Cinema com Rapadura

OPINIÃO   segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Lenda de Oz (2013): não estamos mais em um bom filme, Totó…

Mais uma versão da franquia criada por L. Frank Baum, este retorno à terra de Oz nos brinda com personagens insossos, músicas insuportáveis e um visual pobre incompatível com o alegado orçamento de US$ 70 milhões da produção.

imageA terra de Oz é um verdadeiro playground para cineastas, por ser um universo extremamente rico e de fácil expansão. Mas aí temos aquele velho e coloquial dito, “Se não sabe brincar, não desce pro play”. E, infelizmente, os realizadores deste “A Lenda de Oz” não souberam brincar.

Baseado livremente no livro “Dorothy of Oz” (escrito por Roger S. Baum, bisneto de L. Frank Baum), chamar esta produção de desastre é um eufemismo. Aproveitando-se de que a história de Oz, especialmente por conta da versão cinematográfica da década de 30, tornou-se parte da nossa cultura pop, esta animação se apresenta quase como uma continuação daquela fita.

Na trama, com roteiro de Adam Balsam e Randi Barnes, Dorothy tem seu lar no Kansas ameaçado por um avaliador do governo que quer condenar boa parte das casas de sua cidade após a passagem de um tornado. Apesar disso, a menina e seu fiel Totó são arrastados de volta à Oz pelo – agora inteligente – Espantalho, com a missão de salvar o reino das mãos de Bufão, o irmão desprezado da falecida bruxa malvada do oeste.

Boa parte dos personagens mais conhecidos do público, como o já citado Espantalho, o Homem de Lata, o Leão e a bruxa boa Glinda, são colocados para escanteio pelo longa, surgindo apenas esporadicamente. Os principais parceiros de Dorothy aqui são o obeso coruja, o valente e comestível Marechal Mellow e a Princesa de Porcelana.

O problema não está no fato de serem figuras menos conhecidas do público. O bom (e ligeiramente perturbador) “O Mundo Fantástico de Oz” apresentava Dorothy com outros companheiros e funcionava bem. A questão é que todos os personagens se mostram pouco imaginativos e formulaicos, com ações e papéis não apenas previsíveis, mas preguiçosos. O mesmo pode ser dito da própria Dorothy, aqui uma protagonista fraca e sem carisma algum.

Mesmo a condução do plot principal é feita aos trancos e barrancos, basicamente com Dorothy encontrando o seu grupo em meio à sua jornada para, finalmente, combater o vilão. Sobre este, apesar de fazer uma dinâmica entre o Bufão e o Avaliador ser bastante interessante, a dinâmica proposta jamais é explicada ou aprofundada, prejudicando a utilização do conceito. Já o Bufão em si é mais irritante que memorável, uma mistura de lacaio revoltado com um Gollum em roupa de bobo da corte.

Visualmente, o longa tem um desenho de personagens relapso, uma textura estranhíssima de pele nos seres humanos (inclusive nas cenas do mundo real) e cenários pobres e mal renderizados. Mesmo a animação dos movimentos dos personagens parece estranha, como se alguns trames demorassem a passar.

Para completar, as canções entoadas durante a projeção jamais empolgam, além de serem mal encaixadas na narrativa. Os diálogos rimados no reino da Princesa de Porcelana chegam a ser torturantes, ainda que durem poucos minutos. O mesmo não pode ser dito do filme em si que, apesar de ter apenas 88 minutos, parece se arrastar por uma eternidade. Recomendado apenas como castigo para crianças levadas.

Thiago Siqueira
@thiago_SDF

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