Três amigos, um bar de esquina, um garçom amigável, muito chopp e conversas de baixo nível sobre mulheres. Algo familiar? Para grande parte dos homens brasileiros de classe média, sim. É com este apelo à identificação masculina que o diretor Felipe Joffily determina a base de seu terceiro longa, “E Aí… Comeu?”, adaptado da peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, que também assina o roteiro do filme ao lado de Lusa Silvestre.
O primeiro plano, onde um deles fala asneiras olhando para a câmera, capta instantaneamente a atenção e exige a presença imediata do espectador dentro do filme, puxando para fazer parte daquele grupo de amigos que logo depois será apresentado por completo.
Isto é narrativamente efetivo no momento em que nos previne sobre o que há por vir, evidenciando a temática adulta com teor escrachado, o que ameniza um possível estranhamento ou constrangimento em relação às situações que se seguem. O problema é que, devido ao conteúdo chulo e machista da fala em questão (condizente com o personagem), talvez apenas uma parcela específica do público se sinta à vontade em mergulhar na companhia de tais marmanjos boêmios. De qualquer forma, o filme conquista ou repudia seu público logo de cara.
Os personagens não poderiam ser mais estratégicos para esse tipo de comédia: Honório (Marco Palmeira) é o casado em crise de relação com a mulher (Dira Paes); Fernando (Bruno Mazzeo) é o solitário que não lida bem com o processo de separação da esposa (Tainá Müller); e Afonsinho (Emilio Orciollo Netto) é o solteirão com pinta de pegador, mas que se lamenta por nunca ter vivido uma grande paixão. Os estereótipos e os arcos dramáticos tirados da forma revelam a falta de originalidade do roteiro e a falta de competência do diretor, que se acomoda em um terreno seguro e sem grandes desafios.
Estes problemas de ordem dramatúrgica não seriam tão relevantes se a proposta cômica sustentasse um certo nível de entretenimento. Infelizmente, a qualidade do humor também é posta em questão quando 80% deste é baseado apenas em palavrões. O resto é somente um aglomerado de situações clichês sem função nenhuma para a trama a não ser a de antecipar cada vez mais o fim já esperado, fazendo a obra ser mais longa do que merece.
O clima de aconchego em relação ao ambiente do bar e de proximidade com os protagonistas são as únicas coisas em que o filme consegue acertar, mesmo com certas limitações. O local frequentando pelos três amigos tem um enorme potencial de sustentação narrativa. É quase um quarto protagonista, funcionando como a espinha dorsal dos diferentes arcos. O reconhecimento deste potencial é visível na ingênua tentativa de construir uma metáfora com seu nome, “Bar Harmonia”, representando-o como porto seguro dos personagens. Infelizmente, esta dimensão psicológica entre espaço e sujeito é mal trabalhada e até negligenciada, perdendo-se uma boa oportunidade de cativar o público naturalmente pela simples familiaridade com o ambiente, o que abriria espaço para um humor menos apelativo e mais funcional.
Uma vez que aceitamos a postura ignorante do filme de jogar na cara do espectador palavras de baixo calão e tomá-las como a melhor forma de divertir o público, qualquer tentativa forçada de aprofundar personagens soa como uma ofensa maior ainda. É bastante incômodo se deparar com sequências de conteúdo padronizado, onde nem mesmo os realizadores fazem questão de refletir sobre sua necessidade na trama. O resultado disso é uma grande contradição, um rebaixamento ao falso moralismo que desvalida todo o esforço anterior em realizar algo superficial, mas honesto e divertido.
Ainda assim, vale afirmar que a proposta de “E Aí… Comeu?” não é tão ruim quanto parece, tendo lá seu grau legítimo de entretenimento. Porém, a má condução narrativa e a despreocupação com subtramas importantes sepultam qualquer potencial cômico ou dramático. Uma abordagem mais intimista, mais focada nos personagens do que nas piadas (sem extingui-las) e menos refém de convenções teria rendido uma comédia bem mais digna.
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Thiago César é formado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mas aspirante a cineasta. Já fez cursos na área de audiovisual e realiza filmes independentes.



























16 Comentários
Lembrando, que pedofilia é crime.
Quando eu vi o anúncio desse filme eu já sabia que seria um fracasso.
Filme Brasileiro+Comedia Pastelao+Atores de novela da Globo:Lixo completo
Salve Galera
Simplesmente vergonha alheiam humor forçado e baixo, o filme se perdeu completamente no humor forçado e sem graça.
Abraços
Saí do cinema no meio do filme e profundamente ofendida. O filme é extremamente machista, com linguagem chula e coloca a mulher como um mero objeto sexual. Filme muito grosseiro.Admito que já não esperava muita coisa devido ao título e ao protagonista, porém resolvi dar uma chance. Me arrependi e não recomendo.
Eu fiquei em dúvida de assistir o filme, mas eu fiquei surpreso com o resultado.
Claro q filme tem furos de roteiros, algumas piadas são forçadas e ao mesmo tempo o filme tem uma linguagem mais de TV do q cinema, por causa do elenco global.
O filme diverte, feito para homens por isso q as mulheres ficaram ofendida.
Esse filme e superior Cilada.com(filme q eu odiei)
Por causa desse titulo,alguem acharia esse filme obra prima?
Não leve a serio esse filme,apenas se divirta.
O filme é maneiro pra cacete.. é q tem gente q vê filme esperando vê o filme da vida.. tem q saber diferenciar… se vc for ver comédia tem q saber o q te esperar é comédia..drama..drama.. enfim.. as pessoas esperão um palma de ouro em cannes.. e tb convenhamos as mulheres q se sentiram ofendidas é pq se identificaram..pq quem se ofende é pq tem culpa no cartório..esse critica do rapadura não tem pertinência alguma.. o filme é engraçado e retrata uma boa parte realidade do homem carioca..
Este comentário acaba de reforçar minha crítica.
Entretanto a pertinência da sua nota é muito limita, acho que deveria ter uma maneira de especificar as notas como: direção; atuação; seguimento do filme; roteiro; entre outras. E não jogar uma nota geral que é o que a maioria vê e nem leem a critica, no qual acho errado já que a critica explica o motivo da nota. Em relação ao filme
eu acho que em questão de humor escrachado é um bom filme, peca na direção, desenvolvimento dos personagens, sim peca, mas eu acredito que quem bolou o filme tinha noção disso e não deveria ser o objetivo. Um outro filme que as pessoas estão criticando é o Prometheus que eu achei excelente, mas a maioria ta falando ” não entendi, falta isso, falta aquilo, não explicou..bla bla”.nisso dá uma nota mediana para o filme só em respeito ao diretor…mas essa era a intenção de Ridley Scott e ninguem investe 100 ou 200 milhoes em um projeto furado…então voltando a minha idéia eu acho que deveria ter categorias de nota..poderia ser no final da crítica enfim..para não generalizar o filme…q as vezes uma pessoa que busca um determinado tipo de filme irá vê-lo..nas locadoras isso acontece muito..um cliente chega e pede um filme de ação e fala assim..tipo Steven Seagel (O.o) mas ele gosta..então temos q ser mais abrangente nas nossas notas e não nos focarmos no nosso universo.. Abraço
Toda crítica é pessoal, então primeiro devemos ter consciência de que isso é a opinião de uma pessoa. Não focamos nossa avaliação nas notas, o principal é o texto. Portanto, dar notas individuais para os diferentes aspectos do filme não irá ajudar em nada para quem só visualiza a nota e não lê a crítica. Já quem lê a crítica e compreende a visão do autor, não precisa se basear em nota nenhuma.
Ao contrário de muitas mulheres, não acho que machista seja um rótulo coerente ao filme. Apesar de todas as piadas chulas de bar e os comentários desnecessários sobre o corpo feminino, o que há por trás é uma clara mensagem de que os homens são completamente dependentes das mulheres.
Vinicius Henrique, Carioca boêmio que adora praia, boates e cinema.
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Olá, meus amigos..
Essa é uma simples avaliação de um espectador.. Quando digo isso, quero dizer um espectador, despretensioso que estava em casa e viu o anúncio de um novo filme ou um cartaz que chamou a minha atenção.. Não é nada profissional, não conheço as nomenclaturas do cinema, muito menos nomes de diretores ou suas biografias..
O filme retrata totalmente a realidade carioca. Eu e meus amigos nos identificamos 100% com os personagens, seja nas piadas ou no linguajar – chulo para alguns, para mim normal, nada mais que a realidade. Foi mostrado algumas fases da vida de um carioca, retratada em três personagens que poderiam ser 1 só, em diferentes épocas da vida.
FILME ÓTIMO. Me diverti mais vendo esse do que o Espetacular Homem Aranha ou Era do Gelo 4.
Thiago, acho que esse é um tipo de filme pra não se levar a sério. É comédia pastelão com clichês brasileiros, sim.
Me identifiquei com VÁRIAS situações apresentadas, e achei sensacional eles falarem aquelas baixarias todas sem pudor algum. Me arrancaram gargalhadas. Não é um filme pra ser admirado, é um filme pra rir e se divertir. Sem ficar analisando a maturidade da trama.
Acho que você falhou em entender o motivo desse filme. E alguns outros comentários antes desse que faço, reforçam isso. Também por isso sua crítica é falha. Faltou sensibilidade pra entender o “momento” do filme.
Continuo lendo seus artigos e sou fan do seu trabalho como crítico, mas dessa vez acho que sua interpretação é fraca.
Um abração!
Sensibilidade é uma coisa que este filme não requer para ser entendido. Compreendi facilmente a proposta do longa e fiz minha análise a partir desta. Não cobrei maturidade nem pudor, apenas um pingo de qualidade cômica. O humor baseia-se APENAS em palavrões, sendo totalmente apelativo. Inevitavelmente causa risadas, mas não quer dizer que seja um filme bom. O divertimento não tem nada a ver com a história, só com o linguajar. Qualquer outro filme poderia obter o mesmo efeito sem o menor esforço, apenas adicionando palavrões aos diálogos. Isso invalida qualquer mérito cômico que alguém possa atribuir a este longa. Fraco é o argumento de quem faz isso.
Concordo com você Bernardi, eu também me identifiquei varias vezes no filme, é um filme que retrata situações do cotidiano. ri muito nesse filme.
eu achei o filme extremamente machista porém essa é a proposta dos personagens, e esse machismo faz parte do contexto do filme.
O filme é realmente uma porcaria e de mto mal gosto, levei minha esposa e assim como ela, joguei dinheiro no lixo e nos sentimos de certa forma ofendidos e chateados por assistir a um filme brasileiro cujo cunho seja somente putaria. Sem mais.