Sou fã de Conan e, por consequência, admirador de longa data do trabalho do escritor americano Robert E. Howard. No entanto, com exceção do primeiro longa do bárbaro cimeriano, as transposições restantes de suas obras para o cinema costumam fazer os fãs quererem levar os envolvidos em tais produções para um passeio nada agradável na era medieval. E, infelizmente, este “Solomon Kane – O Caçador de Demônios” não é uma exceção.
O longa, a despeito de não ser um insulto velado à memória de Howard, como fora o terrível “Kull – O Conquistador”, é muito fraco. A história se passa na Idade Média e segue Solomon Kane (James Purefoy), filho deserdado de um grande nobre (Max Von Sydow), que se torna um soldado profissional, acostumado a cometer atrocidades por dinheiro. Kane renuncia à violência quando descobre que o inferno deseja a sua alma.
Após ser expulso de um monastério, Kane deve descobrir seu caminho no mundo. Acolhido por um gentil homem (Pete Postlethwaite), o guerreiro é obrigado a voltar ao caminho da espada quando a bela filha de seu benfeitor, Meredith (Rachel Hurd-Wood), é sequestrada pelos capangas do feiticeiro Malachi (Jason Flemyng), que deseja, é claro, dominar o mundo, com a ajuda de forças demoníacas.
O grande problema do filme, escrito e dirigido pelo desconhecido Michael J. Bassett, é o seu roteiro, que simplesmente desperdiça o bom elenco com frases de efeito, situações previsíveis e uma geral falta de desenvolvimento dos personagens. O texto parece querer abarcar uma trama maior do que pode suportar e tudo parece apressado, forçado ou óbvio demais, com as situações jamais ocorrendo de forma orgânica, vide a saída de Solomon do monastério, apressada e quase sem razão.
Todo bom roteiro consegue expor ao público não só o seu protagonista, como também os antagonistas. Kane é o único em tela que tem sua motivação e personalidade exploradas, com o público apenas conhecendo o “grande vilão” do filme faltando 10 minutos para o final da projeção! Encarnado por Jason Flemyng, jamais sabemos nada sobre a persona de Malachi ou chegamos realmente a temê-lo, até porque, até os derradeiros momentos do longa, não o tínhamos visto!
O pior é que fica claro para a audiência que os atores estão realmente tentando fazer um bom trabalho. James Purefoy já provou com seu Marco Antônio na telessérie “Roma” que é capaz de compor um personagem forte e complexo, mas quando a única coisa que sai da sua boca são frases feitas, fica impossível trabalhar.
Pete Postlethwaite faz milagres com o seu William, dando alguma profundidade ao personagem. Rachel Hurd-Wood, coitada, só aparece em cena para se tornar o macguffin do filme e gritar desesperada por Solomon. Chega a doer ver o grande Max Von Sydow em uma quase-ponta como o pai de Kane, reduzido a declamar diálogos expositivos para pagar o aluguel.
O visual da produção, a despeito de ser meio genérico, principalmente em sua cinematografia, não incomoda tanto, com Bassett se saindo um pouco melhor como diretor do que como roteirista. Algumas sequências mostram certo potencial, mas são seguidas por outras que ultrapassam a barreira do brega, como a de Solomon escapando de uma cruz, na qual o cineasta usa uma câmera lenta que fará algumas pessoas rirem nas salas de cinema.
Se mostrando ineficaz em sua narrativa, “Solomon Kane – O Caçador de Demônios” é ineficaz até mesmo como aventura escapista, até mesmo pelo peso de seu pano de fundo semi-religioso, sendo mais um desapontamento para os fãs das obras de Robert E. Howard. Uma pena, de fato.



























7 Comentários
eu custumaca gostar das criticas do sicas pq elas me faziam cair nas gargalhadas principalmente quando o filme era ruim como esse (so estou disendo o que ele msm disse) sera que vc perdeu o jeito siqueira?
Bom, a verdade que eu gostei do filme, achei muito bom o enredo, os artistas envolvidos, e o clima das cenas (fotografia). Não concordo com o autor da critica acima, pois fez a infeliz comparação do filme com os demais do gênero, e só se envolveu sistematicamente nisso. Não se pode posicionar em uma crítica só por ser conhecedor de outras tramas do escritor. É preciso se posicionar também no lugar de expectadores como o meu caso, que não conheciam as demais tramas existentes, não desmerecendo a qualidade delas.
Acho que dessa forma, a crítica seria mais assim, digamos, madura.
Abraços.
Gosto do Siqueira e de suas críticas e estas me convêm bastante, embora alguns longas eu mal chego a assistir e se tratando de adaptações, mal conheçoa obra da qual este se deriva. gostei da crítica e assistindo o filme terei a chance de ver se esta crítica realmente tem fundamento no longa. Gosto de muitos do CCR(exceto o Jurandir) e estes são bem melhores e mais convincentes do que outros sites como omelete.
Olá pessoal!
Sou fã incondicional do site e principalmente do pessoal do podcast, fiquei muito espantado com a critica do Ciqueira pois ela (quase) me fez não assistir o filme.
Seguindo o comentario do Claus, eu adorei o filme e fiquei bem convencido com o drama do Salomão. Achei tudo bom, desde a direção, com cameras precisas que mostram a ação na medida certa com cenas de luta (aparentemente)reais, narrativas lentas para nos ligarmos ao relacionamente de Kane com a familia da floresta e também os flash da sua infancia. A cena da crucificação talvez seja exagerada mas monta e justifica a mensagem inplicita: “o que não mata fortalece!”.
Talvez o Cicas não percebeu mas o verdadeiro vilão da estória era o homem mascarado, no filme mesmo há citações de que o Malaco, ou Malachi… o Mala do Fiticeiro era um cara que ninguém conhecia, aquele Diabo do final então…
Mas as cenas emblematicas são de encher os olhos: veja o Homem de mascara lutando com o Salomão pela primeira vez, sua capa está suja e arrastando na lama, sinal de que o diretor aprecia a realidade mais do que os personagens bonitinhos para a camera… os efeitos especial convencem, a maquiagem dos zumbis dá medo e o cenario parece dentro de um castelo/caverna)igreja destruida de verdade… até os creditos finais são empolgante!!! Fazem com que o Salomon Kane 2 já pode aparecer com uma certa fama pois vai a luta com os demonios que restam… bom, é isso!!!
Um belo filme que com a promoção certa fará sucesso no Brasil.
Abraços!!! e Ciqueira? Está perdoado pela falta de fé no filme!!!!
Não li nada a respeito do filme justamente para nao ficar desanimado pois sabia que pessoas chatinhas como o Siqueira iam falar mal.. resultado: ADOREI o filme!! Gostei do roteiro, muito bem amarrado.. dos atores.. destaque para o Purefoy! Divertido pacas e merecia um 7/10 estrelas fácil! tu gosta é de scott pilgrim Siqueira! oeihueoih abraaço
Conheco muitas pessoas desse site pessoalmente, e vou falar um coisa
esse siqueira e um TOSCO que escreve as criticas levando em conta a opnião PESSOAL DELE
SEMPRE QUE ELE FALA QUE UM FILME É RUIM EU ASSISTO POIS DEVE SER BOM
Tudo que posso dizer, como CINEASTA e Fã de Solomon Kane a respeito da infeliz crítica deste tal de Thiago Siqueira, o qual nem sequer ouvi falar antes, é que definitivamente suas opiniões são irrelevantes e isso mostra sua falta de entendimento. Solomon Kane traz além de uma boa trilha sonora uma ótima produção e direção, além de uma direção de arte e fotografia MARAVILHOSAS! Os efeitos especiais também são muito bons. Espero que Sua sequência seja melhor ainda contando com a brilhante atuação de James.
Acredito que um bom filme na opinião deste “crítico” seria: Um Tira no Jardim de Infância.