Sabe aquele seu amigo que fica bêbado, tenta contar uma piada, acaba se enrolando no meio, vomitando no seu sapato e depois rindo da situação? Pois bem, se esse cidadão fosse um filme, ele seria “Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família”. O exagero e a escatologia dão o tom nessa terceira parte da série “Entrando Numa Fria”, uma fita que simplesmente pega um elenco de estrelas e o joga na lama.
A despeito do título original do longa (“Little Fockers”) tentar fazer parecer que os filhos do personagem de Ben Stiller, Greg Fornika, terão algum destaque na fita, os gêmeos do protagonista tem pouquíssima importância na película, cujo enredo gira em torno (mais uma vez) de Greg tentar cair nas graças de seu sogro, o agente da CIA aposentado Jack Byrnes (Robert De Niro). Jack, por sua vez, encontra-se fragilizado, já que sente sua mortalidade chegando após sofrer um infarto e busca um sucessor como chefe da família, sobrando para Greg essa responsabilidade.
No meio disso tudo, o atrapalhado Fornika ainda tem de lidar com a sua nova situação familiar, tendo de dividir sua esposa, Pam (Teri Polo), com seus filhos, enquanto o ex-namorado perfeitinho dela, Kevin (Owen Wilson), volta para a cidade. Ainda temos duas outras subtramas no longa, com Greg sendo assediado por uma linda colega de trabalho (Jessica Alba) e uma pseudo-crise no casamento dos Fornika, Roz e Bernie (Barbara Streisand e Dustin Hoffman).
Com esse excesso de tramas correndo em paralelo, é óbvio que um filme de 100 minutos teria de se virar para dar um andamento orgânico a isso tudo. Não é o que acontece. Personagens mudam de personalidade abruptamente para se adequar à narrativa e plots são encerrados abruptamente, sem a menor resolução, mostrando que os roteiristas simplesmente não sabiam o que fazer com os personagens nelas envolvidos.
Além disso, o filme teima, insiste e persiste em realizar piadas envolvendo “O Poderoso Chefão”, que simplesmente não funcionam. Até mesmo a trilha sonora do longa tenta “homenagear” o clássico tema de Nino Rota em dados momentos. Imaginar que o próprio Robert De Niro, que deu vida a Vito Corleone no segundo capítulo da saga da família mafiosa, tenha concordado com isso chega a me dar um nó no estômago. E não vamos nem entrar em detalhes na citação a “Tubarão”…
O texto ainda posiciona Greg como um desastre ambulante, esquecendo até da evolução do relacionamento entre ele e Jack nos filmes anteriores da série. Colocá-lo mais uma vez na posição de se provar para o sogro mostra uma tremenda falta de imaginação dos realizadores. Fora o fato de que as piadas estão muito mais exageradas, incluindo ainda uma injeção peniana que eu preferia esquecer. Para não dizer que não falei das flores, existem alguns lampejos aproveitáveis: as cenas envolvendo Roz e Jack descobrindo o Google e o YouTube, sendo que a última não prima pela originalidade.
O elenco está no piloto automático, principalmente De Niro, que não consegue criar uma boa química com Ben Stiller, sendo que o veterano astro atua de maneira tão burocrática que parece que participou de má vontade do filme, o que não duvido. As participações de Dustin Hoffman e Harvey Keitel se resumem praticamente a pontas, tendo cada ator menos de três minutos em cena. Barbara Streisand tem sorte de contar com uma personagem excêntrica, mas as demais mulheres do elenco passam em brancas nuvens. Owen Wilson é resgatado por Streisand em um determinado ponto, mas seu personagem é simplesmente chato.
O diretor Paul Weitz parece perdido. Weitz é um cineasta que, quando vai pelo caminho da sutileza, realiza obras sensíveis e marcantes como “Um Grande Garoto” e “Em Boa Companhia”. Até o primeiro “American Pie”, a despeito de algumas cenas mais pesadas, tinha uma inocência cativante. Aqui, parece que as cenas escatológicas e o modo como elas são mostradas estão lá apenas para chocar, com Weitz mais parecendo que está comandando um episódio de “Jackass”.
Nem tecnicamente o diretor se sobressai, mais parecendo que está comandando uma versão longa de uma sitcom, só faltando as risadas enlatadas. Um exemplo da veia televisiva do longa: Em determinado momento da fita, os personagens dizem que estão indo a uma escola falar com a diretora do local (uma desperdiçada Laura Dern). Logo em seguida, é mostrada a fachada do local – que já havia sido mostrada anteriormente em uma tomada idêntica – que, depois, corta para o rosto da diretora. Ora, em cinema menos é mais, e o recurso da estabilishing shot da escola utilizado é típico de sitcons americanas, algo que já caiu em desuso no cinema há muito tempo exatamente por sua inutilidade narrativa, ao repetir uma informação que o público já possuía. A montagem ainda possui momentos confusos, como a cena onde Greg corta o dedo. A elipse entre essa “gag” (entre aspas mesmo) e a chegada de Kevin é estranhíssima, não dando espaço para o público perceber quanto tempo se passou.
Já foi dito que continuações não passam de cópias dos filmes originais, que dão mais do mesmo para o público. Bem, aqui temos uma versão piorada e mais nojenta do primeiro longa. O que mais dói é ver o elenco principal da fita desperdiçado em meio a este festival de imbecilidades. Ora, temos em um mesmo filme De Niro, Hoffman, Harvey Keitel, Laura Dern, Barbara Streisand e me fazem isso?! Um desastre completo.
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Thiago Siqueira é crítico de cinema do CCR e participante fixo do RapaduraCast. Advogado por profissão e cinéfilo por natureza, é membro do CCR desde 2007. Formou-se em cursos de Crítica Cinematográfica e História e Estética do Cinema.



























20 Comentários
Estava até animado para assistir… Mas é uma pena saber que um filme tão “divertido” tenha se transformado num lixo.
Tenho que concordar com Thiago, eu eentrei na sala do cinema esperando por um bom filme ou ao menos um númmero de piadas boas, e ainda não posso acreditar que paguei uma entrada para ver este filme. Gosot muito de De Niro e Stiller, mas definitamente, este é um filme que prefiro esquecer para não ter uma imagem ruim de ambos. Porém gostei da atuação de Barbara e Hoffman, me pareceu que ambos sempre atuam bem demais.
Acho incrível como os que se intitulam “críticos de cinema” adoram criticar friamente qualquer filme mais leve, de humor mais simples. É bobo, pode não ser uma produção de técnicas brilhantes mas é uma história que me fez rir do começo ao fim. E nos três filmes. Eu sou apaixonada por tramas complexas, uma boa fotografia e um elenco brilhante, mas por que bons atores não podem participar de tramas leves? Num mundo tão pesado talvez o público queira ir ao cinema para rir sem se preocupar com técnicas e falhas. Assistam e julguem por vocês mesmos, não pelo “especialista”.
Já tava demorando pra vir o primeiro “ESSES AUTOINTITULADOS CRITICOS DE CINEMA PSEUDO-INTELECTUAIS SE ACHAM OS DONOS DA VERDADE VOCÊS NÃO SABEM DE NADA BLA BLA BLA”.
Porra, é a visão dele sobre o filme. Produza uma crítica ou um pequeno texto mesmo defendendo a sua sem ter que minimizar a capacidade do autor ou simplesmente deixe de ler a sessão “críticas”
Pessoal vem aqui no site ler uma crítica e em quase TODAS AS PÀGINAS ofendem o dono do texto se ele dá uma nota baixa. É um dos maiores problemas que tenho visto, leitores que não sabem aceitar um ponto de vista. Claro que é direito de todo mundo concordar ou discordar e até mesmo discutir, mas é possível fazer isso sem subestimar a inteligência alheia.
E nem o fato do filme ser uma comédia o priva de avaliação. Como se fosse inconcebível fazer rir sem ofender a intelecto do espectador. Aí vem e diz que era apenas “um filme despretensioso”.
Faça-me o favor.
E mais: não chamei ninguém de pseudo-intelectual, mesmo porque é uma ofensa que me incomoda muito.
Bem, assisti ao filme ontem. E, pela primeira vez, talvez, eu tenha que discordar do autor da crítica. Pensei que seria um filme muito ruim, que gerasse até repulsa. Mas, simplesmente o filme segue o padrão dos outros filmes. Sabemos já que a franquia “Entrando numa Fria” não é lá muito complexa — pra não falar que não é nada complexa — e, é feito somente para arrancar risos de quem a assiste. Seguindo a mesma fórmula dos outros filmes este filme se torna tão divertido quanto. Agora, quem quer um filme mais profundo, mais implexo, que te obrigue a pensar, assista outro — simples assim. E relacionado ao pormenores técnicos… Acho que foi exagero total do crítico mesmo (não atrapalhou em nada no filme). Se eu fosse dar uma nota, daria: 7.
No mais, faço esse comentário com total respeito ao crítico.
Me desculpe, mas não acho que ofendi ninguém. Só quis dizer que um crítico de cinema não deveria criticar ferozmente um filme baseado apenas em sua visão, que por vezes é técnica demais e sim – pessoal demais. Porque não avalia o que o público está achando do filme e leva isso em conta? O filme é burro e portanto todos que gostam dele são também? Opa, esse é um julgamento um tanto quanto cego, não? Minha crítica já foi feita: é um filme simples, talvez mal feito, mas não sei se é justo dizermos que ele desrespeita o público! Existem muitas coisas que, na minha opinião, desrespeitam o público e acredito que entre elas não posso incluir esse filme. Só quis dizer que o público, como eu, num momento pode querer ler Kafka e assistir Copolla e noutro não está nem aí pra quem fez e como fez o filme. O crítico de cinema tem sua visão de mundo, baseada em sua posição na sociedade. Existem outras inúmeras formas de se assistir um filme.
E não entrei num site de críticas para ler a crítica, e sim numa busca pelo nome de uma atriz. Me deparando com uma crítica tão negativa de um filme que eu acabara de ver e que me divertiu durante a tarde, acreditei que poderia expressar minha opinião. As pessoas talvez não vão ao cinema com tantas expectativas quanto as de um crítico. Eu não fui. Sou uma ignorante completa por isso? Eu e todos que estavam naquele cinema lotado? Opa, eu acho que algo está errado então.
Eu aceito perfeitamente o ponto de vista dele, só quis mostrar que pode haver outro. Você é que viu o meu como ofensa, portanto não o aceitou. Eu nem havia visto a nota, só ví agora em que lí sua resposta e, sinceramente: é apenas um número. Poderia ser maior e a crítica dele continuaria gerarando questionamentos por minha parte.
OK OK ERIKA!!!
Já entendemos sua critica e respeito muito, mas porém, na minha humilde opinião Ben Stiler não faz um filme engraçado desde “Quem vai ficar com Mary” e assistir um filme só porque ele é “leve” não me faz ir ao cinema só por esse motivo, precisamos de conteúdo também, ver um bando de atores de renome tentando fazer graça onde não existe só mesmo muito dinheiro para isso.
Mas são somente opiniões diversas.
Ótima crítica
Mais um filme ruim pra passar na Globo
Fui em busca de entretenimento, achei, assisti e gostei.
Adoro as Críticas do Thiago abaixo de 5 , sempre dá briga rsrs
è triste ver tantos atores bons nessa bomba :/
É óbvio que o filme é ruim. Olha só o título, ESDRÚXULO!
“Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família”
Ridículo. Os marketeiros brasileiros não tem mais criatividade?!
Parece que fui um dos poucos ou único a entender o que Erika disse. Crítica, querendo ou não, por mais qualificada que o autor seja, é algo pessoa, é impossível ser imparcial. Muitas coisas são levadas e conta, gênio e humor, por exemplo, se uma pessoa está de mal humor, vai achar filmes como esse uma merda mesmo.
Mas também concordo que dizer que é um crime e etc é um exagero. Acho que algumas pessoas estão esperando muito de filmes com um intuito simples de divertir já que se acostumaram a superproduções baseadas em HQ ou livros. Hollywood está sem criatividade sim. Não há mais enredos originais, por isso a categoria “roteiro adaptado” foi tirada de muitas premiações. Só se adapta hoje. Produções originais tem que no mínimo ser respeitadas, só pela ousadia.
Jurandir Pacheco
Sempre esperamos que o filme preste colega jurandir, assim como esperavamos que filmes como: 2012, o pentelho, Doom, Espartalhões, skyline entre vááárioss outros filmes que já vi na vida me deixaram com um gosto amargo e também outros que fizeram o oposto como A origem, Se beber não case, Toy story 3, o segredos dos seus olhos e milhares de outros excelentes filmes.
Ninguém vai ao cinema gastar com entrada, refrigerante e pipoca para conversar sobre futebol ou falar sobre trabalho, queremos sim, ver algo que no final da sessão nos faça sair da sala esboçando um minimo sorriso que seja.
E esse filme não tem nada de original, sendo nada mais do que a copia do segundo que é a copia de um simpatico primeiro filme.
Mas é minha humilde opinião. :]
PS.: é um filme chato e com “piadas” forçadas.
Odeio ver criticas que falam ” o filme não tem um bom roteiro, ou o filme tem uma fotografia ruim” cara, foda-se se o filme tem um roteiro ruim, o filme é feito simlesmente para o entretenimento, eu acho que só um idiota vai ver um filme e avaliar se tem um belo roteiro ou se as técnicas de filmagens são boas, eu só vejo um filme em que a história me atraia, porra um filme da xuxa pode ser muito bem feito, com um belo roteiro ou bom desenvolvimento dos personagens, mas propvavelmente eu nao vou gostar pq a historia provavelmente nao vai me atrair. entao eu so quero dizer, tecnicas cinemaograficas sao sim muito importantes, mas n vou deixar de gostar de um filme com uma boa historia so pq, sei lá, nao tem um bom roteiro ou qualquer outra frescura
Eu assisti o filme e o achei bastante engraçado dentro da proposta. Não acho que por se tratar de Streisand, De Niro e o Stiller que devemos exigir um filme cheio de complexidade e refino, partindo do princípio que é muito bacana alguns desses atores participarem de filmes assim, que vejo como leves, mesmo com algumas piadas que julgam imorais. Vi a repercussão três sites diferentes e pareço que leio o mesmo texto. Devo considerar que achei nos três casos os textos e escritores inflexíveis, inclusive parecem que não gostam do filme e isso os tornam bastante parciais no uso das palavras. De qualquer forma, respeito a opinião deles, já que não possuo esse tipo de olhar.
Abraço !
Esse povo adora jogar dinheiro na privada. O fgilme nada mais é do que a recópia do primeiro assim como foi o segundo. Vcs gostam de pagar entrada pra ver exatamente o mesmo filme? Esses devem amar as continuações de Jogos Mortais. Toy Story nos mostrou que dá sim pra se fazer continuações sem ficar repetindo o plot inicial do primeiro filme que fez sucesso. Isso é medo de inovar e repetir o que já foi repetido simplesmente pq tem idiotas que caem nessa.
Ei, quem falou que Jogos Mortais é repetição?! que comentário mais inútil. realmente, vc não TEM NOÇÃO do fala.
Eu juro que quando li as críticas, achei que estavam todos falando bobagem e fui provar com meus próprios olhos.
E pelo amor de Deus, eu odiei. O filme é ruim de verdade, não prende você a história, e não é preciso ser nenhum crítico de cinema pra ver isso. 1 hora e 36 minutos de filme deixam você inconfortável e com tédio no cinema.
As piadas são sem graça e é tudo baseado na velha história dos outros dois filmes.
Foram os R$8,00 mais mal gastos de toda a minha vida em um cinema.
Sério, não se arrependam e vão assistir qualquer outra coisa, menos isso.
Pessoal, só para constar… também assisti ao filme e concordo que um elenco como esse pode e deve estar em qualquer gênero. No entanto, o que se espera é o mínimo de qualidade para a categoria proposta.
Minha avaliação? Muito ruim o filme. Durante a exibição fiquei com aquela sensação de que de repente “ia ser engraçado” e… não era, até o fim. Frustrante!
Mas… cada um assista e faça o seu comentário, afinal somos tão diferentes não é mesmo?
Valeu!