Críticas

Clock terça-feira, 18 de outubro, 2016 - às 12h38

É Fada (2016): é bomba!

Baseando sua trama e seus personagens em meras caricaturas, longa não se sustenta minimamente em nenhuma das esferas que se propõe a explorar.

por Arthur Grieser
18/10/2016 - 12:38

Não conheço a Kéfera, muito menos o trabalho que ela desenvolve no YouTube. O pouco que sei sobre sua vida é resultado de uma rápida pesquisa que fiz antes de ver este “É Fada”. No processo, acabei por descobrir que, sim, há algum tempo, já tinha visto um ou outro vídeo em seu canal, mas nada que tenha marcado minha memória ou tivesse sido particularmente significativo, por assim dizer – o que não é nenhum demérito dela, diga-se de passagem. Em outras palavras, coloquemos da seguinte forma: não tenho bagagem alguma para julgar seu ‘carisma e talento’ como “youtuber” de sucesso que é.

A partir do momento em que ela resolve se aventurar nas salas de cinema de todo o Brasil, no entanto, contudo, porém, todavia, entretanto, não obstante, isso me dá o direito de deixar meus ‘2 cents’ sobre a obra em questão e o trabalho desenvolvido por ela nesta. Nada contra uma celebridade da web se lançar no meio cinematográfico, muito pelo contrário. Temos inúmeros exemplos ao redor do mundo onde tal projeto foi muito bem sucedido (em outros casos, mal sucedido também), não só em termos de internet, mas de artistas que ‘nasceram’ em outros meios e alcançaram o estrelato na sétima arte. O problema é que, aqui, não há basicamente nada de bom que possa ser dito em sua defesa, seja do filme em si, ou propriamente do seu ‘talento e carisma’ como atriz de comédia.

“É Fada”, baseado no livro “Uma Fada Veio me Visitar”, de Thalita Rebouças, ainda que o trailer com slogan “Kéfera é fada!” sugira algo diferente, acompanha a história da jovem Júlia (Klara Castanho), uma menina criada apenas pelo pai (Sílvio Guindane), de condições financeiras limitadas, mas com muito amor e carinho pela filha. Apesar da condição abastada da mãe (Mariana Santos), ela é completamente ausente da criação de Júlia e, quando aparece, é mais para atrapalhar do que para contribuir com alguma coisa. É aí que entra Geraldine (Kéfera), uma fada que perdeu suas asas após sugerir coisas erradas ao técnico Felipão no fatídico Brasil 1×7 Alemanha (sim, é isso mesmo), e terá em Júlia sua última chance de recuperá-las. Para isso, a fada terá que ajudar a garota com seus problemas familiares, na escola e até consigo mesma.

Dirigido por Cris D’Amato e escrito, a partir da obra literária citada, por Patrícia Andrade, Fernanda Ceylão, Sylvio Gonçalves e Bárbara Duvivier, o longa baseia simplesmente todos os seus personagens em caricaturas. Seja Júlia, a menina diferente e excluída no novo colégio, com suas ansiedades e anseios típicos da idade, sua mãe megera que mais parece a madrasta má de a “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), as patricinhas da escola, que são até mais bizarras do que as divertidamente interpretadas por Rachel McAdams e Amanda Seyfried em “Meninas Malvadas” (2004), ou mesmo a fada Geraldine, que para cada ponto de ‘fofura’ ou carisma, possui pelo menos cinquenta de ‘escandalosa’ e irritante.

Fica até difícil conseguir interpretar que tipo de mensagem o filme quer passar. “Não se aceite como você é, mude suas características para ser inclusa no grupo das garotas imbecis onde você estuda e pegue o jovem pretendido por uma delas só pra ser sacana, deixando o cara que é e sempre foi legal com você de lado“? Sim, porque por mais que, na reta final, o longa queira consertar esse tipo de situação (flertando até com um tipo raso e constrangedor de “crítica social”), o fato é que o conflito que desencadeia o desfecho da história só acontece por um desentendimento bobo entre Júlia e Geraldine, o que gera um mal-entendido no grupo das meninas e descamba também pro lado familiar, e não exatamente por uma mudança interna e real da protagonista (ou mesmo da fada, que fosse).

Sem graça, com soluções que beiram o ridículo para os problemas que a trama propõe ao longo dos pouco mais de 80 minutos de projeção, “É Fada” não consegue se sustentar minimamente nem como comédia, nem como fantasia, nem como um pretenso ‘drama social/familiar’ e muito menos ainda como cinema.

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  • Lawrence

    Até que o filme é divertido e engraçado. Só que tem muito palavrão desnecessário e cenas demasiadamente impróprias. Deve ter muitas crianças que foram ver o filme, afinal, é sobre uma fada.

    [SPOILER]
    O final foi horrível. A fada e a personagem principal se jogam do alto de um prédio, como se fossem se suicidar, mas quando quase estão chegando perto do chão da rua, voam. E se alguma criança que vê isso tenta pular de um prédio achando que vai voar? A pessoa que decidiu que a cena deveria ser assim é um debilóide.

    • Fake do Bugman

      Ah cara, pelo amor, criança não é burra não. Tomo mundo cresceu assistindo Tom e Jerry, Pica-Pau e filmes violentos dos anos 80. Isso é frescura. O filme é ruim mesmo. Não levo meus sobrinhos para assistir pq eles não são retardados.

      • Cris Tuxê

        Fábio, eu queria concordar com você. Queria mesmo. Mas infelizmente não posso, cara. Esse filme já foi visto por mais de um milhão de pessoas, e você começa seu comentário com “Criança não é burra”. Não faz sentido, entende? Se crianças fossem espertas, sequer existiriam youtubers tais quais os que conhecemos.

      • Jefys L

        isso mesmo..preserve as pequenas mentes destes jovens em questão…não é pq tem imbecis no cinema que devemos ser ou agir como tal e forçar outras a mesma coisa forçada…esse é o retrato de “artistas” desses de youtube da vida…não agregam nada e jamais farão a diferença, com raríssimas exceções….

    • Thiago Barros

      Sua colocação de imitar é um pouco exagerada cara

  • Renato Santos

    o filme começa errado já com o título, ou ninguém percebeu que é um trocadilho com “é foda”

    • Saturno, o Pogobol de Deus

      sério mesmo JÊNIO??? Tá de zoeira??? Ninguém percebeu, só você, ó senhor supremo das percepções.

      • Renato Santos

        vc é burro cara, que loucura.

    • Cris Tuxê

      Cara, quando você perceber Hufflepuff e Huff ‘n Puff vc vai ficar maluco.

  • Hatred

    O Brasil em termos de arte tem muito que evoluir e aprender.

    Só isso o que tenho pra dizer.

    • Bruno

      Eu jurava que nada poderia ser pior que o filme do Faustão…..

      • Jefys L

        ….faustão?..sério…certas coisas é bom nem saber que existem…..srsrsr

    • Leonardo Molina

      com base em que você diz isso?

  • Cris Tuxê

    Um(a) artista ou empresário(a) deveria tomar cuidado onde põe o seu nome. O que é vinculado ao nome de Kéfera que seja bom? Segundo os seus fãs, o canal de You Tube. Devia então se preparar antes de enveredar por outras áreas. Literatura (“Muito mais que 5 minutos” eu li e posso dizer que é bizarro) e Cinema (“É Fada” vou esperar no torrent) devoram os que caem de paraquedas neles. Desse jeito, de trabalho em trabalho, o nome Kéfera vai se transformando em sinônimo de coisa ruim. Uma pena, pois pelo que fiquei sabendo, a moça é criativa. E mentes criativas estão cada vez mais raras.

  • Cris Tuxê

    “A Kéfera é um máximo” (ANTHONYA, Shana)

  • André Luiz

    Ixi, rapaz! O Filme é uma porcaria? QUEM DIRIA, NÉ!?

  • NapoliThanos

    Ou seja, o filme foi pensado em ter somente a Kéfera, não o resto que compõe um filme.

  • Jefys L

    isso então confirma minha tese…idiotas saídos de youtube, com projeção em cinemas, s/ nenhum talento, continuam sendo idiotas, a única diferença é o tamanho da projeção de suas “faculdades mentais” (bem limitadas no caso)…Deus me livre ver essa bomba….

  • SeuLunga

    Alguém tinha alguma dúvida que isso seria um côcô visual ?

  • rodolphovictor

    engraçado esses títulos da galera que faz crítica. kkkkk