Críticas

Clock quarta-feira, 18 de setembro, 2013 - às 18h34

Invocação do Mal (2013): a volta do bom exercício do caos sobrenatural

Do criador de “Jogos Mortais”, longa revive a esperança de boas histórias de terror nas telonas.

por Diego Benevides
18/09/2013 - 18:34

Invocação do MalEm 2004, o cineasta James Wan se apropriou da já irregular onda de filmes de horror para dirigir e roteirizar o primeiro “Jogos Mortais”. A saga de Jigsaw estava apenas no começo, prometendo que um novo assassino em série marcaria o cinema contemporâneo após tantos outros vilões que ficaram conhecidos em Hollywood.

O projeto deu certo, mais precisamente até o terceiro filme, que ainda contou com a participação de Wan no script. Depois de seu afastamento, a franquia caiu bruscamente em qualidade, pecou pelo excesso e perdeu o frescor da novidade. Depois de outras experiências pouco marcantes, como “Gritos Mortais” e “Sobrenatural”, o cineasta lança “Invocação do Mal” para mostrar que ainda tem boas histórias de terror para contar.

Na trama, Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) são investigadores de eventos paranormais, sempre na tentativa de desmistificá-los e, consequentemente, diminuir o medo que as pessoas sentem quando são expostas a possíveis assombrações. Referência no assunto, o casal é procurado pela família Perron, que recentemente mudou de residência e desconfia que é alvo de forças malignas. O que os investigadores não sabiam é que o caso entraria para a lista dos mais complicados já resolvidos.

Ficcionalmente baseado em uma história real, a trama apresenta Lorraine e Ed como pessoas normais, discretamente religiosas, que entendem o além. Não só o além, mas as forças malignas, que querem se comunicar e prejudicar quem está vivo. Em uma palestra, eles mesmos brincam que são chamados de “caçadores de fantasmas” ou mesmo “loucos”, por trabalharem com um assunto que, por mais que assuste muita gente, ainda é tido como farsa por outra parte da sociedade.

A construção dos personagens pelos experientes Patrick Wilson e Vera Farmiga passa confiança às suas respectivas habilidades. Lorraine é vidente, enquanto Ed é demonólogo. A propriedade com que os atores projetam seus conhecimentos e suas vulnerabilidades torna a história bem mais palpável. Enquanto investigam os eventos paranormais na casa dos Perrons, eles também sofrem dramaticamente. Não são invencíveis, nem mesmo sabem tudo. Apenas encontram alternativas para “resolver o problema”.

O roteiro dos irmãos Chad e Carey Hayes, responsáveis pelos fracos “A Casa de Cera” e “Terror na Antártida”, também dá espaço para a família, principalmente para a figura materna, interpretada por uma excelente Lili Taylor. Casada com o personagem de Ron Livingston, eles têm cinco filhas, cada uma atingida de forma diferente pelas forças demoníacas. O motivo disso tudo é desmascarado no decorrer da trama, que tem seu ápice em um terceiro ato extremamente eficiente, que há muito tempo o gênero de horror americano não via.

James Wan é responsável por mostrar as diversas facetas que a história vai seguindo. No último ato, ele expõe o pânico não só para os personagens, mas também para o público, escolhendo o timing certo para causar medo, tensão e dar frio na espinha. Wan se diferencia também pelo uso estilizado de sua câmera, em destaque para as tomadas aéreas, combinando com a montagem dinâmica e clara que o gênero precisa. Ele não esconde seus vilões para sempre e sabe muito bem quando e como mostrá-los, sem comprometer os elementos surpresas ou causar falsas expectativas.

Ainda que conte uma trama acima do convencional, o longa se apropria de clichês do gênero, como o susto pelos elementos sonoros e as pegadinhas desnecessárias. Supostas referências a “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock, e à própria franquia “Jogos Mortais”, especialmente à figura de Jigsaw, são jogadas em tela sem muitos critérios e força dramática. O desfecho supõe, também sutilmente, uma sequência, que já foi anunciada para aproveitar a boa recepção do filme tanto pela crítica quanto pelo público. Agora resta esperar quantas histórias de demônios ainda serão exploradas com a mesma qualidade por Lorraine e Ed.

Saiba mais sobre: , , , , ,



  • O filme é excelente, está de fato acima da média dos filmes de terror atualmente. Porém, não concordo com uma parte da crítica: falar que Sobrenatural foi um filme pouco marcante. E ainda falar que Jogos Mortais só foi bom até o 3º filme.

    kkkkkkkkkk, esses críticos tem um desejo incontrolável de falar alguma bobagem nas suas análises, é impressionante. Tem que haver alguma porcaria na crítica.

    • Sorento, o malakai de Jerí

      Mas Jogos Mortais SÓ FOI bom até o terceiro. Por mim, a saga acabou com a morte do Jigsaw e da Amanda. O Hoffman foi um substituto muito “porco” como vilão da série.

    • cledson

      cada um tem sua opinião, eu só considero jogos mortais até o 3° filme, e eu nem sabia que James Wan tinha parado nele.

  • manolocarvalho222

    O melhor filme de terror da atualidade,no páreo de Mama,para mim.A crítica está muito boa,realmente percebi um abuso de sons para provocar sustos.Achei certas cenas desnecessárias como a mulher pulando de sobre o guarda roupa e os pés dela por detrás de Ed em uma tomada externa. Achei a escolha de Lili Taylor equivocada,parece que ela saiu direto de “A Casa Amaldiçoada”,sem nem mesmo trocar de roupa.Realmente jogos mortais teve seu ápice no terceiro filme e esse filme pra mim não precisaria de uma sequencia,não é o tipo de filme que precise disso, o assunto retratado é muito extenso,existem histórias de sobra.

  • Bruno Mendes

    Se tu assistiu ao filme achou bom, imagina quem já teve alguma experiência relacionada ao tema apresentado…sério, o desconforto e vontade de levantar pra ir embora é grande! Não por ser ruim, mas por ser sombrio demais!

    gostei, gostei mesmo!

  • Louise

    Fazia tempo que eu não era assustada por um filme. Invocação do mal é ótimo e me deixou dormindo de luz acesa por alguns dias. kkkk

  • João Henrique

    O marketing do filme foi pesado, me fazendo questão de assistir a estréia. Quando vi que um crítico americano julgando o filme tão assustador quanto O Exorcista (hors concours, na minha opinião), imaginei que finalmente, depois de quase 40 anos, conseguiriam realizar tal proeza. O filme realmente é bom, mas não assusta tanto quanto promete. Sendo dirigido pelo James Wan, o cara de Jogos Mortais (que eu gostei bastante), espera-se um pouco de terror psicológico, mas não, dessa vez o diretor a aposta nos sustos (quase sempre previsíveis, sem deixar de funcionar). Um grande acerto do filme foi a escolha do seu elenco, principalmente as mulheres que carregam toda carga dramática do filme nas costas. Lili Tayler (a moradora da casa assombrada e mãe de 5 meninas, isso mesmo, CINCO) e a Vera Farmiga (a demonologista com sensibilidade sobrenatural) têm muito potencial e elevam a categoria do filme em suas atuações. Ambientado na década de 70 (mesma década do lançamento de O Exorcista) o filme faz um bom trabalho de trilhas sonoras e figurinos. A casa que possui todos os elementos necessários para um filme de terror, muitas portas, mobília antiga, um lago turvo no quintal e um porão que estava lacrado e acaba se tornando cenários das melhores tomadas do filme. O trabalho de câmera do diretor é fantástico. Todos os ângulos são trabalhados fazendo com que a gente se “sinta em casa”, e esse é o segredo das sequencias funcionarem.
    Rico em clichês, o filme funciona mesmo assim. Não é o melhor filme do gênero, mas entretêm o espectador, fazendo valer o ingresso.

  • Jocimar Junior

    Na boa, o Diego sempre faz críticas ruins sobre filmes de terror.
    Ainda mais nesse estilo. Fica difícil montar uma coisa nova, sem fugir do foco original.
    Invocação do Mal e Sobrenatural são filmes ótimos, com atores melhores ainda.
    Não perde nem um pouco para filmes da década de 80/90

  • Roger Rodrigues

    Eu nao gosto do genero Terror porque na verdade eu sou muito medroso. Se assisti 10 filmes de terror na minha vida foi muito, olha que eu adoro filmes e cinema! Fui assistir forçosamente pelo meus amigos e tive uma ironica surpresa: o filme é ótimo. A época, as roupas, a casa, a historia, a familia, a trilha sonora, os atores… Mas mesmo assim procurarei evitar filmes de terror, deixei apenas esse comentario pelo fato de que talvez eu nunca tenha sentido tanto apreço e emoçao por um filme, uma vez que parece que nos ultimos anos cinema nao é mais cinema, nos esbarramos por ai em algumas raridades como esse longa. Viva as surpresas. Viva aos amigos que te levam forçosamente a assistir um filme que voce acha que vai gastar dinheiro atoa e descobre q cada real valeu muito a pena!!!

  • Eu já acho que 8/10 é pouco para o filme.

    Sinceramente? Um dos melhores filmes do gênero dos últimos tempos, sem a menor dúvida.

    Para mim, Sobrenatural foi muito bom, só pecou na dose de humor, já Invocação do Mal não pecou em praticamente nada, só uma ou outra cena, mas que no conjunto ficou irrelevante.

    Eu sei que o olhar crítico é complicado, pois cata nos miiiinimos detalhes algo para CRITICAR, mas esse ai para mim já virou CULT antes do tempo. Superou uma longa lista de clássicos e cults do gênero.

  • Rafael Barros

    Excelente e assustador. De fato, alguns clichês desnecessários são evidentes ao longo da trama, mas de forma alguma comprometem a experiência.

    Vera Farmiga como sempre, está excelente, apoiada por ótimas atuações de Patrick Wilson e Lily Taylor. Excelente trabalho de James Wan, da equipe de fotografia, figurinista e time de som.

    Recomendado!

  • Sério mesmo? Achei esse filme bacaninha, mas só!

    • Arthur

      Opinião do cara oras, rs

  • Anderson Lima

    Na boa, o ator Ron Livingston foi péssimo nesse filme!

  • Arthur

    Concordo com a crítica, mas daria 9,5 de 10 k k