Críticas

Clock terça-feira, 09 de julho, 2013 - às 17h37

Truque de Mestre (2013): ilusionismo ultrapassa limite do verossímil

Roteiristas e diretor se perdem em meio a trama original, dando vida a uma história recheada por exageros mágicos e personagens desinteressantes.

por Darlano Didimo
09/07/2013 - 17:37

Truque de MestreFachada de prédio que se transforma na carta secretamente escolhida pelo participante do truque. Fuga misteriosa e dramática de um tanque cheio de piranhas. Suborno decorrente de uma hipnotização bem sucedida. Já em suas primeiras cenas, “Truque de Mestre” mostra que não é um filme sobre mágicas comuns, dessas que vemos em programas televisivos. O objetivo aqui é surpreender tanto o público de dentro da película quanto o que o aprecia sentado na sala de cinema. Mas na ânsia por tal feito e também por uma história deveras original, a trama ultrapassa o limite do verossímil, entregando-nos um trabalho difícil de engolir.

Credenciado pela participação de diversos renomados atores, o longa traz como figuras centrais quatro mágicos: Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), o mais famoso; Henley Reeves (Isla Fisher); Merritt McKinney (Woody Harrelson); e Jack Wilder (Dave Franco). Observados por um homem misterioso enquanto exercem seu ofício, eles são recrutados para compor um grupo chamado The Four Horseman. A partir de então, o quarteto passa a chamar a atenção de todos por números que envolvem roubos a bancos e a homens milionários. Cabe então ao agente do FBI Dylan Hobbs (Mark Ruffalo) e sua companheira da Interpol Alma Vargas (Mélanie Laurent) investigarem o caso e exporem-se a sabedoria dos ditos cavaleiros.

Escrito por Ed Solomon, Boaz Yakin e Edward Ricourt, e contando com a direção de Louis Leterrier (“Fúria de Titãs”), “Truque de Mestre” traz uma primeira impressão até positiva. Dinâmico graças a uma edição esperta e uma movimentação de câmera digna de bons filmes de ação, o longa, porém, também já dá ideia de suas altas e perigosas pretensões. Entre sequências que extrapolam qualquer imaginação e utilizam-se explicitamente de efeitos visuais, o filme parece caminhar para discutir o limiar entre magia e ilusão, assunto bem explorado em “O Grande Truque”. Mas jamais o faz.

Citações em diálogos sobre o assunto logo são substituídos por conversas fúteis cheias de frases rasas de efeito ou mágicas megalomaníacas, porque essa é a meta do longa: embasbacar. Mas achando o roteiro  mais inteligente do que realmente é, Leterrier não só embarca na falta de sentido como a multiplica, desde a invenção de engenhocas tecnológicas até fazer sua personagem viajar dentro de uma enorme bola de sabão. Sim, o nível de “ilusionismo” chega a esse ponto! E o pior é que a história ainda tem a pretensão de tentar explicar alguns, apenas alguns, dos truques, quando não há como explicá-los, pelo menos cientificamente.

A trama vacila também na construção de seus personagens e suspense. Até que Jesse Eisenberg e Woody Harrelson trazem algum carisma, mas a falta de propósito nas atitudes dos mágicos e a concentração da história em Dylan Hobbs, o policial que investiga os “roubos públicos”, torna a película desinteressante a cada nova cena, à medida que o público se cansa do ritmo incessante da narrativa e descobre a falta de conteúdo da obra. Tudo seria menos trágico caso o protagonista de Mark Ruffalo não fosse tão idiotizado. São tantas as humilhações por quais passa, que é quase inevitável não torcer contra ele.

Hobbs ainda é responsável pela interação com a francesa Alma Vargas, interpretada por Mélanie Laurent. Mas a sintomática falta de açúcar entre os dois é tão explícita que é estranho acompanhar o crescimento da amizade entre a dupla. A relação é engolida por um suspense frágil e previsível, que envolve a verdadeira intenção das atitudes dos Four Horseman e a identidade do quinto integrante do grupo. Deixando para o desfecho toda a revelação dos mistérios, o filme é encerrado de forma não plausível como ameaçava se tornar em seu início.

Desperdiçando ainda o talento de Michael Kaine e Morgan Freeman, esse fazendo as vezes de Mr. M da trama (revelando segredos de mágicas alheias e também ajudando a desviar o foco do cerne da história), “Truque de Mestre” é daqueles trabalhos de boa aparência, mas que não chega nem perto de cumprir suas pretensões narrativas. Pode até divertir, especialmente para aqueles que optam por deixar o cérebro fora da sala de projeção. Para todos os outros, é uma grande besteira originada de mentes que não souberam controlar suas imaginações e delírios.

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  • Natália

    Não concordo com a crítica. Achei um filme muito bom, com um roteiro inteligente e original. Não me cansei nem um minuto durante o filme, achei super interessante do começo ao fim, com muitas cenas que me surpreenderam e me fizeram rir. Tenho certeza que entrei com meu cérebro na sala de projeção, e o usei muito durante o filme, tentando encaixar as peças. Acho que para poder apreciar esse filme precisamos usar muito nossa imaginação, e é claro, a lógica. O filme foi muito melhor do que eu esperava e eu pretendo assistir outras vezes para poder entender tudo direitinho.

    • Natalia, diga por favor quais foram as peças que você encaixou durante o filme, porque o final não fez o menor sentido com o que assistimos até então.

  • Concordo com a crítica! Os personagens não têm profundidade alguma e nenhuma grande motivação para fazerem o que fazem, a narrativa acaba se encaminhando para um final em que tudo é jogado para o espectador, mas que nada foi trabalhado durante o filme, e o truque de mestre é algo que só se vê no título.

  • diego

    Puta merda ja li umas três criticas de filme nesse site e sempre é negativa . parece que nenhum filme presta…façam um filme melhor então…adorei esse filme!!espetacular!

  • Felipe

    “…optam por deixar o cérebro fora da sala de projeção.” kkk’ Ri muito! Típico de grande parte do público brasileiro.

  • Hyla fabiana

    Quando saí da sala de cinema fiz essa mesmíssima critica mentalmente… com um toque de revolta que não se pode expressar o motivo, sob pena de soltar spoilers do filme…. mas acreditem, consegue ser ainda pior e mais revoltante do que a crítica indica.
    Minha segunda maior decepção do ano…. não deveria ter aguardado tanto por esse filme.

    • Phillipe Minhatos

      Curiosidade.. qual a sua primeira decepção esse ano ?

      • Se sua primeira decepção foi HOMEM DE AÇO, estamos juntos!

  • Arthur

    O filme realmente força a barra demais, em vários momentos. Também achei a “solução final” bem absurda!

    Foi prepotente demais, com roteiro fraco!

  • Luis Antônio Freitas

    Como diria Raphael Santos: “Não existe filme ruim, existe filme que não foi visto na hora certa.”

  • Neto

    Acho que os críticos assistem filmes na primeira fila. Uma dica, não olhe tão de perto pra esse filme, senão a mágica do cinema não acontece.
    Eu, assim como grande parte das pessoas que vão ao cinema, procuram diversão e entretenimento, e nisso o filme é muito bom e vale a pena. Merece nota 8.
    A propósito, com relação ao ilusionismo, ele já começa de forma espetacular, pois tanto eu como várias pessoas com que conversei escolheram a mesma carta que apareceu no prédio. Deve ser pq meu cérebro ficou do lado de fora da sessão ou pq fui ipnotizado pelo filme, rsrsrs.

    • Juliana

      Concordo!

    • Rodrigo Godinho

      Assisti o filme quadro a quadro, e das duas vezes que ele mostra o baralho a carta escolhida é a que mais tempo aparece e a que se repete, por isso escolhemos ela, e a que nosso cérebro conseguiu assimilar.

  • Sorento

    O filme é legalzinho,mas tem seus deslizes. A motivacão dos personagens é deveras patética (“Beleza. Vamos cometer esses crimes pra um cara que não conhecemos; vamos sacrificar um emprego que nos está dando milhões pra participar de um monte de missões suicidas com as quais nunca nos preparamos, afinal somos mágicos de rua, onde aprendemos a pilotar como pilotos de fuga profissionais e a operar tecnologia que claramente não tinha em nossas apresentações na rua?”). A ideia de como eles roubaram a senha da conta do patrão deles foi boa, mas mal aproveitada (Sério? Apenas duas perguntas e assim consigo sua senha? Que sorte não?). Não foi explicado o que diabos é exatamente o “clube do olho” e se a explicação foi aquelas parcas palavras que a agente da Interpol soltou, então sinto dizer que foi bem pobre então. Fora algumas mágicas que ainda podemos considerar que sejam plausíveis, mas dúvido existir uma explicacão para a meagica da bolha…alí partiu pro “qualquer coisa” mesmo.

    O filme poderia ter sido muito melhor. A ideia de misturar 11 Homens e um Segredo com Magia é algo muito legal se parar para pensar. Pena que não souberam trabalhar tão bem com o que tinham em mãos.

    • Wanderson Santos

      Li várias críticas a esse filme e NENHUMA e NENHUM comentário falava o óbvio que vc falou!! Eles simplesmente desperdiçaram um patrocínio milionário para tentar participar de uma “seita” ou “sociedade secreta” que eles nem sabiam se existia, o “garoto” ainda arriscando a vida dirigindo como louco pela cidade e brigando com policiais do FBI! O roubo a senha do patrocinador realmente foi um desafio a nossa boa vontade rs

      Mas a pior parte para mim, foi pegar o cara que fez uma perseguição implacável a eles durante todo o filme e colocar com o mentor de tudo isso! Ele simplesmente idealizou tudo rsrs E o ódio mortal que ele revelou ter do personagem do Morgan Freerman no final tbm KKKKK

  • Excelente crítica! Achei exatamente o mesmo. O filme é muito divertido e deve ser assistido com um grande balde de coca-cola e outro de pipoca ao lado. E só. O roteiro se faz de inteligente quando na verdade é fraco e ainda chama o espectador de burro no final. Para quem quiser, no meu blog eu falo mais sobre o que achei do filme:

    http://claroquepoggi.blogspot.com.br/2013/08/truque-tao-bom-que-engana-o-espectador.html

  • Ulisses Duarte

    O roteiro é pretensioso no início, e pouco tempo depois descamba para mais um filme produção hollywood que só agrada quem quer diversão rápida e efeitos especiais mirabolantes. O filme não aproveita os bons atores que o estrelam, e a trama é um emaranhado de coisas sem sentido, e que faz com que o espectador fique tonto de tanta pirotecnia e pouca qualidade narratica. Excelente análise, o filme é fraco. Tem gente que vai adorá-lo, e ainda defendê-lo como original e inteligente. É a geração Hollywood!

  • la

    amei o filme, mas a melhor parte foi quando eu sai do cinema e descobri q a minha carteira não estava na minha bolsa, serio eu pirei, achei que tinha sido assaltada no cinema,e ainda pior achei q alguém tava me zuando por causa do filme, revirei o cinema de uma forma psicótica, achei que todos q estavam na minha volta eram culpados, tava sem bateria pra ligar pra casa e perguntar se a minha carteira estava lá, ai a minha amiga me emprestou o dela quase me matando pq o dela tinha 5% , ai eu liguei e estava la em casa. Se vc leu ate agora, sim eu sou uma idiota hahahah.

  • Lucas

    Falar que um filme é ruim, que exagero! Foi bem legal o final.

  • Souza

    Essa crítica é uma idiotice. A mágica é bem construida, mágico.

  • Souza

    Felipe boa observação: “…optam por deixar o cérebro fora da sala de projeção.” kkk’ Ri muito! Típico de grande parte do público brasileiro.

  • Michael Oliveira

    Assisti esse filme ja esperando que nao fosse muita coisa pelas criticas negativas que ele veio tendo , mas eu nao esperava que fosse uma bomba . Filme muito pretencioso mas que nao entrega nada alem do carisma dos atores .

  • yuri

    Achei o filme muito bom, e isso e magica os truques nao sao pra entender o povo nao entendeu a graça do filme, acho que a critica ta olhando de muito perto kkkkkkkkkkkk quando o truque e em outro lugar nao e atoa que arrecadarao 230 milhoes com ele.

  • oloco, so agora que reparei

    no final ele aprece como o que fez tudo, eu nao tinha reparado mas,
    na capa do filme ele e o unico que esta vestido de branco, os demais estao de preto, ta ai uma das dicas que seria ele, o tempo todo eu pensei que quem estivesse por tras seria o velho!!

  • Diego

    Criticam tanto o filme, mas parece que estão cometendo o mesmo erro que falam o tempo inteiro no filme: Não olhe perto demais, senão não irá enxergar tudo.