Um ex-professor meu costumava falar que os redatores que ele mais admirava eram aqueles que redigiam os horóscopos para jornais, pela sua capacidade de dizer muita coisa sem escreverem absolutamente nada além de chavões genéricos, capazes de se encaixar em qualquer situação. Pois bem, os roteiristas deste “Comer Rezar Amar” merecem as mesmas congratulações ao entregarem 133 minutos disso, tentando conquistar o público apelando para todo e qualquer lugar-comum feminino.
Não me levem a mal, gosto muito de alguns trabalhos de Ryan Murphy, diretor e co-roteirista deste longa. Criador de séries como “Glee” e “Nip/Tuck”, Murphy é, de fato, um homem talentoso. Mas esta versão fílmica do livro autobiográfico homônimo de Elizabeth Gilbert, adaptada por Murphy e Jennifer Salt, mais parece uma fusão de livro de auto-ajuda com romances de banca do naipe de “Sabrina”, “Julia” e tais.
Protagonizado por Julia Roberts, o filme mostra a atriz como Liz, uma escritora que, após o fim de seu casamento com o sonhador Stephen (Billy Crudup) e de um breve romance com o jovem ator David (James Franco), decide viajar pelo mundo com o objetivo de encontrar a si mesma por meio dos verbos que dão título ao filme. Ela, então, se entrega aos prazeres da gula na Itália, busca espiritualidade na Índia e um romance em Bali. Em suas jornadas, Liz encontra pessoas que ajudarão a moldar suas experiências.
O longa é abarrotado de clichês, com diálogos que mais parecem biscoitinhos da sorte de restaurantes chineses e personagens mais parecem ter sido tirados de uma coleção de estereótipos, vide os italianos, o guru/Yoda e a própria protagonistas, a típica mulher incompreendida por todos os homens de sua vida, mesmo com estes sendo loucos por ela.
No entanto, isso não significa que o filme não tenha os seus momentos, que estão basicamente concentrados na seção “Comer” da película. Os personagens italianos, por mais caricatos que sejam, e a amiga sueca de Liz formam um grupo interessante e a sequência da protagonista aprendendo italiano por gestos é realmente engraçada. Além disso, a cinematografia deste trecho do longa é ótima, mostrando muito bem a beleza de Roma e dos pratos experimentados por Liz, retratando a degustação de cada uma daquelas delícias quase como se fosse um ato sexual (não assista esse filme antes de nenhuma refeição).
Mas eis que chega o verbo “Rezar” e o filme começa a andar em um ritmo terrivelmente lento. Se até aquele ponto as falhas da película eram mitigadas por um certo dinamismo, aqui elas ficam expostas pela morosidade da projeção. A despeito de Ryan Murphy ter acertado em não romantizar a ambientação indiana, o que seria um erro em um mundo pós “Quem Quer Ser Um Milionário?”, o cineasta claramente perde o rumo neste ponto, com a produção se arrastando em meio a diálogos risíveis e personagens chatos (vide Richard Jenkins, desperdiçado como seu xará texano) e situações óbvias, como a piadinha com a mulher em voto de silêncio e o casamento indiano. Ainda temos a apresentação de um plot envolvendo a dança no casamento de Liz e Stephen, trama resolvida de um modo absolutamente estapafúrdio.
Tentando chegar a uma conclusão com “Amar”, a fita tenta, em vão, recuperar o seu ritmo. Javier Bardem aparece perdido em cena, tentando ser brasileiro com o seu Felipe, em uma atmosfera artificial ressaltada por uma trilha de bossa nova que surge completamente deslocada. Ainda temos a participação do guru de Liz, cujas falas se resumem a frases que mais parecem vindas de pára-choques de caminhões. Tudo isso culmina na grande lição de moral do filme: toda mulher precisa de um homem. Se isso conseguiu soar ofensivo para mim, imagino como a maioria do público feminino se sentirá com esta pérola.
O longa é completamente centrado em Julia Roberts. Em dados momentos, a fotografia cria uma espécie de “aura” ao redor de sua protagonista, algo que ultrapassa os limites do cafona, vide o primeiro encontro entre Liz e David. Roberts é carismática e naturalmente bonita, conseguindo segurar parcialmente a fita, mas não tem muito com o que trabalhar nesta produção. A atriz ainda eclipsa os geralmente competentes Billy Crudup e James Franco e não possui a menor química com Javier Bardem, não havendo sinergia entre ela e seus parceiros de cena.
No final das contas, “Comer Rezar Amar” é um filme que não se encontra e falha em transmitir uma mensagem de força e de superação ao público feminino. A produção possui um roteiro disperso, que chega até mesmo a reciclar uma metáfora de “Noiva em Fuga”, trocando apenas ovos por cães. Ryan Murphy ainda tem o meu respeito, mas ele deveria ter parado no primeiro verbo do título.



























30 Comentários
Sua critica a mim não surtiu nenhum efeito. Ela é chata, monótona e não convence em nenhum momento. Além disso seu texto está repleto de erros ortográficos, o que indica despreparo para escrever qualquer coisa. Duvido que : Comer Rezar Amar, seja um grande filme, porem você precisa primeiro aprender a escrever corretamente uma critica e, só então se arriscar a escrever uma.
Erom. S.
Ai, Erom, desculpe dizer, mas seguindo seu pensamento, vc tbm não pode escrever qualquer coisa, pois tem erros ortográficos ai hein? crítica…, porém…, hehe , desce do salto amigão!
Palmas para seu grande argumento pra tentar diminuir a crítica do Siqueira, Erom. Congratulações.
Na verdade, o que não surte efeito é sua reclamação.
E parabéns pela crítica, Siqueira. Já não tava afim de ver este filme e ao ler a crítica só confirma o que eu imagina.
Parabéns pela crítica!
Vou pensar duas vezes antes de encarar mais de 2 horas de um longa chatinho e cheio de clichês.
Estou adorando ver a máscara de grande atriz de Julia roberts cair totalmente.Ela sempre foi medíocre.Atriz de um filme só.E prova que não está sabendo envelhecer,insistindo nesses filmecos romãnticos.
Nunca perdi meu tempo,assistindo seus filmes,não vai ser agora
Nossa senhora, você acabou de soltar uma bomba de ignorância! Acho que esse deve ter sido o primeiro filme dela que você assistiu. Já viu quantos filmes na vida? 2 ou 3? Um conselho: antes de abrir a boca p/ falar tolices sobre algum ator/atriz, conheça ao menos a carreira dela.
¬ ¬
sarah acho melhor você ler a critica novamente antes de comentar
No livro a parte do “rezar” é a mais chaaaaaaaaaata! Imaginei que no filme também o fosse. Acho que deveriam ter escolhido outro ator pro papel do brasileiro. Adorei a crítica!
Não é a primeira critica que leio sua, e na minha opinão você só foca o lado negativo de um filme, e um bom critico analisa todos os lados. Acho que precisa rever os seus conceitos, e um bom critico precisa ter uma noção de ortografia e pontuação.
Vocês que estão criticando a ortografia e a pontuação do texto, tem todo direito, mas saibam que a boa crítica é aquela que analisa o que é realmente o filme, se na maioria o filme é negativo a crítica tem mesmo que ser negativa, ora.
Achei o texto ótimo, apesar de errinhos, o ponto de vista defendido é bastante claro, e é isso que importa para quem escreve, que a mensagem seja entendida.
Parabéns Thiago.
Raramente discordo de uma critica do Sicas. Bem, pra tudo na vida há uma primeira vez! rsrs
Eu assisti ao filme hoje no cinema e posso dizer, sem medo de errar, que o filme tem seus erros e acertos e que estes são maiores que aqueles, tornando a película digna de ser assistida e facilmente apreciável. Ora, Sicas, vamos lá. hasusahuahsu
Achei o filme divertido, leve, delicioso. Fiquei c/ vontade de ler o livro,e em nenhum momento me arrependi de ter pago p/ assistir ao filme. Achei legalzinho.
7,5 p/ ele xD
Ahhhh e a unica coisa que realmente me incomodou foi o português do Bardem. Parecia língua de bêbado. Eu me sai melhor lendo a legenda do que decifrando o que ele falava! rsrs
Sua crítica realmente está MUITO MAL ESCRITA. Apesar disso, eu concordo que o filme não é lá essas coisas…
Siqueira,
Eu ainda não vi o filme, mas já li o livro e gostei muito. O livro é para o público femino e se o filme foi fiel, eu acho muito difícil os homens gostarem do filme. E eu espero que você não tenha compreendido a mensagem do filme, pois se você estiver certo o filme não foi fiel. Em nunhum momento a escritora passou a mensagem de que toda mulher precisa de um homem, pelo contrário, os obejetivos da viagem são autoconhecimento e crescimento espiritual, depois de uma depressão resultada de um divórcio conturbado. Em nenhum momento ela teve como objetivo se relacionar com alguém, o romance aconteceu por acaso e de forma realista e natural e se isso é clichê, então clichês podem ser reais, assim como personagens caricatos já que a escritora relata fatos que aconteceram com ela realmente. A verdadeira mensagem passada no livro é sim sobre a força e a superação de uma mulher que passou por uma fase ruim na vida assim como muitas mulheres.
Espero poder voltar aqui depois que eu ver o filme, e dizer que você se equivocou em sua crítica.
Sou fã quase incondicional do site e das críticas também. Digo quase porque não é sempre que concordo com a opnião do resenhista, mas as críticas são muito bem compostas. Parabéns!
Bem, sou mulher e não gostei do filme. Por causa da interessante primeira parte, diria que é um filme razoável. O filme em si é arrastado, a angústia da protagonista não é convincente, sem falar nos personagens estereotipados. Não li o livro, mas o filme realmente passa a idéia de que a mulher precisa de um homem para ser feliz (a parte de Bali deixa isso bem claro). Tinha gente na minha sessão chorando e eu não pude entender o porquê, provavelmente por algum sentido muito pessoal. Eu particularmente quase chorei porque o filme não acabava nunca!
PS: brasileiros tem costume de beijar os filhos na boca? #euri
O filme mais entediante que já vi,nunca me arrependi tanto por ter dedicado mais de duas horas do meu domingo assistindo a essa tremenda furada!!!Filme chato!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Boooooooooooooooooooooooring.
bem, a crítica feita ao filme poderia perfeitamente se aplicar ao livro…
chavões e frase de parachoques!
e a liz não é nada profunda, ela se acha, mas é infantilóide.
só q é espertésima, ganhou dinheiro até, e, já q eu tive a pachorra de ler o livro, vou querer ver a porcaria do filme tb…
é, me engana q eu gosto…
Estou acabando de ler o livro e quase certa de que o filme não é fiel a ele.Concordo ali que Liz é espertésima mas se acha.E ela não foi para Bali arranjar um homem,aconteceu mto naturalmente ,enfim,preciso assistir primeiro.
Venho aqui para deixar o meu desapontamento com esse filme…
Deixo claro que é entediante mesmo para quem não leu o livro e para quem leu, fica aquele gosto de que faltou tudo no filme.
Li todos as criticas e os comentários e não acredito que eles(os produtores e diretores) quiseram seguir o livro fielmente, pois com certeza não conseguiram.
Achei as cenas fantásticas e Julia Roberts esta maravilhosa “SIM” no filme…
Mas ele se perdeu completamente, a essência que o livro tem em nada se reflete nesse filme.
E digo, Liz não foi para Bali para encontrar um homem e sim para encontrar o equilibrio entre o prazer e a devoção. E odiei a mensagem que o filme consegue transmitir de o “verdadeiro equilibrio”…
Nem de longe esse longa pode-se dizer que foi uma adaptação de algum livro !
Coitada de Liz Gilbert…
….Botar ator gringo pra fazer brasileiro é o fim da picada, tanto ator brasileiro bonito, bom e querendo trabalho! enfim.
Ainda nao vi o filme, agora parei pra pensar…
Parabéns pela critica, Thiago, é precisa, franca – confesso que a sua acidez me divertiu! -, e apesar dos pesares tècnicos e dramaturgicos, voce nao deixa de ressaltar pontos positivos. Confesso que nem reparei nos tais dos erros ortograficos.
E gente, pega leve com a Julia Roberts, envelhecer nao é nem um pouco fàcil.
Bom, gostaria que alguém aqui me falasse de alguma produção milionária hollywoodiana com “cara de comédia romântica” que não tenha sido cheia de clichês. Eu não li o livro, mas acho q a proposta do filme, como toda grande produção, é agradar o senso comum e arrecadar milhões de bilheteria. Não fui ver esperando nada sensacional, então, com a falta de expectativas, até que achei ok. Dei algumas risadas, achei algumas partes boas, mas nada além de um pipocão feminino. A coisa que deu mais vergonha foi o português do coitado do Javier e aquelas bossinhas!! Gostei da crítica.
Perfeita a crítica.
Não consegui me emocionar com nenhum dos personagens, e também vi a mensagem machista
Aliás, é um roadmovie que anda em circulos… a personagem termina o filme como começou.
Cara, eu tb acho péssimo essa falta de comprometimento com a pesquisa antes de trazer elementos de outras culturas pros filmes americanos. Colocar gringos pra papéis brasileiros é amadorismo.. será que eles nao percebem que milhoes de brasileiros assistirão e perceberão a farsa?
É tão absurdo quanto aqueles filmes de época que se passam na França, e que todos os personagens só falam inglês. Amadorismo total. O filme perde toda a credibilidade.
No mais, achei o filme razoável. É cansativo em certos momentos, e confesso que essa temática de “busca do eu interior” me deixa meio enjoada. Mas acho que muitas mulheres vão se identificar com a personagem, e o lance de ter coragem pra sair da “zona de conforto” é um bom estímulo.
Fui ver o filme ontem, detestei e corri na internet prá ver se detestaram igual a mim, e achei essa crítica que diz exatamente o que achei desse filme. Prá mim esse filme mais parece esses filmes de sessão da tarde. Tinha uma pessoa do meu lado que dormiu mais da metade do filme! E olha que eu amo Julia Roberts e Javier Bardem! Mas concordo com a crítica em tudo o que disse.
OII..Enfim, olha só quero dizer, q a Julia Roberts, estava maravilhosa no filme(como sempre), e q o filme tbm é maravilhosoooooooooooooooo…muito bom, sem contar q a parte da India, nao é chata coisa nenhuma! vcs q nao sabem apreciar nada! cada coisa viu! huahuahua..é serio, eu fui assistir e iria de novo! o filme é tudo de bom, e vale a pena! leve, descontraido, divertido e romantico! (e ah, assistam e conhecem a carreira da Julia, antes de falarem qualquer coisa,ta?!)…(:
Concordo com você, não diria que é o melhor filme do ano, mas é um grande filme sim. Com certeza, fala mais com o público feminino, mas os homens podem tirar lições dele se forem com a mente e o coração abertos, rsrs.
Siqueira, adoro suas críticas, mas dessa vez não concordo. Não acho que a mensagem final do filme foi dizer que toda mulher precisa de um homem, mas sim que o amor acontece de forma natural e temos que perceber a hora certa de confiar e nos entregar. E a vida também é cheia de clichês, oras!! E com certeza, os clichês que envolvem Comer, Rezar, Amar são muitos legais de serem vividos na realidade.
Vi o filme, achei as tomadas lindas, o clima de romance, mas foi realmente exaustivo, saí com a mesma sensação que tive ao assistir Crespúsculo: mais um filme romântico feito apenas para sonhar, mas nada inspirador.
Adoro a Julia Roberts, adorei a trilha (apesar de estranhar os “hábitos” dos brasileiros que nada têm a ver com os nossos) e curti muito o visual, mas sei lá, faltou “algo”, não sei o que…