digitais são sofríveis e o 3D atroz misturado com os tons escuros da fotografia tornam o filme quase fisicamente doloroso de se assistir, mas tudo isso empalidece perante a tenebrosa montagem da produção. Foerster e o montador Peter Amundson (acreditem, um profissional gabaritado com ótimos filmes como “Círculo de Fogo” e “Hellboy” no cinturão) conseguiram errar até mesmo na condução de plano/contraponto em diálogos, inexplicavelmente picotando uma simples conversa entre dois personagens.

Desrespeitando seu passado e incapaz de construir novos alicerces para seu futuro, “Anjos da noite – Guerras de Sangue” é o ponto mais baixo de uma franquia que, em seu melhor, foi moderadamente divertida.

Thiago Siqueira
@thiagosiqueiraf

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Anjos da Noite – Guerras de Sangue (2016)

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  • TopMix Show

    Como posso descrever tudo isso! Estou totalmente decepcionado esperava mais desse filme, quando assistir bom queria sair do meio do filme, pois fiquei revoltado ela apanha mais do que bate e os que eu achava que ela iria matar com suas próprias mãos os que fez ela sofre n vir nada nada.
    E o pior quando ela entra na jaula com um vampiro simples pra demostra o treino, ela apanha mano nada a ver isso, essa diretora como mulher fez com que os homens desse uma surra nela. Prefiro o 4 esse ela detonou com atriz o melhor com o filme.

  • Jefys L

    isso ainda existe?…jamais me dei ao trabalho de ver um só exemplar, graças á Deus…

  • Manolo Carvalho

    Anjos da noite nunca surpreendeu,acho incrível que tenha chegado ao quinto filme. Antes tivessem feito um crossover com Blade,pra mim único exemplar de filme de vampiro que prestou por muito tempo.

    • Jefys L

      bem lembrado jovem…onde vampiros davam medo, jamais seriam muleques com tendências homossexuais e história imbecis…

      • Manolo Carvalho

        sim, na verdade aparecem agora diversos tipos de vampiros para tentar variar as histórias,mas vampiro bacana são os marginais sugadores sedentos de sangue. Podemos ver por exemplo em Vampiro: A Mascara diversos clãs de vampiros mas nenhum parecido com os de Crepusculo. Nem mesmo os Ventrue,tipos aristocráticos cheios da grana se parecem com eles. Então esses vampiros purpurinados só estragam os filmes.

  • Bruna Gasparelli Cdzinha

    Amei o filme e que venha a filha dela para ajudar no fim da saga!! Não deixou nada a desejar…

  • Alex Sabino

    Filme horrível, o pior da franquia. Deu até sono 😴😴

  • Mr.Kimchi

    Uma correção a se fazer no texto: Nightwolf é o índio do Mortal Kombat, a editora de RPG mencionada no início do texto é White Wolf