Os estúdios Disney chegaram bem ao seu 50º filme de animação, “Enrolados”. Assumindo os traços de uma megacorporação do entretenimento, a empresa parece cada vez mais sintonizada com as demandas do seu público, variado e inconstante após a sucessão de gerações. O desafio mais urgente, talvez, seja o resgate da parcela de audiência fisgada pelo sucesso de estúdios concorrentes. Colocar tal responsabilidade nas mãos de uma princesa de cabeleira avantajada é opção de risco quando os sucessos dos últimos anos priorizaram temáticas atuais. Na contramão de todas as suposições pessimistas, a Disney acertou em sua escolha.
“Enrolados” representa o primeiro passo da Disney no sentido de reunir seu público disperso e monopolizar um prestígio atualmente dividido entre concorrentes de peso. Neste início de década, a história de uma princesa clássica trabalhada sob moldes modernos e com o auxílio do cinema 3D parece dotada de simbologia suficiente para representar a atual empreitada da empresa.
O filme segue o argumento clássico do conto de fadas dos Irmãos Grimm, mas modifica algumas situações e insere novos traços para tornar o roteiro mais ágil e contemporâneo. Rapunzel foi levada para uma torre secreta por uma senhora que ambicionava a juventude eterna, o que só seria conseguido com o auxílio do cabelo da princesa. Com a ajuda de um ladrão fugitivo e aproveitando a ausência da madrasta, a garota arrasta sua cabeleira de 22 metros para fora da torre e vai conhecer o reino que imaginou.
Ao contrário do original alemão, e para atrair a parcela masculina do público, o conto da Disney preferiu fugir da figura do príncipe convencional, criando em seu lugar um anti-herói com aparência de mocinho. Flynn Ryder divide com Rapunzel o protagonismo da história e sua importância não se resume ao papel de par romântico. É ele o narrador da trama, responsável pela apresentação da história e dos personagens nos primeiros minutos do filme. Sua narração malandra (no Brasil a dublagem é de Luciano Hulk) foge do convencionalismo de animações clássicas como “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Cinderela” e “A Bela e a Fera”.
Algumas sequências também parecem feitas para a diversão do público masculino. Se Rapunzel aproveita seu tempo livre tricotando roupas, cozinhando bolinhos e pintando estrelas – atividades presentes no imaginário criado para princesas – também é capaz de tocar guitarra e desafiar beberrões em um bar de quinta categoria com a mesma desenvoltura.
Como forma de não abandonar todas as características responsáveis pelo êxito familiar da empresa, a trama de “Enrolados” também é permeada de boas lições. O alvo das recomendações morais, agora, é a parcela adolescente da audiência e, por consequência, seus próprios pais. O maior conflito da primeira metade do filme diz respeito ao sonho de Rapunzel de sair da torre e os conselhos da madrasta sobre o perigo do mundo externo. Assumindo o papel de voz da sabedoria presente nas histórias de moral, Ryder explica que os filhos precisam romper o cerco de superproteção materna em algum momento. Aos dezoito anos, chegou a hora da princesa.
A dúvida sobre a eficácia da animação digital para contar a história clássica de uma princesa tem fim ainda nos primeiros minutos de exibição. “Enrolados” parece o resultado de um trabalho minucioso de criação, em que todos os detalhes receberam tratamento cuidadoso e atenção redobrada. Os personagens surpreendem pelas texturas bem trabalhadas e expressões faciais que beiram a perfeição. O cabelo de Rapunzel demonstra ser resultado de uma dedicação exaustiva da equipe de criação, assim como o realismo dos ambientes externos e o nível de detalhamento das paisagens e planos mais abertos. As sequências de dança bávara no interior do reino e as lanternas voadoras, ao fim do filme, são momentos exitosos e merecem destaque entre os mais recentes lançamentos de animação digital.
Se o casal de protagonistas consegue obter nossa empatia imediata, os personagens secundários também desempenham papel importante na trama. A iguana de estimação da princesa, o cavalo real e a trupe de bêbados do povoado, além de resultados de um excelente trabalho artístico, são engraçados e responsáveis por várias tiradas de humor.
É evidente que a opção da Disney pela modernização de um clássico traria alguns prejuízos ao formato. As excelentes canções características dos filmes produzidos pelo modo tradicional de animação foram substituídas por músicas sem profundidade e com trechos pegajosos. A dublagem de Ryder para a versão brasileira, responsabilidade de Luciano Hulk, também não foi eficiente. É inegável o carisma de Hulk no comando de um programa de auditório, mas o mesmo não pode ser dito do seu trabalho como dublador. Sua narração deu ao personagem uma feição exageradamente folgada, com um sotaque e entonação de malandro carioca.
As inovações vistas no filme parecem ter funcionado de modo satisfatório para os cofres da Disney. Em suas duas primeiras semanas de exibição, faturou mais US$ 96 milhões nos Estados Unidos e recebeu críticas favoráveis de diversos veículos de peso. Depois de “Enrolados”, até para os mais saudosistas fica difícil encontrar argumentos que comprovem a superioridade da animação tradicional na narração de contos de fada.
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Jáder Santana é estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e crítico de cinema do CCR desde 2009. Experimentou duas outras graduações antes da atual até perceber que 2 + 2 pode ser igual a 5. Agora, prefere perder seu tempo com teorias inúteis sobre a chatice do cinema 3D.



























34 Comentários
Deve ser um filme interessante… espero assistir
Para quem não assistiu ainda. 2 dicas.
1) Não achei o 3d tão importante nesse filme para mim ele quase passou desapercebido se você realmente gosta do 3d pode ir mas se quiser economizar uma merreca veja em 2d mesmo, ou talvez seja pelo motivo da segunda dica.
2)faça um favor a você mesmo. se for assistir sem crainças procure uma cópia com legenda porque a dublagem do Lúciano Hulk ficou horrivel. Toda vez que ele falava eu perdia a concentração no filme para tentar dar emoção na fala. muito me admira a disney deixar passar uma dublagem dessa.
Bom filme a todos.
Eu já assisti!! E achei muuito legal! ^^
A Disney transformou um famoso conto de fadas em um filme incrível. É verdade que eu esperava mais do filme, mas foi o suficiente para agradar.
O CCR foi hackeado?
Olha o que tá escrito sobre o Jáder!
O filme é maravilhoso, engraçado, divertido, tudo de bom. Fui assistir a versão dublada… meu deus, alguém me explica que dublagem horrível é essa do Luciano Huck. Cara, ele consegui tirar toda a emoção do personagem… Espero que nunca, jamais ele repita essa dose. Acho que erraram feio. Tirando isso o filme é muito bom, vale a pena assistir.
Será que vale a pena comprar o DVD,sem ser em 3D?Eu ñ vo pode ir no cinema,e queria saber se a historia e legal sem os efeitos alguem pode me responde?
O filme é ótimo mesmo em 2D, mas em certas cenas (principalmente a das lanternas) o 3D faz diferença.
Acho q a animação 2D deveria reinar nesses casos.
Eu não gosto muito de desenhos em 3D.
Acho isso tudo muito triste.
“Enrolados” foi uma surpresa maravilhosa! Desde “Encantada” não via um filme “de princesa” tão divertido. Não estava dando nada pelo filme por culpa do trailer americano (quem fez aquilo deveria ir pra rua) que vende o filme como se fosse mais um “Shrek” da vida.
O filme é lindo, as músicas do Alan Menken não deixam a desejar em nada às de clássicos como Aladdin e A Pequena Sereia. O único defeito “GRANDE” defeito na versão nacional foi mesmo a dublagem escabrosa do Luciano Huck.
Parece que a Disney dos clássicos finalmente está de volta.
otimo filme!
so ñ gostei da dublagem do luciano huck
mas no resto foi otimo!
Noossa! Todo mundo falando mal da dublagem do Luciano Huck. Fiquei mais curiosa ainda para assistir e ouvir. Sem contar que estou querendo muito assistir esse filme!
Jader, ainda não vi o filme, mas vou ver com minhas filhas este final de semana. Crítica interessante a sua, porém corrija o nome do Luciano HUCK (ele é não é HULK….)
OBS: eu detesto essa mania de “3D”. Não acrescenta em nada e pessoas (como eu) que já usam óculos ficam MUITO prejudicadas….
concordo! Filmes em 3D só quando pudermos assistir sem óculos.
“Sua narração deu ao personagem uma feição exageradamente folgada, com um sotaque e entonação de malandro carioca.”
Puts! Luciano Huck dublado com sotaque carioca?!?!?!? Deve ser o ó do borogodó! Esse cara, além de não ser ator, tem um sotaque paulista tão forte que nem morando no Rio consegue perder! Eu gosto de ver desenhos dublados, mas já estou me demovendo dessa idéia…
a dublagem é podre, mas não tem nada de carioca.
Assistí esse fim de semana e a única coisa que destroí a imagem do filme é a dublagem do Huck. Meu Deus! Dublagem para os dubladores! Tinha hora que eu só tava esperando o personagem dizer: “E vai começar o Lata Velhaaa!” Tenha dó.
Concordo!!! hahaha!!! Esperei ele dizer “maestro billy, som na caixa do caldeirão” hahahaha!!!
Mandaram muito mal mesmo na escolha do Huck.. acho que queriam fazer algo do tipo “shrek-bussunda”, mas não colou!!!
Pelo menos a dublagem do Bussunda ficou aceitável, a do Rodrigo Lombardi ficou boa em “A Princesa e o Sapo” assim como a do Chico Anysio ficou excelente em “UP”. A do Huck ficou deplorável! Uma porta rangendo teria passa mais sentimento do que ele.
hhahahahahahahahaha
Em comparação ao trailer, esperava mais do filme, a dublagem com Luciano ficou a desejar, aquela voz anasalada pronunciando “loira”…avacalhou tudo…
Não é iguana, é camaleão, btw.
O filme é bom, porém a dublagem não foi adequada pro personagem.
Fiquei revoltado com a dublagem do Huck. Ele deveria saber seus limites e ter negado participar disso. Estranho foi que o trailer que eu vi a dublagem era boa, ou seja, não era do Huck, vejam:
http://www.youtube.com/watch?v=nD649xZl1KM
Se não me engano, o dublador se chama Raphel Rosatto. A Disney manteve sua voz nas canções.
Há também um vídeo comparando o Flynn de Huck com o do Raphael, que é um dublador de verdade.
http://www.youtube.com/watch?v=gRBMm9fCnqs
Vejam mais da péssima dublagem de Huck:
http://www.youtube.com/watch?v=N4D5FJ5GSnA
Achei também algumas dublagens amadoras do trailer, todas melhor que Huck:
Fernando Mendonça: http://www.youtube.com/watch?v=BhYtPl_O6dE
Wescley Patrick: http://www.youtube.com/watch?v=nes7MVfzV8o
Pelo menos não colocaram a Angélica para dublar a Rapunzel.
Isso dea dublagem do trailer ser diferente tem sido até normal. Trailers de filmes como Pinoquio e A Bela Adormecida foram redublados, mas nos DVDs/BDs permaneceram as dublagens clássicas. Realmente foi uma puta sacanagem da disney Brasil.
Dublado pelo Luciano Huck?! Por melhores que sejam as críticas, não dá pra perdoar esse vacilo! Nem vou me dar ao trabalho de conferir, não quero passar raiva.
Enrolados é um filme muuuuito bacana! Consegue divertir bastante.
Infelizmente, não dá para ignorar a dublagem.
Lembrou a da animação “A terra encantada de Gaya”, com voz de Sabrina Sato, Marcio Garcia, etc (se vc. não viu, não perca o seu tempo).
Além da falta de interpretação nos momentos certos (vejam a cena em que Flyn cai em cima do Maximus, como ele fala – vergonha alheia…rs), as canções estão na voz de outro dublador…
A Disney poderia usar o mínimo de bom senso e refazer a dublagem com um profissional competente para o Flynn Ryder. Alguém aí tem o e-mail da disney para reclamar da dublagem podre feita pelo luciano huck?
Olá rapadurianos, eu assisti ao filme e sinceramente não gostei nem um pouco, o pior foi a dublagem de Luciano, concordo com alguns que disseram “ele nem ator é”, e se for carteirinha de ator está muito caido. É uma historinha pra meninas, não gostei e não recomendo.
Enrolados é encantador.
Mas não pude deixar de me perguntar como teria saído se feito em animação tradicional. A dublagem original do Flynn é feita pro Zachary Levi (Chuck) e imagino que tenha ficado perfeita! Só não entendi porque o cantor da versão brasileira não dublou o personagem o tempo todo… a princesa tinha uma dubladora profissional, senti falta disso.
Ah, o brilho do cabelo da Rapunzel é de se aplaudir
Enfim, fantástico.
Concordo com [quase] tudo!!
Foi uma péssima ideia terem chamado o Luciano Huck pra dublar o Flynn (que, ao contrário do que a crítica diz, não tem NADA de sotaque carioca). O trabalho da dubladora da Rapunzel é sensacional, aí fica um pouco difícil não perceber a diferença abismal da qualidade do trabalho dos dois.
Adorei o filme, assisti ele em ingles, com legendas é claro pra entender as musicas tipicas da disney.
Apesar de ser mto bom, o filme é bem previsivel até pq todos conhecem a história da rapunzel. Devo contar que, adorei ver a personagem morena no final hahha.
Abraços, Victor
AMIGOS CINEFILOS
AMIGOS FÃS DOS CLASSICOS DISNEY
Ontem tive uma da mai bizarras experiencias de quem gosta dos clássicos animaados. Como sempre me ocorre no meio do filme agarrei alguns segundos de leve sonolencia. Qual não foi minha surpresa que acompanhou-me a vos “loucura…loucura…loucura” e não consewguia mais ver Flynn e sim Huck. O Brasil, pais com alta qualidade em dublegens, deveria manter a voz do protagonista em completo anonimato para garantir ao expectador o personagem em sua integra. Quando a voz da fala e da musica podem ser a mesma ainda melhor … muito melhor. A situação inédita a meu ver e algum desconforto causado só serão desanuviadas quanod eu puder assistir o audio origina, ou a dublagem com um voz mais integrada a imagem e ao texto da história.
Assim, que a Disney nos brinde com um “recall” como das industrias automotivos que chamam a oficina carros com alguma irregularidade …. portanto peço: Levem Flynn a oficina e o consertem !!!!
Impossível o Flynn do Luciano Huck ter ficado com sotaque de malandro carioca, já que Luciano é paulista. Algumas gírias, sim, foram cariocas, mas isso não foi culpa do ”dublador”. Aproveitando: quem resolveu cagar em ”Enrolados”? O filme perde muito do seu carisma com Huck emprestando sua voz a um dos protagonistas. Até onde eu sei os dubladores são atores que fazem um curso de dublagem. O Luciano nem ator é, então de onde tiraram a ideia de dar o Flynn pra ele? Quase estragou o filme. Só não o fez porque a Sylvia Sallusti fez um excelente trabalho como Rapunzel.
sorte a minha que vi o filme legendado,por que ja sabia da dublagem do hulk ,o filme é incrível ,a voses originais tambem
O que tinha de carioca na dublagem do Luciano foram só as gírias forçadas. Paulista pura…impossível deixar de perceber os “rrrr”s.
As canções típicas da Disney são bem sutis nesse longa. Ainda bem, porque essa onda já deu o que tinha que dar. Às vezes era até chato quando se percebia que ia começar uma. Mas eu achei o roteiro bem fraco e sem explicação. Tudo bem que é Disney, mas ninguém é mais tão bobo assim.
E o mini currículo do Jader Santana foi hackeado?