Críticas   terça-feira, 11 de outubro de 2016

Festa da Salsicha (2016): tirem as crianças da sala… e adultos também

Primeira animação da trupe liderada por Seth Rogen, o filme se resume a palavrões, referência a sexo e drogas e piadas fracas.

Comédia é como música, no sentido em que exige um timing certo para cada uma das notas para não se transformar em uma mera cacofonia de sons. Geralmente, Seth Rogen e sua trupe acertam no tom, mas aqui, em sua primeira empreitada animada, resolveram insistir em um samba de uma nota só.

E essa é a melhor definição que pode ser dado a “Festa da Salsicha”. Isso porque o humor do filme jaz apenas em sua escatologia. Claro, no decorrer dos seus 90 minutos o longa tenta usar metáforas para falar sobre religião, consumismo, relacionamentos, sexo, história e cultura pop, mas tudo isso se perde pelo fato de que o longa insiste em ser o mais nojento possível, mesmo quando isso prejudica o andamento da trama.

Escrito por Rogen e seus colaboradores habituais Evan Goldberg, Ariel Shaffir, Kyle Hunter e Jonah Hill, com direção de Conrad Vernon (“Shrek 2”) e Greg Tiernan (vários curtas da franquia “Thomas e Seus Amigos”), a história gira em torno de um grupo de produtos de um supermercado que acreditam que os humanos que os escolhem nas prateleiras são deuses que os estão levando para o paraíso.

Uma salsicha chamada Frank e sua companheira, a bisnaga Brenda, acabam caindo do carrinho de compras e tentam voltar para a prateleira, quando Frank começa a questionar seu destino e parte para descobrir a verdade terrível sobre os humanos, encarando ainda uma crise em seu relacionamento e a ameaça de uma Ducha psicótica sedenta por vingança.

Essa premissa, meio “Toy Story”, meio “No Mundo de 2020”, não passa de uma desculpa para Rogen e companhia desferirem uma rajada incontrolável de palavrões, profanidades, trocadilhos sexuais e baixaria. O longa passa tão longe da linha do politicamente correto que a linha virou um ponto. O lendário George Carlin também não ligava para o PC, mas suas piadas eram genuinamente engraçadas (e, não raro, relevantes). A questão é que o material de Rogen – adaptado no Brasil pelo grupo Porta dos Fundos -, só faz chocar e incomodar, pouco fazendo rir.

Não se trata de algo como o primeiro “Ted”, onde Seth MacFarlane conseguiu encontrar a mistura perfeita entre o doce e o provocativo. Qualquer subtexto que a trama pudesse ter, ou mesmo alguma ligação emocional entre o público e os personagens (geralmente algo no que Rogen acerta) vai pelo ralo justamente por conta da insistência do longa em ser o mais detestável possível, algo que chega a um clímax no terceiro ato, onde o que já não tinha freio se torna completamente descontrolado.

Visualmente, o design dos personagens é interessante (o antagonista Ducha é um dos que melhor representam a imaginativa antromorfização dos produtos do supermercado), mas o orçamento enxuto da produção não dá muita margem para espetáculos visuais. De todo modo, o co-diretor Greg Tiernen está acostumado a fazer o máximo com pouco dinheiro e a produção não decepciona neste departamento, conseguindo até mesmo fazer algumas referências à Pixar no decorrer da projeção.

Eventualmente, uma ou outra piada funciona, mas o longa como um todo jamais engrena e mais parece um forçado exercício narrativo de mau gosto do que um filme propriamente dito.

Thiago Siqueira
@thiagosiqueiraf

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Festa da Salsicha (2016)

Sausage Party - Conrad Vernon, Greg Tiernan

Dentro de um supermercado, os alimentos sonham em serem escolhidos pelas pessoas e se mudarem para as casas dos compradores. Mas eles nem suspeitam que serão cortados, ralados, cozidos e devorados! Quando uma salsicha descobre a terrível verdade, ela reúne outros alimentos com a tarefa de voltarem ao mercado e avisarem todos os colegas do risco que correm.

Roteiro: Ariel Shaffir, Kyle Hunter

Elenco: Seth Rogen, Kristen Wiig, Jonah Hill, Bill Hader, Michael Cera, James Franco, Danny McBride, Craig Robinson, Paul Rudd, Nick Kroll, David Krumholtz, Edward Norton, Salma Hayek, Anders Holm, Scott Underwood, Sugar Lyn Beard, Conrad Vernon, Ian James Corlett, Michael Daingerfield, Jason Simpson

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