Críticas   terça-feira, 18 de outubro de 2016

Inferno (2016): deixai toda esperança de uma trilogia digna, ó vós que entrais

Robert Langdon está de volta, desta vez em uma aventura deveras genérica que lembra mais um cruzamento infeliz de péssimos episódios de "Castle" e "24 Horas".

Em 2006, o simbologista Robert Langdon de Tom Hanks fez sua estreia nos cinemas com “O Código Da Vinci“, perseguindo segredos ocultos do Cristianismo. Em 2009, Langdon se meteu em outro perrengue com a Igreja Católica quando o Vaticano estava sob uma aparente ameaça terrorista em “Anjos e Demônios”. Sete anos depois, Langdon volta à telona, novamente vivido por Tom Hanks e sob a batuta de Ron Howard com este “Inferno”, baseado no livro homônimo de Dan Brown, criador do personagem.

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O protagonista e os espectadores são jogados no meio da trama, com o protagonista sofrendo de uma perda de memória recente e despertando em um hospital na Itália. Caçado por assassinos e aparentemente por agentes da Organização Mundial de Saúde sem saber o motivo, Langdon e sua médica, Sienna (Felicity Jones), acabam sendo forçados a sair em busca de um vírus mortal, criado por um bilionário extremista (Ben Foster), que acredita que a superpopulação irá destruir a humanidade.

Seguindo pistas ligadas ao inferno imaginado por Dante em “A Divina Comédia”, o simbologista se vê sem poder confiar plenamente em sua mente e em meio a uma conspiração global, com o destino de metade da população mundial em jogo.

Ao ler a cartela de créditos do filme, vemos os nomes de talento envolvidos na produção, a começar pelo próprio Hanks e pelo diretor Ron Howard. Aí temos o experiente David Koepp no roteiro, um ótimo elenco de apoio, Hans Zimmer na trilha sonora… E os únicos que fizeram suas partes para o ingresso valer a pena foram Salvatore Totino na direção de fotografia e o designer de produção Peter Wenham.

Poderíamos ainda citar o ótimo ator indiano Irrfan Khan como o líder de um grupo de mercenários que é mais interessante que a batida trama do filme, mas o que realmente salva “Inferno” de ser uma total perda de tempo é como Howard, Totino e Wenham preenchem a tela com belos planos de diversos locais da Europa (especialmente da Itália) e criam belos cenários para os personagens passearem.

Chega a ser impressionante como, após três filmes, não sabemos de absolutamente nada sobre Robert Langdon além do fato dele ser uma Wikipédia humana metralhando o público com rajadas intermináveis de diálogos expositivos. Nem mesmo o carisma inegável de Tom Hanks ou as diversas muletas usadas por Koepp aqui conseguem dar alguma direção concreta para o personagem. Se passou uma trilogia inteira sem que sequer tenhamos um arco mostrando qualquer evolução do protagonista, que parece estar em uma série de TV policial dos anos 80 onde se apertava um botão de reset no final de cada episódio.

O roteiro de Koepp é tão pobre no sentido de desenvolvimento dos personagens que temos momentos que beiram o amadorismo, como o TOC de Sienna, apresentado apenas para ser abandonado, e até mesmo um personagem com grande importância para o mistério a ser solucionado que simplesmente some sem deixar vestígios ou alguém que se pergunte qual foi o seu destino. Nem mesmo a temática dantesca do vilão (que estaria mais à vontade tarde em um filme de James Bond dos anos 1970) é explorada a contento!

Some-se isso ainda a alguns plot twists que já estão batidos até mesmo dentro da trilogia, um relacionamento amoroso para Langdon que surge do nada (uma das muletas de roteiro as quais me referi) e atores talentosos como Felicity Jones e Omar Sy reduzidos a interpretar estereótipos ambulantes e temos o pior filme da série. Algumas setpieces até que funcionam, como o tiroteio em Florença, mas considerando que os arrastados 121 minutos de projeção são coroados ainda um clímax desprovido de qualquer lógica ou mesmo senso de localização espacial, não dá pra dizer que a ação do filme impressione.

Pessoalmente, sou fã de Tom Hanks e de Ron Howard. As carreiras dos dois falam por elas mesmas. O fato é que os dois simplesmente não acertaram com essas adaptações dos livros de Dan Brown. Bom, ao menos ficam as belas imagens em IMAX do tour do longa pela Europa.

Thiago Siqueira
@thiagosiqueiraf

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Inferno (2016)

Inferno - Ron Howard

O renomado professor de simbologia de Harvard, Robert Langdon (Tom Hanks) visita a Itália e se envolve em mais uma aventura envolvendo símbolos ocultos e corporações secretas. Ele se vê em uma jornada em que procura desvendar os mistérios do clássico da literatura "A Divina Comédia", de Dante Alighieri.

Roteiro:

Elenco: Tom Hanks, Felicity Jones, Omar Sy, Irrfan Khan, Sidse Babett Knudsen, Ben Foster, Ana Ularu, Ida Darvish, Paolo Antonio Simioni, Alessandro Grimaldi, Fausto Maria Sciarappa, Robin Mugnaini, Paul Ritter, Vincenzo Tanassi, Alessandro Fabrizi, Gábor Urmai

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  • Ouve algumas mudanças na fórmula batida do Dan Brown.

    Normalmente, tem a “mocinha bonita que ajuda o Langdon”, o “cara mau / Autoridade que na verdade é bonzinho mas é induzido a perseguir o Langdon”, o “Amigo e/ou confiante que na verdade é o vilão” e o “senhor fododão capangão quase sobre-humano”.

    Neste caso, misturou tudo. O Vilão sobre-humano era o bonzinho induzido (indiano com olhos esbugalhados) a mocinha era a amigo confiante que na verdade é o vilão (Felicity); e a autoridade induzida era a mocinha, e nem era induzida, sabia que ele era inocente o tempo todo.

    E essa agência de segurança do Indiano esbugalhado era o “Esquadrão Classe A+”?

    • paulotutu

      Spoilers. Spoilers para todo o lado.
      Eu já li o livro, mas tem gente que não leu/não assistiu o filme.
      Um pouco mais de bom senso faz bem.

      • Eu nem disse que hospitais não tem trancas e que a arma daquela policial era de festim para Tom Hanks acreditar na Felicity Jones.

        • Ué.

        • Strange Belo#eye of ajinomoto😜

          COMBO BREAKER !!!!!!!!!!!!

          • A velha da Organização mundial de saúde salvou o relógio do Mickey que ele perdeu “off-scream”.

      • Snydeus

        Bane esse cara spoilento… estragou o filme pra mim esse spoiler dele…

      • Strange Belo#eye of ajinomoto😜

        BANE ESSE CELSO POR FAVOR !!!!!!!
        ELE ESTÁ ATRAPALHANDO O PAULO “TUTU”…TUTU ?????
        TIPO O BARULHO QUANDO A LIGAÇÃO CAI ?
        KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

      • ELE ESTÁ IMPOSSÍVEL MESMO, TÁ MERECENDO UM BAN.

    • paulotutu

      Bem, não da pra esperar muito de alguém que confunde o verbo “ouvir” com o verbo “haver”.

  • Victor Alexandre

    Li todos os livros do Dan Brow e sou fã da série e de Robert Langdon.
    É muito triste você criar uma expectativa numa obra que é ótima (ainda vale a leitura do livro) e ver um filme bem fraco.
    Concordo com a critica do Siqueira, infelizmente, porque gostaria de ter dado um 10 para esse filme !
    abração e ótimo trabalho!

    • Eu queria um filme de “O Simbolo Perdido”… mas eles não tiveram culhões de atacar a franco-maçonaria!

      • O vilão é o filho do amigo sequestrado do Tom Hanks.

        E ele não morreu. Foi colocado numa câmera de privação de sentidos.

        O treco desta vez estava dentro do Monumento a Washington. A pirâmide é a “pontinha” dele.

  • Alguém contrataria o Obama?https://youtu.be/aRQLU3IwNYs?t=1m58s

  • Fernando Marinho Sousa

    Muito triste em saber que o filme é bem abaixo da média.

  • Ainda não li o livro, mas mesmo assim fui com a cara e a coragem pra ver esse filme confiando nos envolvidos. O personagem do Ben Foster é muito mal apresentado e isso só enfraquece a trama do filme que, mesmo próximo do seu final, não consegue ser salvo. Aliás, a forma como o mesmo encerra acaba decepcionando justamente para não apresentar uma oportunidade que seria interessante para a trama: a de discutir realmente o tema da super-população em si.

  • Deivi Pazos

    Assisti o filme , é sem duvida o pior da trilogia , muito fraco cheio de personagens sem carisma e totalmente clichês . Quase pego no sono assistindo essa bomba , pra mim o melhor ainda é Anjos e Demônios .

  • A S M

    Acho que depois de tantas críticas ruins, o melhor é economizar o dinheiro do cinema, pipoca e condução para um filme que preste. E esperar sair em DVD, BD ou Netflix, para assistir que sai bem mais em conta. O mais engraçado é que um filme ruim como esse ficar em cartaz três semanas no mesmo cinema, sem perder sequer um horário de sessão, só mudando de sala e outros bons com ótima crítica, só ficarem em cartaz 1 semana, vai entender…