Cinema com Rapadura

OPINIÃO   domingo, 09 de novembro de 2014

November Man – Um Espião Nunca Morre (2014): um fraco thriller de ação

Pierce Brosnan encarna herói genérico em longa bagunçado e sem o charme e eficiência da franquia 007 outrora protagonizada pelo astro.

november_man_posterPierce Brosnan vive um espião ocidental aposentado que é chamado para uma última missão envolvendo a alta cúpula política do leste europeu. Qualquer semelhança com outro personagem famoso vivido pelo ator é mera coincidência. Afinal, este “November Man – Um Espião Nunca Morre” não chega sequer perto de alcançar o nível de diversão e eficiência conseguido pelos grandes “Bond movies”, inclusive aqueles protagonizados pelo próprio Brosnan, por mais que invista nos mais consagrados clichês do gênero e aposte no lado charmoso e canastrão do astro, outrora tão bem sucedido e lucrativo.

Escrito por Michael Finch e Karl Gajdusek a partir do livro de Bill Granger, acompanhamos Peter Devereaux (Brosnan), um ex-agente da CIA que é chamado pelo homem para qual trabalhava para uma última missão envolvendo um adversário que foi treinado por ele mesmo em sua equipe, Mason (Luke Bracey), e o candidato à presidência da Rússia Arkady Federov (Lazar Ristovski). Acreditando que este tenha cometido crimes durante um conflito na Chechênia, Peter parte em busca de evidências no passado do político que comprovem sua culpa e livrem o país do comando de tal pessoa tão perigosa.

Apesar do início clássico, com uma cena de ação que irá gerar consequências para todo o desenrolar da trama, o resultado obtido com tal sequência não é dos mais eficientes. Afinal, antes mesmo de sequer estabelecer quem são os personagens daquela história e a relação que eles mantém entre si, o longa joga uma enxurrada de informações no colo do espectador sem qualquer tipo de construção mais orgânica. Assim, com menos de 10 minutos de projeção, já temos que lidar com uma série de eventos ligados por efeitos de causa e consequência que não foram trabalhados para alcançar máximo êxito ante o público.

A partir de então, o problema se torna crônico. Personagens vêm e vão, entram e saem de cena sem qualquer apresentação mais sensível e organizada, novas camadas são adicionadas artificialmente ao enredo e a trama jamais chega a decolar. Some-se a isso uma direção confusa de Roger Donaldson que, apesar de orquestrar com relativa eficiência as cenas de ação, apela excessivamente para a câmera na mão, tremida, abusando dos cortes frenéticos e mudanças de foco que se provam basicamente inúteis e sem sentido algum.  A fotografia de Romain Lacourbas também pouco contribui nesse sentido, exagerando no uso de lentes teleobjetivas e enquadramentos fechados que só servem para provocar dor de cabeça no espectador.

Dessa forma, apesar do bom antagonismo entre Mason e Peter e das razoáveis sequências de ação, o longa é limitado e não chega a engrenar em nenhum momento. Investindo em clichês que permeiam toda a película, “November Rain – Um Espião Nunca Morre” sequer alcança satisfatória eficiência quando assumido como um filme genérico da ação. E é nesse instante que você olha para Pierce Brosnan e é inundado com um sentimento de nostalgia. Mesmo atuando com a segurança de sempre, não deixa de ser triste você olhar para o sujeito que um dia já representou o clássico James Bond e vê-lo fazendo um arquétipo qualquer do gênero. O tempo passou, infelizmente.

Arthur Grieser
@arthurgrieserl

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