Críticas

Clock terça-feira, 25 de setembro, 2012 - às 09h34

Ted (2012): ursinho boêmio estrela filme com ótimo senso de humor

Seth MacFarlane inicia sua experiência no cinema com bom êxito, apesar das fragilidades do roteiro supostamente feito para adultos.

Brinquedos sempre ganham vida na imaginação de qualquer criança durante a época da inocência. Mas e se um urso de pelúcia pudesse realmente ganhar vida? E mais, se ele prometesse ser um amigo inseparável? É com esse tom de fábula que Seth MacFarlane, responsável pelo sucesso “Uma Família da Pesada”, estrela, roteiriza e dirige a comédia de humor negro “Ted”.

Em uma noite de Natal, o pequeno John (Bretton Manley) deseja que seu ursinho Ted pudesse falar, para que eles pudessem ser amigos para sempre. Rejeitado pelos colegas, em uma rápida e cômica situação de bullying, John se surpreende quando o desejo é atendido. O “milagre” natalino transforma Ted em uma super estrela, que passa a coexistir na sociedade como qualquer ser humano. Agora aos 35 anos, a vida de John (Mark Wahlberg) parece ter mudado pouco. Por mais que trabalhe e tenha “responsabilidades”,  a convivência com Ted, um urso boêmio e desbocado, ainda o infantiliza. Quando sua namorada Lori (Mila Kunis) exige maior compromisso no relacionamento amoroso, John precisa deixar Ted um pouco de lado para tentar amadurecer, mas a tarefa não vai ser muito fácil.

É simplesmente impossível não simpatizar com Ted. Seja por sua tara por mulheres gostosas ou pela necessidade de estar sempre chapado, o ursinho tem um carisma natural. A voz forte de MacFarlane transmite sarcasmo e “maturidade” ao urso durante a fase adulta, sem perder o timing cômico. A relação de John e Ted não parece artificial e nunca fica chata. Não é estranho, a não ser para os pais de John durante a infância, ver um urso andando e falando com naturalidade. O questionamento sobre o tal “milagre” natalino não existe e é um ponto positivo do roteiro, já que poderia encaminhar a trama para o lado errado caso fosse levado a sério demais. Ted apenas ganhou vida e pronto.

Os conflitos de John, que namora há quatro anos com Lori, se intensificam quando a boemia de Ted ultrapassa o aceitável. Não é que John queira ficar longe do seu ursinho, mas é preciso regrar o peludão para que sua própria vida seja, no mínimo, mais séria. Mas Ted não dá descanso, nem mesmo quando ganha seu próprio apartamento. O ursinho desvirtua os objetivos de John, o que irrita Lori e a induz a um ultimato. Ou é ela ou Ted. Em paralelo, um vilão ainda aparece para complicar as coisas. Donny (Giovani Ribisi), acompanhado de seu filho, propõe a compra de Ted e não sossegará enquanto não conseguir.

As piadas quase sempre pesadas são a força motora do longa. Algumas beiram o constrangimento, mas é essa a intenção de MacFarlane. Não existe suavidade nas situações vividas por Ted, que sempre arrasta John para suas aventuras. O roteiro, entretanto, sofre com algumas pausas nos diálogos cômicos para se ocupar com subtramas pouco interessantes, como a relação de Lori com seu chefe Rex (Joel McHale) ou mesmo o vilanismo de Donny, que aparece canastrão e com motivações fracas. Donny não é engraçado, nem mesmo seu filho. Eles estão ali apenas para causar o já esperado ponto de virada para o terceiro ato, quando Ted precisa estar em perigo para fazer com que John e Lori percebam a importância dele em suas vidas.

Aliás, o roteiro também é ingrato com a personagem de Mila Kunis. Lori passa facilmente do julgamento da convivência turbulenta com Ted para uma super heroína que deseja salvá-lo. O mesmo acontece com John, mas é mais natural visto sua relação de 27 anos com o ursinho. Lori simplesmente muda suas intenções de uma forma forçada. Ainda assim, tanto Kunis quanto Wahlberg desempenham seus pepéis no tom correto, além do próprio MacFarlane que está em tela por meio da performance capture (saiba mais aqui).

Outro escorregão, talvez o mais grave, é fazer um filme para adultos que não adere completamente esse universo. Como diretor, MacFarlane não abandona o estilo infantil de encaminhar sua narrativa, que talvez tivesse mais êxito se assumisse completamente o tom de escracho. Afinal, a censura não permite crianças na sala e o filme não foi feito para elas. A ingenuidade de algumas situações atrapalha parcialmente o resultado do filme, mas não anula a comicidade da história.

O longa também está repleto de referências pops e nerds. Piadas com as cantoras Katy Perry e Susan Boyle rendem as melhores risadas e as gags sempre funcionam. Entretanto, a insistência em referenciar Flash Gordon beira o descartável. Participações especiais de Ryan Reynolds e Norah Jones compensam tais desvios de foco. E um fato: bom humor e desprendimento são necessários durante a sessão ou então “Ted” pode se revelar uma experiência traumatizante.

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  • Cavaleiro

    Crítica muito coerente. Vi ontem! E o filme só não foi perfeito,
    por causa da ingenuidade apresentada em algumas situações.
    Mas as piadas são sensacionais, praticamente todas funcionam.
    Ri do começo ao fim! Todos os atores estão corretos. Mas o TED,
    é ABSURDO! KKKKKKKK! Pra quem é da turma do “mimimi”, nem saia
    de casa para assistir TED. Vai se traumatizar! O filme sacaneia
    TUDO e TODOS. Agora pra quem tava sentindo falta de um filme com
    Humor Negro, Sacana e Cheio de acidez, é RECOMENDADÍSSIMO!

  • Vinicius

    Maldade! Filme é quase perfeito. Essa nota não é coerente, sacanagem. Filme é perfeito no que se propõe, ele ta ai para divertir e faz isso perfeitamente. Não lembro de ter me divertido tanto assistindo um filme.

  • Eric Zambon

    Não achei a mudança de comportamento da Lori em relação ao Ted forçada. Na verdade, fez perfeito sentido, visto que ela também conviveu com o ursinho por pelo menos quatro anos e no filme, em momento algum, ela deixa de gostar dele, apenas acha que ele atrapalha o crescimento do John… mas enfim. O filme é sensacional de qualquer maneira! Dá pra explorar muitas outras situações em uma possível sequência.

  • Anderson Luiz

    Uma ótima pedida concordo com “A Crítica”, mas bem que merecia um 8, a piada com a Katy Perry me fez dar unas boas gargalhadas pois assistir com minha irmã e ela é fã de Katy eu ri mais da situação do que da piada em si. Acho que o papeç de Donny ficou meio perdido no filme junto com seu filho e o que é aquela cena dele dançando, mas o que vale é o que vale e o filme mesmo com seu humor negro me comprou e agradou demais…

  • Vinicius

    Pena que o site não deu o destaque que ele merece… Escolheram Dredd, legal, porem um filme que não terei mais paciência para ve-lo uma segunda vez. Essa semana ainda tentarei ir assistir TED pela quarta vez, só estou procurando alguém que ainda não viu, ter a desculpa de assistir denovo. kk

  • Cibele

    Não gostei do filme. Achei bobo demais, com “humor” forçado…não vejo graça nenhuma em falar palavrões. Tem algumas poucas partes que da pra sorrir, mas nada muuuuito engraçado. Pra mim um filme sem pé nem cabeça. E olha que eu gosto das comédias tipo besteirol, mas esperava mais do filme pela polêmica do twitter. Não recomendo e não assistiria novamente. Pra falar a verdade fiquei com raiva de ter gasto dinheiro com esse filme. Entretanto, não tem nada de absurdo. O que é um ursinho fumando maconha em um país onde isso é o mínimo que acontece? Não sei porque tanto espanto…tem mt filme nessa mesma linha.

    • http://podcastcinema.blogspot.com Felipe Fraga da Silva

      cara tambem acho que teve palavrões desnecessário ,mas se fosse assim tropa de elite era pra ser o pior filme ,mas gostei muito e no filme coube

    • Gabriel

      “E olha que eu gosto das comédias tipo besteirol”

      Por isso você não gostou de Ted, que é muito mais inteligente que qualquer comédia besteirol. Você deve ser como as 4 “amiguinhas” do urso e curtir filmes do Adan Sandler. Se não gosta de palavrões seria bem melhor mesmo pra você ir assistir Cada um Tem a Gêmea que Merece.

      Ted tem piadas inteligentes, humor NEM UM POUCO forçado e referências que nem todo mundo vai entender. Como foi seu caso.

      • http://podcastcinema.blogspot.com Felipe Fraga

        não entendi o “o estilo infantil de encaminhar sua narrativa”

    • Cavaleiro

      Mimimi Mimimi Wiskas Sachê! KKKKKKKK!

  • Ricardo Pagliaro Thomaz

    Meu, eu não me divertia assim com uma comédia há muito tempo!

    Que filme bacana! Vou assistir de novo ainda, perfeito, como as boas comédias devem ser!

    As referências foram demais! Flash Gordon, Star Wars!

    Recomendadíssimo!

  • Daiane Larrea

    Tem que sacar as piadas! Quem curte Family Guy e The Simpsons, com certeza vai se identificar com o Ted. E olha que tive de assistir a versão dublada.. Um filme para adultos mas com humor sacana, sarcático..
    Recomendadíssimo!!

  • Pablo Iacovazzo

    Adorei o filme. Me senti particularmente agraciado, lisonjeado até, por ter sido tratado como um expectador com um mínimo de inteligência. Faz tempo que não assisto a uma comédia com piadas tão orgânicas e fluidas que não precisam ser didaticamente explicadas a cada cena. As situações estão lá, elas simplesmente acontecem, e isso funciona muito bem. As piadas e os gracejos simplesmente se sucedem sem maiores “tecnicismos” ou “filosofadas”. E isso foi ótimo, pois gerou risadas espontâneas, sinceras e sem culpa! Um dos filmes que mais gostei de assistir no ano, sem dúvidas!

  • Nando

    Acabo de ver TED em DVD e não consegui achar qual a grande graça que levou essa porcaria a agradar tanto a crítica especializada e o público em geral. Talvez tenha sido a simpatia pelo MacFarlane, que quebra tudo no bom seriado FAMILY GUY. É sério, lá pelo final, não fosse o linguajar do felpudo escroto, eu podia jurar que estava vendo alguma versão alternativa de ALVIN E OS ESQUILOS! Definitivamente, muito mais porrada que esse TED, foi o TEAM AMERICA – DETONANDO O MUNDO de anos atrás, dos criadores de South Park, feito com bonecos de manipulação, que parece que quase ninguém viu.
    Podem mandar as pedradas quem discordar, mas pra mim esse aí foi nada mais que enTEDiante.