Há algo de estranho em “Um Parto de Viagem”. A estrutura e a própria identidade visual do filme não lembram, nem de longe, os exemplares atuais do gênero. O diretor Todd Phillips, a exemplo do que fez em “Se Beber, Não Case!”, decidiu fazer com que seu filme fosse engraçado, não que enganasse o público com risadas fáceis. Os dois filmes são bastante parecidos, mas também são um bálsamo em tempos em que o humor cinematográfico parece se reduzir à piadas escatológicas.
A fita, escrita a oito mãos pelo próprio Phillips, ao lado de Adam Sztykiel, Alan R. Cohen e Alan Freedland (com os dois últimos sendo os responsáveis pelo argumento), narra a peculiar história de Peter (Robert Downey Jr.), um arquiteto um tanto quanto esquentado em uma viagem de negócios, que está prestes a se tornar pai. Sua vida vira de cabeça para baixo quando surge em sua vida o desencanado e meio infantilizado aspirante a ator Ethan (Zach Galifianakis).
Graças a um mal-entendido no avião, os dois são colocados na lista de pessoas proibidas de voar. Após perder os seus documentos, Peter se vê obrigado a aceitar uma carona oferecida por Ethan de volta para Los Angeles, sendo esta a única chance que tem de chegar em casa a tempo para ver o nascimento de seu primogênito. Mal sabe ele que este é o começo de uma longa e estranha viagem, que o levará ao limite de sua paciência e de sua sanidade.
Revelar mais do que isso acabaria por estragar boa parte da graça do filme, mas basta dizer que junto à dupla temos um cachorro masturbatório e as cinzas do pai de Ethan dentro de uma lata de café (!). Daí vocês podem imaginar o nível das insanidades que acontecem durante a projeção. E digo isso com todo o respeito do mundo por esta produção.
Seguindo a linha dos antigos anti-buddy movies, como “Cegos, Surdos e Loucos” e “Antes Só do Que Mal Acompanhado”, dois clássicos das comédias oitentistas, temos aqui dois protagonistas que não podiam ser mais diferentes um do outro e se odeiam de maneira brutal (pelo menos Peter não consegue suportar o seu companheiro de viagem), mas que precisam um do outro para alcançarem seus objetivos.
É aqui que entra a dupla Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis. Juro que nunca pensei em ver um filme onde Downey convenceria no papel de “certinho”, mas a figura do homem comum prestes a explodir coube como uma luva para o ator, cuja carga de raiva se acumula tanto durante o filme que você fica esperando o momento em que este irá dar uma de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”.
Sabendo fazer piada sobre si mesmo (“Nunca usei drogas na minha vida!”), Downey se sai de maneira absolutamente perfeita como Peter. Ele nos remete aos antigos filmes de Buster Keaton, o comediante de “cara séria” original, nos fazendo gargalhar mesmo sem apelar para tiradas batidas, interpretando apenas um cara comum em uma situação absurda tentando simplesmente não enlouquecer.
Já Zach Galifianakis é um achado. A despeito de seu Ethan ser claramente perturbado, há algo de inocente no personagem, que age como se fosse uma criança, encantada com tudo e aterrorizada em ter de encarar o mundo adulto. O mais hilário é que o próprio Ethan parece verdadeiramente não compreender quão bizarro seu comportamento é e Galifianakis transmite isso de uma maneira tão natural para o público que fica difícil não sentir certa empatia por ele, algo absolutamente necessário para que o filme funcione e para que o relacionamento entre ele e Peter engrene.
Os dois juntos rendem momentos absolutamente hilários, com a tensão entre os dois protagonistas rendendo alguns dos melhores momentos da fita, como a cena em frente ao hospital ou o diálogo no Grand Canyon.
Do mesmo jeito que “Se Beber, Não Case!” era montado e fotografado quase como se fosse um thriller, este “Um Parto de Viagem” foge totalmente das convenções visuais das comédias atuais, lembrando um filme policial em vários momentos, principalmente durante a grande perseguição que ocorre em dado ponto da película.
A fotografia do longa nesse sentido é perfeita. Desde seu momento inicial, quando vemos Downey Jr. encarando a câmera e olhando para nós como se fosse sua esposa, a audiência percebe que não está vendo algo que pode ser classificado no mesmo gênero que “Deu a Louca em Hollywood”, por exemplo. Juro que nunca vi o Grand Canyon tão bem fotografado na minha vida!
Contando ainda com uma das melhores trilhas sonoras de 2010 e participações especiais hilárias de atores como Jamie Foxx, Juliette Lewis, Michelle Monaghan e do sempre ótimo Danny McBride, “Um Parto de Viagem” é uma das grandes surpresas do ano, sendo um filme com alma, e não um mero amontoado de gags que tenta ser engraçado. Recomendado!



























11 Comentários
otimo filme!
o zack é o melhor ator de comedia da atualidade
esse cara ñ existe muito engraçado!!!!!!!
Estou louco para assistir este filme.
Hoje em dia só lançam filmes idiotas de comédia onde usam de todo o tipo piada idiota possível para tentar soltar uma risada forçada.
Filmes como se beber não case, são aquelas comédias que fazem a gente sentir dor de barriga de tanto rir.
Adorei o filme. Tanto o Zach quanto o Downey são ótimos atores.
Vale cada centavo.
ate hj nao entendi, eu tenho q ler essa critica antes ou depois de ver o filme?
Gostei muito tambem, ri demais!
Pode-se dizer que esse filme é um Road Movie? Eu adoro Road Movies.
este filme é uma bosta… puro pastelão… espere pra passar na sessão da tarde, que é o lugar dele…
o filme chama o expectador de burro o tempo todo…
na hora do méxico a razão é assassinada em nome de piadas fracas e situações absurdas…
A Comédia é boa mesmo
o zach galifianikis é com certeza um dos melhores comediantes que ja eu ja vi
mas comédia do ano,acho que é meio exagerado
o filme é engraçado,mas num chega aos pés do brilhante “se beber,não case”
eu vi o filme e so fui morrer de rir mesmo mto tempo depois do inicio do filme,la do meio pro final,diferente de se beber,não case
Eu concordo plenamente com Henderson, se não fosse pelo Zach o filme morria, nossa, todo mundo rindo igual uns loucos, para cenas completamente
fora da casinha… pelo amor de Deus, não comparem o filme a Se beber, não case, é um absurdo, não é pq o ator do filme é o mesmo que o filme será pelo menos parecido, o filme mistura drama ( que vc fica pensando que a qualquer momento vai acontecer uma coisa idiota, como eles beberem as cinzas do cara) e de uma hora pra outro muda completamente, as piadas começavam e terminavam em 20 segundos, como se o filme tivesse sido feito na correria, o problema é que depois do Se beber, não case, resolveram criar um monte de filmes, com piadas relampagos como “Friends”.
NÃOOOOOOOO DÁ CERTO.
Bom, dessa vez tenho que discordar do Thiago… Não achei o filme grande coisa. Confesso que esperava mais. Pouquíssimos momentos se salvaram. Não houve química entre os personagens… o Downey Jr. ficou meio deslocado e algumas cenas ficaram meio forçadas… Até o Zach que é genial, de um brilhantismo pebuliar, acabou sendo subutilizado no filme. Enfim, o roteiro é trivial e não consegue prender a atenção ngm. É isso!
Ah, e esse filme nada tem a ver com “Se beber, não case”. Tá muito aquém… Não tem a mesma originalidade de roteiro muito menos a sintonia do elenco.
Concordo com a Danniele, pois o filme se salva em alguns momentos.
nota 7,0 pro filme
MEU DEUS!! ESTOU SURPRESO COM SUA CRÍTICA! ESSE FILME “”É”" UM PARTO!! UM DOS PERSONAGENS É UM PORRE DE CHATO É O OUTRO É UM DÉBIL MENTAL. É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL VOCÊ ACABAR GOSTANDO DE ALGUÉM QUE TE METE EM TANTAS ENRASCADAS, QUASE TE MATA, ETC… AS SITUAÇÕES SÓ VÃO PIORANDO E NO FINAL ACABA TUDO BEM… É UMA HISTÓRIA QUE CABERIA BEM NAQUELE GRUPO DO “ALÉM DA IMAGINAÇÃO”! AH, SEM FALAR QUE VOCÊ TEM QUE DEIXAR A INTELIGÊNCIA DE LADO PARA PODER ASSISTIR ESSE “”FILME”"….