Críticas

Clock segunda-feira, 22 de abril, 2013 - às 01h04

O Dia Que Durou 21 Anos (2012): um documentário fraco sobre um forte tema

Desfocado e lidando melhor com seus temas periféricos que com o plot principal, o filme trata de forma burocrática um dos momentos históricos mais tensos do nosso País.

por Thiago Siqueira
22/04/2013 - 01:04

O_dia_que_durou_cartazA ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964 foi, argumentativamente, o período mais sombrio do Brasil desde a proclamação da República. Por conta disso, é também um dos nossos momentos históricos mais ricos do ponto de vista dramático, servindo de ponto de partida para ótimos documentários e de pano de fundo para obras sobre as adversidades e privações sofridas pelo povo. Dentro do imenso rol de filmes e livros que lidam sobre o assunto, este “O Dia Que Durou 21 Anos” não se destaca entre os melhores.

Dirigido por Camilo Tavares, o longa tenta dissecar a participação dos Estados Unidos no golpe de 1964, começando no interesse estadunidense pelo Brasil após a renúncia de Jânio Quadros e a polêmica ascensão de João “Jango” Goulart à presidência. A partir daí, por meio de imagens de arquivo e entrevistas, a fita tenta montar o quadro da interferência dos primos ricos do norte no cenário político nacional com o avanço da ditadura.

A questão é que a intervenção nortenha não é dos ângulos mais surpreendentes a serem exploradas sobre a Ditadura Militar, até porque os EUA não chegaram a intervir diretamente no País, embora tenham chegado bastante perto. Inexiste, portanto, uma urgência maior no tema principal que segure a atenção do público até mesmo pelos parcos 77 minutos da projeção.

No epicentro da produção, o único destaque são as imagens de arquivo estrangeiras, que mostram a importância da política do Brasil lá fora, o que mina o complexo de nanico que acomete a maioria dos brasileiros, mostra a importância do nosso país no cenário mundial e contextualiza a necessidade dos EUA na sua desastrada intervenção.

Entretanto, a maioria dos bons momentos do documentário vem de plots introdutórios ou periféricos, com a tensão entre a renúncia de Jânio e a ascensão de Jango sendo o ponto mais alto da película. Também é interessante verificar que os militares até hoje defendem o golpe que eles insistem em chamar de “revolução”, com as exposições de ponto e contraponto sobre a defesa dos interesses capitais e nas reformas de base desejadas por Jango constituindo outra pedra preciosa dentro da produção.

Devastando a sua própria montagem (algo mortal no gênero), o documentário acaba se arrastando em entrevistas que fogem do tema principal e se envereda no sequestro do embaixador estadunidense em 1969, usando esse incidente como clímax, mas sem o devido contexto para o evento e mal preparando um crescendo para que se chegasse de maneira orgânica ali.

Além disso, o diretor lança mão de uma trilha sonora deveras intrusiva, que impede que o público se envolva nas informações que o longa tenta passar. O mesmo se aplica à própria estética da produção, com introduções absolutamente artificiais e animações que simplesmente não funcionam no contexto da obra.

Encerrando de maneira anticlimática com um slideshow dos presidentes brasileiros durante o regime militar, “O Dia Que Durou 21 Anos” lida de maneira excessivamente burocrática com um tema delicadíssimo de nossa história, afastando o elemento humano da equação e efetivamente alienando o público. Uma pena.

  • Carlos

    Se fosse dirigio e roteirisado pela mesma dupla de A Bosta Mais Escura, defendendo a tortura, cheio de inverossimilidades, e com uma agente da repressão ai seria um filme nota 9.

    • Leiam o ORVIL. Escutem um dos lados e depois formem uma opinião. É a coisa mais honesta a ser feita.

  • Joao Leonard

    E ainda assim foi premiado no 29º Long Island Film Festival, em 2012…
    http://www.longislandfilmfestival.org/awards-2012/

  • Dalya

    Crítica fraca, baseada em argumentos que não se sustentam. Existem, é verdade, inúmeros filmes sobre a ditadura militar no Brasil, abordada sob diversos enfoques, mas nenhum relatando a verdade histórica mostrada no documentário que, a propósito, deveria ser ensinada nas escolas.

  • Victor

    “Inexiste, portanto, uma urgência maior no tema principal…”

    Inexiste, portanto, um texto bem escrito. Inexiste também interesse do leitor em terminar de ler um texto tão malfeito.

  • Renato

    Que crítica é essa? O filme criticado é um documentário, não uma franquia comercial de Hollywood ou um videoclipe musical!!!!

  • Claudio Machado

    Tolinho.

  • Augusto

    Você queria o que? Um documentário sensacionalista? “Uma pena” (sic) o seu comentário, não o filme.

  • Antonio Carlos Silva Ferreira

    Eu concordaria com o autor se “O Dia que Durou 21 Anos” fosse o primeiro ou o único filme sobre o tema. Entretanto, exatamente por haver diversos filmes e matérias sobre o tema, não haveria nenhum sentido em ser apenas mais um filme sobre o Golpe de 64 mostrando o evento principal. O filme se destaca exatamente por mostrar um recorte pouco conhecido (inclusive a Operação Brother Sam) e por trazer depoimentos de pessoas importantes e protagonistas da trama e desvinculadas dos movimentos de resistência, além de documentos inquestionáveis.

  • Emilia

    ” até porque os EUA não chegaram a intervir diretamente no País” no próprio documentário, o Plínio fala que chamaram ele para um partido que era FINANCIADO pelos EUA, ai você fala um negocio desse?! Você foi assistir ao documentário ja pensando que ele não seria bom e nao prestou atenção alguma ao filme e fez esta critica RIDÍCULA.

  • Bruna

    Baixar o Documentário – O Dia que Durou 21 Anos – Com documentos e imagens inéditos da conspiração que derrubou o presidente João Goulart, com a participação do Governo dos EUA – http://mcaf.ee/3fjuv