A garota franzina que já era considerada símbolo sexual aos 20 anos, enquanto representava a índia que confundiu as ideias de Diogo Álvares Correia, em “Caramuru, a Invenção do Brasil”, somou uma década aos seus anos e provou que o tempo, ao menos para ela, foi generoso. Deborah Secco estrela o filme brasileiro mais quente da temporada com a certeza de que poucas vezes esteve tão em voga na mídia. O melhor de tudo é que seu trabalho está mais encorpado, embora ainda longe da perfeição, e sua beleza… é assistir pra ver.
“Bruna Surfistinha” é a grande aposta do cinema nacional neste primeiro semestre de 2011, ainda que seja imprudente destacar seu possível sucesso nas bilheterias. Levando em conta o trabalho massivo de publicidade, a divulgação involuntária causada pelo alarde criado em torno da adaptação e escolha da atriz, e o número de salas de cinema lotadas nos dias de estreia, espera-se que seja uma experiência bem sucedida, ao menos em padrões financeiros.
A verdade é que ainda em suas primeiras cenas o filme surpreende por suas qualidades estéticas e direção segura. E quando cito os atributos estéticos ainda não me refiro aos predicados físicos da atriz, que serão mais bem explicitados a seguir. “Bruna Surfistinha” não é fruto de uma adaptação amadora de um livro erótico e não se sustenta apenas no tema polêmico e na popularidade de seu elenco. A direção de Marcus Baldini consegue fugir do óbvio e, ao lado da fotografia, demonstra um trabalho cuidadoso da equipe envolvida em sua execução.
Em algumas sequências é possível perceber resquícios de um experimentalismo que Baldini carrega, talvez, de seu trabalho anterior na MTV brasileira. As cenas de sexo, sobretudo as mais elaboradas, são realmente interessantes, com cores, ângulos e distorções de câmera que merecem destaque. A estética erótica de Baldini passa longe do trabalho realizado por cineastas como o espanhol Pedro Almodóvar, que fez do sexo uma arte em “Carne Trêmula”, mas o resultado final de seus esforços para garantir alguma beleza ao ato é digno de reconhecimento e sinaliza uma carreira interessante pela frente.
Angulações e fotografia deixadas de lado, o ponto alto do filme é a disposição demonstrada por Deborah Secco na assimilação dos trejeitos e atitudes de uma garota de programa de classe média. É evidente que público e filme fazem um acordo no momento da compra do ingresso: “me dê duas horas de diversão e em troca finjo acreditar que Deborah tem 17 anos”. Incongruente ou não, a atriz faz esquecer a diferença de idades e se aproxima tanto do tipo imaginado para seu papel que é difícil perder tempo racionalizando defeitos.
A atuação de Deborah demonstra maior eficiência na segunda metade do filme, quando a personagem assume seu novo nome e nova vida. Até então, seus esforços não são suficientes para convencer como a garota insatisfeita com família e estudos. O trabalho da atriz não exibe a mesma naturalidade presente nas sequências em que Bruna esbanja seu sucesso, e os modos de garota confusa não correspondem ao tipo de Deborah. O mesmo pode ser dito das sequências finais do filme, quando a carga dramática do roteiro exige uma interpretação diversa daquela vista até então.
A grande falha de “Bruna Surfistinha” é a falta de profundidade, da equipe de produção e do elenco, demonstrada nas sequências dramáticas. Se a ousadia de Baldini fosse aproveitada e desenvolvida em tais momentos, o resultado final seria mais convincente. Duas soluções seriam possíveis para a questão: aumentar a duração do filme e se aprofundar no drama da personagem ou eliminar a fase decadente de Bruna. Sem tristezas e tragédias, a maior parte dos problemas do longa seria resolvida.
“Bruna Surfistinha” é entretenimento de qualidade, sem grandes ambições e propostas. Talvez por isso qualquer traço de ousadia técnica chame tanta atenção e marque pontos positivos. Nesse caso, o mais louvável é o esforço do diretor para fugir do convencionalismo e inserir sua marca pessoal em um filme sustentado publicitariamente por apenas um nome. Alguém ainda pensa em recusar aquele convite da Deborah?
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Jáder Santana é estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e crítico de cinema do CCR desde 2009. Experimentou duas outras graduações antes da atual até perceber que 2 + 2 pode ser igual a 5. Agora, prefere perder seu tempo com teorias inúteis sobre a chatice do cinema 3D.



























19 Comentários
Sem querer falar mal do filme, mas o filme tem alguma moral? É que nunca ouvi falar da “Bruna” e não sei a história dela.
Depende do que você quer dizer com “moral”.
Bem… vc sabe… a “Bruna” se arrepende de se prostituir… essas coisas.
se quer essa história, recomendo os filmes da disney, em lá eles tratam o tema bem e mal de modo bem razoável.
A moral é: Seja prostituta e crie um blog. Talvez façam um filme sobre isso.
Eu fui assistir o filme e gostei, na verdade é uma história de vida uma história sobre uma garota que errou muito na vida mas aprendeu com seus erros e isso é interessante de ver, o que mais me chateia é o preconceito que o filme sofre por uma boa parte das pessoas.
Eu não gosto de julgar ninguém por isso fui assistir o filme e gostei a história dela é muito legal e vale o ingresso
Bem, eu gosto da Deborah Secco.Não só pela beleza,mas tbm por considerá-la uma boa atriz.Ainda não vi o filme.porém,eu conheço bem o livro da Bruna Surfistinha: o doce veneno do escorpião.e me baseando isso,Acho que o filme é bom.mas, para confirmar isso,só assistindo mesmo.
Se arrependimento matasse, estaria morto. Acredito que a vida dela não se baseou apenas em sexo(90% da projeção). Faltou mais detalhes.
Hoje FINALMENTE assisto e venho aqui contar minhas impressões.
Assisti o filme e achei MTO BOM! Realmente o filme reatrata muito bem a vida da Bruna, de maneira que faz vc pensar nas suas escolhas, não se focando no sexo. O foco do filme é outro.
Super recomendo.
O filme é excelente. Faz uma leitura sobre a prostituta, um tema muito tratado na literatura e no cinema, trazendo uma estética muito intimista, ao falar das escolhas que a personagem (não a bruna da vida real, mas a fictícia, a criada pelo filme) fez e sua análise depois de seguir o caminho que escolheu. A crítica também é muito boa. Mais uma vez, estou de acordo com o portal.
Olha sinceramente acho que muitos como eu não considera a Debora Secco uma boa atriz, mas ela atua muito bem nesse filme cara, tem certos momentos quando ela ta viciada, e fica sem dinheiro me lembra um pouco Requiem para um sonho, desculpem se não gostarem da comparação, mas é a pura verdade, a maluca consegue se superar! Vale a pena! Assistam Nota:10,00!
Bom, o filme traz uma realiadade mundial, onde na direção Brasileira é transformado em uma sátira…
O filme não tem sentido algum, o personagem “Bruna Surfistinha” foge de casa afim de construir a sua própria vida e não depender de ninguém!
Será que em São Paulo quem não quer depender dos pais a única profissão é ser Prostituta?
O filme ficou focado em mostrar Deborah Secco nua e cenas de sexo…
Mais uma vez tentativa de alguma coisa :/
Tantas coisas para se preocupar e “Marcus Baldini” nos traz a vida de uma prostituta, com todo respeito mais em nosso País isso não é prioridade!
Que piada esse País viu!
Realmente nada de importante para o país!
Nada a acrescentar…
Concordo com XandeCity!
Tem coisas mais importantes que precisamos assistir para termos a conscientização de uma mudança social ativa, ao invés de acompanhar uma história de uma garota de classe média que decide se tornar prostituta para ser “independente”.
Até aonde vai essa hipocrisia cinematográfica brasileira?
Olha isso e simplesmente uma forma de mostrar a realidade em nosso pais. Tambem sou garota de programa e assumida. Minha familia toda sabe e me aceitam assim do jeito que sou. Um dia tambem vou escrever minha propria historia. Nao sei se vou publicar, mas eu afirmo que minha historia e bem mais interessante do que a da Bruna. Tambem fugi de casa, mas eu ja fui bem mais alem do que isso.
Por ser de uma cidade voltada para o turismo eu so saio com estrangeiros. E ja viajei varias vezes para a Europa e aprendi a falar sozinha varios idiomas, isso sem nunca ter feito nenhum curso. Todos ficam admirados quando falam comigo e mais ainda quando falo com eles no msn…
Muita gente ta criticando sem ir ver o filme. na minha opinião o filme é muito bom. vale o ingresso!!!
..só achei algumas cenas de nudez exageradas, como por exemplo uma cena simples onde ela esta sentada de vestido e sem calcinha e se ve claramente suas partes “intimas”.
quanto aos que estão criticando, são no minimo ingenuos, pois o filme retrata a vida de uma prostituta, queriam que tivese uma historia bonita, mostrando uma moral??….
….do mais, o filme é nota 10!!!
parabens pra vc !
nada cultural.
nada mais certo ter escolhido a débora secco para o papel, pois ela tem a cara de garota de programa.